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O Aedes aegypti é vetor de arboviroses de grande relevância para a saúde pública, como dengue, zika e chikungunya, representando um desafio permanente para o Sistema Único de Saúde (SUS). O enfrentamento dessas doenças exige estratégias integradas que ampliem a cobertura das ações no território, fortaleçam a vigilância em saúde e promovam intervenções oportunas junto à população. Em municípios de médio e grande porte, como São José do Rio Preto – SP, a fragmentação das ações entre atenção básica e vigilância pode comprometer a efetividade do controle vetorial. Diante desse cenário, o município implantou a integração das atividades dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), visando unificar ações, otimizar recursos humanos e ampliar a capacidade de resposta frente aos riscos epidemiológicos. Essa estratégia fortalece a atuação territorial, uma vez que ambos os profissionais passam a desenvolver, de forma articulada, ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e controle de vetores, contribuindo para maior eficiência das intervenções e fortalecimento do SUS municipal.
A estratégia consiste em fortalecer a Vigilância em Saúde no município de São José do Rio Preto – SP por meio da integração das atividades dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), promovendo a ampliação da cobertura das visitas domiciliares, a qualificação das ações de controle vetorial, a otimização dos recursos humanos e a prevenção das arboviroses, com o objetivo de aprimorar a capacidade de resposta do município frente a situações de risco epidemiológico.
A experiência foi implementada no município de São José do Rio Preto – SP, que dispõe de um total de 382 profissionais envolvidos nas ações de controle e atenção à saúde, sendo 290 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) atuantes nas 29 Unidades de Saúde do município e 92 Agentes de Combate às Endemias (ACE). Inicialmente foi realizada uma capacitação técnica para alinhamento dos fluxos operacionais existentes e a organização do processo de trabalho compartilhado entre as duas equipes. Após a capacitação os agentes passaram a atuar de forma integrada, possibilitando que o ACS realize ações de controle de vetores durante as visitas de rotina, de forma articulada às ações desenvolvidas pela Estratégia Saúde da Família, além de outras atividades demandadas em sua área de abrangência. Entre as ações desenvolvidas destacam-se o controle de criadouros; a inspeção de imóveis especiais e obras; a implantação e manutenção das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs); bem como a avaliação da densidade larvária nos territórios de abrangência. Quando indicado, realizam a aplicação de larvicida de forma criteriosa, seguindo os protocolos técnicos e as normas de segurança vigentes.
A integração entre os ACSs e os ACEs consolidou-se como uma estratégia fundamental para o fortalecimento das ações de vigilância e controle das arboviroses no município. Essa articulação resultou em aumento expressivo da produtividade das equipes, evidenciado pela ampliação do número de visitas domiciliares e pela maior abrangência das ações de controle vetorial. Anualmente, são realizadas mais de um milhão de visitas com foco no enfrentamento das arboviroses, quantitativo que não seria possível de ser alcançado exclusivamente com o número de ACE disponíveis, evidenciando a importância da atuação integrada dos ACS nesse processo. Observou-se, ainda, significativa redução da sobreposição de visitas aos imóveis, uma vez que o ACS, já presente no território por meio das ações da Estratégia Saúde da Família, passou a incorporar atividades de controle de vetores em sua rotina. Essa integração promoveu a otimização dos recursos humanos, maior eficiência operacional e maior agilidade na identificação, monitoramento e manejo de situações de risco epidemiológico. Além disso, a articulação entre a atenção básica e a vigilância em saúde fortaleceu a capacidade de resposta do município frente às arboviroses, permitindo ações mais rápidas, integradas e territorializadas.
A experiência de integração entre ACS e ACE em São José do Rio Preto evidencia que a atuação conjunta dessas categorias profissionais constitui uma estratégia eficaz e sustentável para o fortalecimento da vigilância em saúde e do controle vetorial. A unificação das ações amplia a cobertura territorial, otimiza recursos do SUS municipal e qualifica as intervenções em saúde pública. Trata-se de uma prática exitosa, com elevado potencial de replicabilidade em outros municípios, especialmente aqueles que enfrentam cenários complexos de transmissão de arboviroses, contribuindo para a redução dos riscos à saúde e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Vigilância, ACS, ACE, Aedes, SUS, EDL, Vetores.
ANDRÉIA FRANSCELI NEGRI, RUBEM DE OLIVEIRA BOTTAS NETO, CAMILA SANTANA DE OLIVEIRA, GABRIELA GAGIGE, TATIANA LIBÓRIO PINTO FERREIRA, JOÃO MARCOS CERON DA SILVA, KARINA ELIAS DE SOUZA, ALESSANDRA GARCIA, VIVIANE SANCHES MASITELI, CESAR LEANDRO JERONIMO, FRANCISCO DE SOUSA PONTES