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O Brasil vivencia acelerada transição demográfica, com crescimento da população idosa e aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial e diabetes mellitus. Esse cenário impõe ao SUS o desafio de reorganizar o cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), priorizando prevenção, manutenção da funcionalidade e promoção da autonomia. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde apontam o envelhecimento ativo como estratégia central para reduzir incapacidades e custos assistenciais. No município, a existência de atividade física regular para idosos, ofertada pela gestão local, evidenciou oportunidade de integrar educação nutricional à prática de exercício físico já consolidada no território. A experiência foi desenvolvida entre setembro e dezembro de 2024, envolvendo 28 idosos da comunidade, com foco na qualificação do cuidado preventivo e fortalecimento da coordenação da APS.
Implementar ação integrada entre nutrição e exercício físico na APS, visando prevenção de DCNT, qualificação do cuidado multiprofissional, fortalecimento do autocuidado do paciente idoso e promoção do envelhecimento ativo no SUS municipal.
Abordagem preventiva e educativa, desenvolvida na APS por meio de encontros semanais de 20 minutos, realizados antes da atividade física municipal. Participaram 28 idosos (26 mulheres e 2 homens), com idade média de 67 anos. Realizou-se avaliação antropométrica inicial, com cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e devolutiva individualizada, favorecendo compreensão do próprio estado nutricional. Os encontros foram conduzidos de forma dialogada e participativa, com breve exposição temática, espaço para dúvidas e escolha compartilhada de assuntos de interesse do grupo. Foram utilizados materiais educativos impressos para reforço domiciliar. Os temas abordados incluíram: estado nutricional, alimentação adequada conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira, hidratação, leitura e classificação de rótulos, consumo de alimentos ultraprocessados, hipertensão arterial, anemia e relação entre ansiedade e comportamento alimentar. A ação foi conduzida por nutricionista em articulação com profissional de Educação Física, fortalecendo a prática multiprofissional e a integração das ações no território.
A avaliação inicial evidenciou que 71% dos participantes apresentavam excesso de peso (11 com sobrepeso e 9 com obesidade), indicando vulnerabilidade significativa para desenvolvimento e agravamento de DCNT. Oito idosos encontravam-se em eutrofia. Observou-se elevada adesão às atividades, com participação ativa nas discussões e interesse recorrente por novos temas. A devolutiva individual do IMC ampliou a percepção sobre riscos associados ao excesso de peso. A dinâmica prática de leitura de rótulos fortaleceu o senso crítico em relação ao consumo de ultraprocessados, com relatos de substituições alimentares no cotidiano. Houve também maior atenção à hidratação e compreensão da relação entre alimentação e controle da pressão arterial. A integração entre nutrição e atividade física demonstrou ser de fácil reprodução, baixo custo de implementação e potencial de ampliação para outros grupos do município.
A experiência evidencia que ações integradas, multiprofissionais e territorializadas fortalecem a APS como coordenadora do cuidado e ampliam a capacidade preventiva do SUS municipal. A articulação entre nutrição e exercício físico contribui para promoção do envelhecimento ativo, prevenção de DCNT e fortalecimento da autonomia do paciente idoso. A estratégia mostrou-se replicável, sustentável e alinhada às diretrizes internacionais e nacionais de promoção da saúde, podendo subsidiar ampliação de políticas municipais voltadas à população idosa.
Nutrição, exercício físico e envelhecimento ativo
CAROL RODRIGUES, NYCOLY DO CARMO GARCIA, PATRICIA DA SILVA ALVES EGAS