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Arboviroses são doenças causadas pelos chamados arbovírus, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e constituem-se como um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A etiologia do Aedes aegypti beneficia sua ampla dispersão, favorecida nos ambientes urbanos, preferencialmente no intra e peridomicílio humano, onde persiste o maior número de recipientes existentes com potencial para tornar-se criadouros, como latas, potes, garrafas, prato sob vaso de flores, entre outros. A dengue é a arbovirose urbana de maior relevância nas Américas. No Programa Nacional de Combate à Dengue e nas Diretrizes Estaduais de Controle das Arboviroses, os Agentes de Controle de Endemias (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) possuem um papel de extrema importância, pois promovem o controle mecânico dos criadouros, cujas ações são centradas em detectar, destruir ou destinar adequadamente reservatórios naturais ou artificiais de água, que possam servir de depósito para os ovos do mosquito. O controle intersetorial deve ser planejado e realizado para avaliação dos indicadores e dos fatores socioambientais da comunidade. O cenário epidemiológico do Município e a Deliberação CIB nº 110, com o objetivo de repasse financeiro aos municípios para incremento e intensificação das ações de controle do vetor ao final de 2022, demonstra importância da realização de ações de controle ao mosquito Aedes aegypti como prioritárias para redução da infestação, motivando a realização deste trabalho.
Objetivo Geral Promover ações de vigilância com a parceria entre o Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) e Departamento de Assistência Integral à Saúde (DAIS), com o trabalho conjunto dos agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde nos territórios com alto índice larvário. Objetivos Específicos ✓ Planejar a intensificação das visitas domiciliares aos imóveis, com mobilização dos Agentes Comunitários de Saúde, nas áreas com infestação mais elevada para eliminação de potenciais criadouros, com ênfase nas fases imaturas (ovos e larvas); ✓ Aumentar o número de casas visitadas de acordo com as áreas de maior incidência de casos e infestação pelo vetor para incremento da retirada e/ou eliminação de criadouros potenciais existentes.
O trabalho foi realizado no período de 17 de junho a 19 de agosto de 2023 em 27 UBS com Estratégia de Saúde da Família do Município de Guarulhos -SP. Em maio de 2023 houve o alinhamento entre os departamentos envolvidos, onde a Divisão Técnica do Centro de Controle de Zoonoses (DTCCZ) propôs o encaminhamento semanal dos mapas com a delimitação da área de abrangência a ser visitada pelos ACS. A Equipe Técnica da Atenção Primária à Saúde (APS), ao receber os mapas distribuíam às regiões de saúde e estas encaminhavam às UBS para organização das atividades a serem realizadas aos sábados pelo ACS´s. OS ACS´s eram organizados em duplas e distribuídos para a ação no território sob a supervisão da enfermeira escalada. No período das 8h às 17h, os agentes comunitários de saúde promoveram educação em saúde orientando a população às questões de diminuição da reprodução dos criadouros do Aedes aegypti com o intuito de reduzir a incidência de Dengue nos territórios trabalhados. Já os Agentes de Endemias, trabalharam um dia a mais na semana, sendo sábado ou domingo, intensificando o trabalho nos territórios das UBS tradicionais. A realização das ações contou com um incentivo financeiro de R$265,00 (duzentos e sessenta e cinco reais) aos funcionários envolvidos por dia trabalhado.
Segundo o Caderno de Atenção Básica nº 21/2008, cabe aos gestores municipais e equipes de saúde definirem claramente quais as competências, papéis e responsabilidades de cada um desses agentes, de acordo com a realidade de cada um, estabelecendo fluxos de trabalho uma vez que são co responsáveis pelo controle da Dengue e devem trabalhar de maneira integrada. Este estudo representa o processo de integração da Gestão Municipal, representado pelos Departamentos DAIS e DVS a partir da proposta de organização do processo de trabalho e das visitas domiciliares aos finais de semana, com vistas ao controle vetorial. Neste sentido, como resultado desse trabalho, foi possível obter no período de estudo 100.456 casas trabalhadas pelos ACS´s e 13.152 casas trabalhadas pelos ACE´s. Em relação às casas fechadas, o total registrado por ambos foi de 30.638. A atuação de ACS´s e ACE´s em conjunto totalizou mais de 140 mil casas visitadas no período. Ressalta-se que esta integração entre os profissionais participantes deste estudo foi viável e representou um movimento importante da Secretaria da Saúde de Guarulhos a fim de favorecer o controle da Dengue, além de possibilitar um maior acesso da comunidade com o repasse de orientações sobre prevenção aos moradores, a partir da intensificação nas áreas com Índice Predial em Alerta ou risco, obtidos a partir da Avaliação de Densidade Larvária (ADL), associado ao quantitativo de casos suspeitos ou confirmados.
Este trabalho demonstrou o processo de integração nas ações de prevenção e controle da dengue envolvendo ACE´s e ACS´s do Município de Guarulhos -SP, bem como a potência da cooperação entre profissionais e serviços de saúde. Além disso, cabe destacar que a ação intersetorial realizada possibilitou que os moradores das áreas identificadas com alto índice larvário pudessem receber orientações para contenção da proliferação do mosquito vetor, favorecer a prevenção e identificar possíveis focos de forma a contribuir para melhorias do perfil da saúde do território de abrangência identificado. Ressaltamos que todo o trabalho desenvolvido em integração entre os departamentos favoreceu não somente a melhoria do perfil de saúde no território, como trouxe a promoção, a prevenção e a proteção à saúde como primícias das ações de Vigilância em Saúde
Arbovirose , Dengue, Agente Comunitário de Saúde
Cintia Aparecida Souza, Liria Rodrigues da Silva, Karen Avilez de Andrade, Maria Aparecida Silva, Marcia Gomes Silva, Margareth Denise M. Mayoral, June Liz Dias Sousa, Vivian Pedros da Cruz, Vania Lucia Correia