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As Unidades de Pronto Atendimento (UPA) atuam como pontos estratégicos para o atendimento de casos de urgência e emergência, entretanto, determinadas características territoriais e epidemiológicas podem impactar diretamente os processos de assistência à saúde. A UPA Bangu apresenta especificidade territorial relevante, uma vez que faz divisa com o município de São Paulo, refletindo o seu perfil assistencial, aproximadamente 25% dos atendimentos correspondem a usuários residentes de São Paulo, somando-se a um perfil etário predominantemente idoso, com cerca de 61% dos pacientes com idade superior a 60 anos, reflexo do processo de envelhecimento populacional, frequentemente associados a múltiplas comorbidades, fragilidade clínica e graus variados de dependência funcional. O envelhecimento da população impõe novos desafios à Rede de Atenção à Saúde, especialmente no âmbito da urgência e emergência, onde pacientes idosos demandam maior tempo de observação, cuidado multiprofissional e planejamento de alta articulado, reforçando a necessidade de estratégias que garantam continuidade do cuidado no território. Diante desse cenário, tornou-se imprescindível a integração intermunicipal em rede como estratégia para viabilizar a alta segura de pacientes atendidos na UPA Bangu, por meio do fortalecimento da comunicação entre os pontos de atenção e da articulação com os serviços de Atenção Primária à Saúde e de Atenção Domiciliar do município de São Paulo.
Relatar a experiência de integração intermunicipal estabelecida pela UPA Bangu com a rede de atenção à saúde do município de São Paulo, evidenciando a comunicação em rede como estratégia fundamental para o processo de alta segura de pacientes, em especial idosos com dependência assistencial, assegurando continuidade do cuidado no território de origem e fortalecendo a coordenação do cuidado frente ao envelhecimento populacional.
Trata-se de um relato de caso descritivo, desenvolvido a partir da identificação de pacientes com permanência na UPA Bangu, residentes no município de São Paulo e com necessidade de continuidade assistencial após estabilização clínica. Inicialmente, foi realizado o mapeamento das Unidades Básicas de Saúde de referência e dos Serviços de Atenção Domiciliar (EMAD) correspondentes às regiões de origem dos pacientes. Foram promovidas reuniões de alinhamento com as equipes do EMAD da região da Fazenda da Juta I e de Sapopemba, com o objetivo de estreitar a comunicação intermunicipal, compartilhar fluxos assistenciais, esclarecer critérios de elegibilidade e alinhar os processos de solicitação de acompanhamento domiciliar. Paralelamente, identificou-se os fluxos de inclusão no Programa de Fornecimento de Oxigênio Domiciliar do município de São Paulo, trabalhando a avaliação clínica e viabilização do suporte ventilatório no domicílio. Por intermédio da integração intermunicipal, foi possível discutir o processos de acesso aos serviços de saúde de São Paulo, os formulários necessários, as responsabilidades de cada ponto da rede e as estratégias para garantir a continuidade do cuidado após a alta da UPA. A partir desse alinhamento, os pacientes elegíveis foram avaliados de forma multiprofissional, com definição conjunta do plano de cuidado e articulação com a Unidade Básica de Saúde de referência, visando à alta segura e o seguimento assistencial no território de origem.
A partir da articulação intermunicipal e das reuniões de alinhamento realizadas, foram efetivadas quatro altas exitosas de pacientes classificados como AD2, residentes no município de São Paulo, com permanência na UPA Bangu. Os pacientes foram avaliados e incluídos no Programa de Fornecimento de Oxigênio Domiciliar do município de São Paulo, que assegura suporte ventilatório no domicílio, acompanhamento clínico e monitoramento contínuo das condições respiratórias. Simultaneamente, os usuários foram inseridos no acompanhamento pelo Serviço de Atenção Domiciliar (EMAD), responsável por ações multiprofissionais no domicílio, como monitoramento clínico, orientações aos cuidadores, articulação com a Atenção Primária e suporte à continuidade do cuidado. Houve também vinculação dos pacientes às respectivas Unidades Básicas de Saúde de referência, favorecendo o controle de comorbidades e o seguimento longitudinal. A integração dos serviços mostrou-se especialmente relevante para pacientes idosos, possibilitando a transição do cuidado da urgência para o domicílio de forma segura, com suporte multiprofissional contínuo, reduzindo riscos associados à permanência em ambiente de urgência. Portanto a comunicação estruturada entre a UPA Bangu e a rede assistencial do município de São Paulo mostrou-se determinante para a organização do processo de alta, contribuindo para a redução do tempo de permanência, otimização do uso de leitos e minimização do risco de reinternações evitáveis.
O relato evidencia que a integração intermunicipal e a comunicação efetiva em rede constituem estratégias essenciais para a Alta segura de pacientes com permanência em Unidades de Pronto Atendimento. A UPA Bangu, ao reconhecer sua especificidade territorial e o perfil de usuários atendidos, fortaleceu a articulação com a rede de atenção à saúde do município de São Paulo, garantindo continuidade do cuidado no território de origem dos pacientes. Em um cenário de envelhecimento populacional, a experiência reafirma a necessidade de redes de atenção articuladas e responsivas às demandas do cuidado à população, em especial ao idoso. A integração intermunicipal demonstrou-se fundamental para assegurar alta segura, cuidado longitudinal e uso racional dos serviços de urgência, fortalecendo o papel da UPA como ponto estratégico de coordenação do cuidado na Rede de Atenção à Saúde, além de contribuir para a redução do tempo de permanência, aumento do giro de leitos e qualificação do cuidado, promovendo atenção integral, resolutiva e centrada no usuário.
Alta segura, Continuidade do cuidado, EMAD, idoso.
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