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A dengue tem se configurado com uma questão de saúde global, com surtos que geram sobrecarga em sistemas de saúde em regiões tropicais e subtropicais e desafiam os gestores a promover uma assistência de qualidade e manejo adequado a fim de reduzir os óbitos pela doença. O ano de 2025 foi marcado pela epidemia de dengue no Brasil. Em São José do Rio Preto as notificações de dengue apontaram plena ascensão já em dezembro/2024, com aproximadamente 4.459 notificações, sendo que o máximo registrado na história desde 2022 (999 notificações), elevada positividade dos exames RT-PCR (55%) e a circulação dos sorotipos dengue 2 cosmopolitan e dengue 3 (não circulava há 17 anos). Esse conjunto de fatores foram condicionantes para a situação emergencial da dengue enfrentada pelo município no ano seguinte, tendo a necessidade de ampliar a rede de atendimento na cidade, por meio de unidade sentinela para hidratação.
Descrever a atuação de enfrentamento de epidemia de dengue por meio da articulação conjunta entre as equipes de saúde do município de São José do Rio Preto e a Força Nacional do SUS em Centro de Hidratação no ano de 2025.
Diante do cenário alarmante da epidemia de dengue em 2025, a Vigilância em Saúde e os departamentos assistenciais do município reuniram-se com o Ministério da Saúde e o CVE-SP para definir estratégias de enfrentamento. Em 24/12/2024, foi instalado um centro de hidratação(CH) para pacientes suspeitos dos Grupos A e B, com 34 leitos, e, em 03/01/2025, decretou-se situação de emergência em saúde pública. Com a mudança do perfil clínico e o aumento expressivo de pacientes do Grupo C, que exigiam maior tempo de observação, tornou-se necessária uma estrutura mais robusta para evitar sobrecarga das UPAs. Em janeiro, a prefeitura solicitou apoio federal e, em 06/02/2025, a Força Nacional do SUS chegou para reforçar as equipes. O CH foi transferido para o Espaço Swift, ampliado de 34 para mais de 100 leitos, aquisição de 80 poltronas de hidratação e realocação de equipamentos da rede municipal. A atuação conjunta ocorreu até 21/03/2025, com saída da FNS. A logística diagnóstica foi um dos pilares da eficiência: inicialmente, o transporte de amostras ao Laboratório era feito por carros das unidades; depois, passou a ser por motolância, e reduziu o tempo de resposta. Em 01/03/2025, a instalação de equipamento para hemograma no CH com resultados em minutos, agilizou a identificação de alterações hematológicas e a previsão de complicações, (as motolâncias continuaram para exames complementares). O CH foi descontinuado em 04/04/2025, após cumprir papel estratégico na resposta emergencial.
A reorganização do fluxo de atendimento foi crucial: O fluxo assistencial no centro expandido baseava-se na estratificação de risco logo na recepção. Pacientes Grupos A e B eram encaminhados aos consultórios e, sequencialmente, à Área Não Crítica para hidratação e coleta de exames. Já os pacientes do Grupo C seguiam diretamente para a Área Semicrítica, com início imediato de hidratação venosa e avaliação médica prioritária para elucidação do caso. Casos de maior gravidade eram estabilizados na Área Crítica (Sala Vermelha). O Centro de Hidratação funcionou por 100 dias, atendendo 6.684 pacientes da rede pública e privada (este representou 28% dos atendimentos em determinado momento) e ainda pacientes de outros municípios. Nas estimativas de custo para criação e manutenção de um CH pela Secretaria Municipal de Saúde, estes 100 dias custariam em torno de R$3.834.705,72, com o importante auxilio da FNS, o CH custou R$239.527,30, a um custo de R$ 35,80/paciente atendido no CH. O sucesso do CH garantiu melhoria, agilidade de exames no atendimento aos suspeitos de dengue do município e até pacientes da região começaram procurar o centro. Houve redução de custo de 94% do estimado com o auxílio da FNS.
A implantação do Centro de Hidratação como estratégia emergencial demonstrou elevada capacidade de resposta frente à epidemia de dengue, garantindo ampliação do acesso, organização do fluxo assistencial, suporte à rede de urgência e cuidado oportuno aos casos moderados e graves. A experiência evidenciou que a integração entre gestão municipal, vigilância em saúde e apoio federal permitiu rápida expansão da capacidade instalada, otimização diagnóstica, racionalização de custos e alta resolutividade clínica. O modelo mostrou-se eficiente, oportuno e replicável para cenários epidêmicos, contribuindo para melhoria do atendimento à população do município e também da região.
Integração, emergência, dengue, centro hidratação
ANDREIA FRANCESLI NEGRI, RUBEM DE OLIVEIRA BOTTAS NETO, CAMILA SANTANA DE OLIVEIRA, ANA PAULA MUNHOZ BOLGUE GASPARINI, LEANDRO MUNHOZ DE BRITO, JULIANA MACHADO DE ARAUJO SOARES, AMANDA ARENAS FELICE, LIGIA CAVASSANI, DIENE HEIRI LONGHI TRAJANO, EVANDRO SCARSO DE BRITO, CARMEN LÍGIA FIRMINO MARQUES, GABRIELA GAGIGE, ANA PAULA MUNHOZ BOLGUE GASPARINI, NAIANA LAB: NAYANE MARA BALBO, MARIA AMÉLIA ZANON PONCE DA ROCHA, PAULA CANOVA SODRE, ALESSANDRA GARCIA, ANDREA RENATA MUNHOLI, MILENA APARECIDA SCARPASSI, JOÃO PAULO GONÇALVES DA SILVA, ANA CAROLINA BOLDRIN CARDOSO, RODRIGO TADEU RODRIGUES SILVESTRE, FABIANA MONTEIRO JACINTO DE MELO, PAULO CESAR DOS ANJOS GASQUES, SUZIMEIRI BRIGATTI ALAVARSE CARON, VANESSA DA COSTA NASCIMENTO, LETÍCIA DE FREITAS GRECO, KARINA ELIAS SOUZA COSTA, MICHELA DIAS BARCELOS, JOÃO MARCOS CERON DA SILVA