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A amamentação traz benefícios a curto, médio e longo prazo para a saúde, além de ser uma estratégia eficiente e bem consolidada para evitar a mortalidade infantil. (1) O desmame precoce é um desafio que afeta a saúde pública e é comum em diversos países. Promover o aleitamento materno é fundamental para o desenvolvimento infantil e a saúde das mães e bebês. Atualmente, existem muitos debates e visões divergentes sobre o impacto negativo da anquiloglossia na manutenção do aleitamento além de, falta de consenso entre os profissionais sobre o diagnóstico, opções de tratamentos e possíveis desequilíbrios anatômicos e funcionais que podem surgir em outras fases da vida. (2-3) A partir da obrigatoriedade de realização da triagem neonatal da Anquiloglossia através do Teste da linguinha, o que se notou foi um aumento exponencial das cirurgias realizadas. Diante disso, foi implementado um fluxo de atendimento em apoio e incentivo ao Aleitamento Materno no Hospital e Maternidade Amador Aguiar baseado nas diretrizes da OMS, Unicef e do Ministério da Saúde do Brasil, que apresenta como diferencial contar diretamente com a participação de Odontopediatras Especialistas em Aleitamento Materno e com habilitação em fotobiomodulação na equipe multidisciplinar, contribuição essa, muito valiosa para a resolutividade e assertividade dos atendimentos.
O impacto esperado é em primeiro lugar, o de criar um ambiente hospitalar que apoie e promova o aleitamento materno através de boas práticas de cuidado materno infantil mantendo o compromisso pelo reconhecimento como Hospital Amigo da Criança, seguindo as diretrizes e práticas propostas pelos “Dez passos para o sucesso do Aleitamento Materno” propostos pela OMS/Unicef. Também são esperadas, as reduções nas taxas de desmame precoce e o aumento nas taxas de aleitamento e em consequência disso, a melhora na saúde materno infantil a curto, médio e longo prazo. A participação do Odontopediatra com experiência em Manejo do Aleitamento visa um diagnóstico mais preciso diminuindo assim, o número de cirurgias desnecessárias.
Neste fluxo os bebês são avaliados pelas Odontopediatras entre 24 e 48 horas após o nascimento, sendo realizado o Protocolo de Bristol para o diagnóstico da Anquiloglossia. Na ocasião, são realizadas algumas orientações sobre o Manejo do Aleitamento frente aos binômios que já relatam alguma dificuldade. Além disso, as nutrizes são informadas sobre os malefícios dos bicos artificiais: chupetas, mamadeiras e intermediários de silicone, e quanto à possibilidade de uso de outros métodos de complementação através do uso de copinhos ou colheres dosadoras. Os casos de anquiloglossia severa e moderada são agendados no Ambulatório da Odontopediatria dentro da própria Maternidade, visando agilizar o acompanhamento evitando assim o desmame. No primeiro retorno, os casos severos recebem reforço no manejo e são agendados para a cirurgia com prioridade, enquanto os moderados são acompanhados através de retornos periódicos para verificar se há ou não impacto deste freio na amamentação. Constatado o impacto, a cirurgia é agendada. São realizados retornos após 10,30 e 60 dias para acompanhamento da evolução da cicatrização e a continuidade do aleitamento. Nossa instituição ainda conta com o diferencial de possuir equipamento de Laser de Baixa Potência e profissionais habilitados para seu uso, sendo uma enorme contribuição tanto para a analgesia quanto para a reparação tecidual.
Desde a implantação do fluxo foram registrados 3656 nascimentos sendo diagnosticados 501 casos de Anquiloglossia. A prevalência portanto, foi de 13, 7% corroborando com que foi publicado por Melo,L et al em 2023 (4). Foram realizadas 110 cirurgias de Frenotomia, utilizando-se o Laser de Baixa Potência imediatamente após, para melhora na dor e reparação tecidual. Os números mostram que 21,9% dos casos diagnosticados foram operados. Os relatos das nutrizes no pós-operatório imediato foram de percepção de melhora na dor e pressão mamilar. Já nos retornos de acompanhamento, os relatos foram de percepção de mamas mais cheias, menos engasgos e irritabilidade dos bebês na hora da realização da pega. Todos os bebês operados seguiram em amamentação exclusiva no momento da alta. A grande maioria dos bebês diagnosticados como moderados, que não realizaram a cirurgia de frenotomia, mas apenas o Manejo do Aleitamento, conseguiram manter-se em aleitamento materno exclusivo sem queixas relatadas pelas nutrizes.
A recomendação com base nas evidências disponíveis é: identificar precocemente a anquiloglossia em recém-nascidos, tendo em vista sua potencial interferência sobre a amamentação. Sendo assim, a implementação deste fluxo é essencial para o bem-estar das famílias e o alcance das metas de saúde pública visto que, é forte a ansiedade da maioria das nutrizes neste início da amamentação e considerando-se, que esta ansiedade é fortemente aumentada quando se deparam com o diagnóstico da Anquiloglossia. A inclusão do Odontopediatra, Especialista em Aleitamento na equipe multidisciplinar foi de fundamental importância para os bons resultados obtidos em nossa instituição, conseguindo manter a adesão ao aleitamento materno exclusivo durante todo o acompanhamento dos binômios.
Aleitamento Materno Exclusivo, Odontopediatria
VERA LÚCIA DOS SANTOS, TANIA DE ABREU BARBOZA GRASSETTI, ANA CRISTINA MEIRA DE VASCONCELLOS