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A presente experiência descreve a reestruturação do fluxo e da estratégia de captação de mulheres de 25 a 64 anos para realização do exame citopatológico na Atenção Básica de Marinópolis/SP. Anteriormente, a busca era feita por meio de lista nominal e visitas domiciliares das Agentes Comunitárias de Saúde, que intermediavam o contato entre serviço e usuárias. Apesar do esforço, a adesão era insuficiente, em parte pela ausência de um instrumento formal que vinculasse as mulheres à importância da periodicidade do rastreamento e do cuidado em saúde sexual e reprodutiva. Com a atualização dos indicadores e componentes de qualidade do cofinanciamento federal da Atenção Básica, a equipe revisitou a Nota Metodológica C7 – Cuidado da Mulher na Prevenção do Câncer, especialmente a boa prática que estabelece a realização de, no mínimo, um exame de rastreamento para câncer do colo do útero em mulheres e homens transgênero de 25 a 64 anos nos últimos 36 meses. A partir do 3º quadrimestre de 2025, instituiu-se o modelo de solicitação prévia do exame para todas as usuárias elegíveis, após avaliação da equipe de enfermagem quanto aos critérios clínicos. A lógica deixou de atender a demanda espontânea e meras buscas ativas e passou a ser um modelo de busca proativa: com a solicitação já registrada, as Agentes Comunitárias realizam visitas domiciliares direcionadas, priorizando mulheres com maior necessidade de acesso e ampliando a efetividade da cobertura.
Reestruturar o fluxo de captação e realização do exame citopatológico na Atenção Básica de Marinópolis/SP, ampliando a cobertura e a adesão das mulheres de 25 a 64 anos ao rastreamento do câncer do colo do útero, além de instituir modelo de busca proativa, com solicitação prévia do exame após avaliação de elegibilidade pela equipe de enfermagem, garantindo maior organização do cuidado, com vistas à qualificação o processo de trabalho das Agentes Comunitárias de Saúde, mediante visitas direcionadas às usuárias prioritárias, como forma de alinhamento da prática assistencial à Nota Metodológica C7 e aos indicadores de qualidade do cofinanciamento federal, assegurando periodicidade adequada do rastreamento, melhoria dos resultados sanitários e fortalecimento do cuidado em saúde sexual e reprodutiva.
A experiência foi desenvolvida no âmbito da Unidade Básica de Saúde de Marinópolis/SP, a partir do 3º quadrimestre de 2025, envolvendo equipe multiprofissional composta por enfermeira, técnicas de enfermagem, Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), coordenação da Atenção Básica e apoio administrativo. Inicialmente, realizou-se reunião técnica para estudo da Nota Metodológica C7 e definição do novo fluxo assistencial. Em seguida, foi feito levantamento nominal das mulheres de 25 a 64 anos cadastradas, com estratificação conforme situação do exame nos últimos 36 meses. A equipe de enfermagem avaliou critérios de elegibilidade e realizou a solicitação prévia do exame citopatológico em sistema, organizando agenda programada. As ACS’s passaram a executar visitas domiciliares direcionadas, com roteiro padronizado de orientação e agendamento, priorizando usuárias com exame em atraso. Foram realizadas reuniões mensais de monitoramento dos indicadores, revisão de metas e ajustes operacionais. O serviço de recepção organizou fluxo específico para acolhimento e confirmação de agendamentos, garantindo maior resolutividade. A metodologia integrou ações clínicas, administrativas e territoriais, articulando Atenção Básica e Vigilância em Saúde, com monitoramento contínuo da cobertura e da periodicidade do rastreamento.
A implantação do modelo de busca proativa resultou em ampliação expressiva da cobertura do exame citopatológico no município. No 2º quadrimestre de 2025, período anterior à reestruturação do fluxo, foram realizadas 22 coletas. Já no 3º quadrimestre de 2025, com a solicitação prévia do exame e visitas domiciliares direcionadas, registraram-se 62 coletas, representando aumento aproximado de 181,82% no número de exames realizados entre os períodos comparados. Além do incremento quantitativo, observou-se maior organização do processo de trabalho, com agenda programada, melhor rastreabilidade das usuárias e redução da dependência exclusiva da demanda espontânea. A atuação das Agentes Comunitárias de Saúde tornou-se mais estratégica, focada em mulheres com exame em atraso, ampliando o acesso de quem mais necessitava. Comparando-se o 3º quadrimestre de 2025 com os meses de janeiro e fevereiro de 2026 (até 13/02/2026), verificou-se crescimento médio mensal de 6,45%, mesmo em período proporcionalmente menor, mantendo tendência de expansão. Os resultados evidenciam maior efetividade da cobertura, alinhamento aos indicadores do cofinanciamento e fortalecimento do cuidado preventivo em saúde sexual e reprodutiva.
A reestruturação do fluxo para realização do exame citopatológico demonstrou que a organização do processo de trabalho, aliada à busca proativa e à solicitação prévia do exame, é determinante para ampliar cobertura e qualificar o cuidado. A mudança de lógica — da demanda espontânea para o planejamento territorial baseado em elegibilidade e monitoramento — fortaleceu o papel estratégico da equipe de enfermagem e das Agentes Comunitárias de Saúde. Os resultados quantitativos expressivos confirmam que intervenções simples, quando sistematizadas e alinhadas a indicadores e boas práticas, produzem impacto direto nos desfechos assistenciais. Observou-se maior vínculo das usuárias com o serviço, melhor rastreabilidade das ações e incremento da responsabilidade sanitária da equipe. Como perspectiva futura, espera-se consolidar o modelo, aperfeiçoar o monitoramento contínuo dos indicadores e ampliar estratégias educativas, garantindo sustentabilidade da cobertura e manutenção da periodicidade adequada do rastreamento, com reflexo positivo na prevenção do câncer do colo do útero no município.
Saúde da Mulher, Exame Citopatológico, Prevenção
MARCELO JUNIOR ORTIZ DAMASCENO DA SILVA