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O Centro Especializado de Reabilitação Dr. Jayme Nogueira Costa (CER II), atende crianças e adolescentes com idades entre 0 e 17 anos e 12 meses incompletos, divididos em duas frentes de serviço: a Estimulação Precoce, que atende crianças de 0 a 3 anos e 11 meses; e a Reabilitação, que atende crianças e adolescentes com idades entre 4 e 17 anos e 11 meses. O serviço possui uma equipe multiprofissional formada por profissionais de neurologia, pediatria, otorrinolaringologia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, enfermagem, fisioterapia e serviço social. São elegíveis para atendimento no CER II / NADEF indivíduos com: deficiência auditiva, deficiência intelectual, transtornos do espectro autista e fenda palatina. Ao fazer um levantamento das principais queixas dos adolescentes que estavam na fila de espera para atendimento de terapia ocupacional e/ou psicologia no CER II / NADEF, foram encontradas semelhanças: a maioria dos adolescentes da lista tinham dificuldades de interação social, de comunicação e de aceitação de regras e limites. A longa fila de espera do serviço fez surgir a oportunidade de iniciar grupos de adolescentes para estimular tais questões, o que levou elaboração de dois grupos, em dias distintos, com critérios de alocação para cada grupo, sendo o principal, o nível de funcionalidade dos adolescentes.
O presente trabalho tem por objetivo identificar as lacunas no desenvolvimento de habilidades sociais dos adolescentes inscritos na fila de espera do serviço, bem como aprimorar tais habilidades por meio da interação social com pares e do aprendizado através do compartilhamento de conhecimento e experiências, tanto por parte dos profissionais quanto dos adolescentes frequentadores do grupo. Além disso, o grupo tem o objetivo de preparar os participantes para a inserção na comunidade e no futuro ambiente de trabalho, aprimorando suas capacidades de relação interpessoal. No que tange os responsáveis pelos participantes, o objetivo é instrumentalizá-los com conhecimento e ferramentas para auxiliar no desenvolvimento dos participantes do grupo de adolescentes, ao mesmo tempo em que se cria um espaço para falar sobre as dificuldades que enfrentam nas relações cotidianas.
Após o levantamento da lista de espera do CER II / NADEF, foram convidados a realizar uma entrevista aqueles indivíduos que possuíam 12 anos completos ou mais. Tal entrevista tinha como finalidade compreender as dificuldades, queixa principal, habilidades dos adolescentes e diagnóstico. Foram convocados para a entrevista um total de 16 adolescentes. Desses, 16 adolescentes aceitaram participar dos grupos, sendo divididos em dois grupos, de acordo com seu nível de funcionalidade. Os grupos são coordenados por um psicólogo e uma terapeuta ocupacional. No primeiro grupo foram alocados 7 adolescentes, que possuíam um menor nível de funcionalidade de autonomia para Atividades Básicas de Vida Diária (ABVD) e/ou Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD). No segundo grupo foram alocados 8 adolescentes, que possuíam um nível maior de autonomia para realizar AIVD e Atividades de Lazer/Sociais. Os grupos foram realizados semanalmente com duração de 1 hora. Foram desenvolvidas integração, estimulação de habilidades sociais, de comunicação, empatia, percepção do outro, resolução de problemas do cotidiano, aceitação de regras e limites, cooperação e ampliação do repertório de atividades. Também são realizadas atividades quinzenais com os responsáveis dos adolescentes, coordenadas por uma assistente social. Tal grupo tem o objetivo de fortalecer o vínculo com as famílias, acolher as demandas e ampliar a compreensão do contexto familiar/social.
Foi possível notar, ao longo do tempo, a construção do vínculo dos adolescentes com os profissionais que conduzem o grupo, assim como entre eles. A assiduidade e comprometimento dos adolescentes é um ponto importante, relatado pelos próprios responsáveis, que notaram o contentamento dos adolescentes nos dias em que o grupo é realizado, afirmando que os participantes solicitam aos pais para não faltarem ou se atrasarem para ir à unidade do CER II / NADEF. Além disso, alguns dos participantes passaram a compartilhar o transporte até a unidade, fortalecendo as relações entre si fora da unidade e estabelecendo vínculos entre os responsáveis. Outro resultado importante é o cumprimento dos acordos feitos em grupo como: manter em sigilo os assuntos abordados dentro do grupo (quando necessário ou solicitado por algum participante), manter o respeito uns com os outros, dialogar de forma respeitosa e manter a cordialidade com os pares. Nota-se também o desenvolvimento das habilidades sociais, como iniciativa de contato, iniciar/manter uma conversa, levantar a mão para pedir a palavra e empatia uns pelos outros. Por fim, há relatos dos responsáveis ainda sobre os comportamentos apresentados em casa, onde afirmam que os adolescentes têm se tornado mais calmos, mais colaborativos e participativos no contexto domiciliar e familiar, assim como aumento da participação em atividades de vida diária em seus domicílios.
A experiência com os grupos de aquisição de habilidades sociais mostrou-se bastante eficiente em sua proposta de espaço de compartilhamento, aprendizagem e desenvolvimento pessoal e relacional. Os adolescentes, além de demonstrarem interesse em participar, também se mostraram capazes de criar e fortalecer vínculos. De forma geral nota-se que a experiência dos adolescentes nos atendimentos em grupo tem sido positiva, assim como para seus responsáveis, que além de utilizarem o espaço do grupo destinado a eles para conversar e compreender seus papéis na relação com os adolescentes, aos poucos tornaram-se mais conscientes das limitações e possibilidades, bem como criaram maior compromisso com o CER II / NADEF, facilitando o tratamento oferecido aos participantes.
adolescência; habilidades sociais; grupo
Naiad Quinhone Pimentel, Lucas dos Santos Lotério, Renata Cheyenne dos Santos Belarmino