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As equipes de Consultório na Rua constituem uma estratégia para favorecer o acesso à saúde à população em situação de rua. A depender da necessidade do usuário, essas equipes atuam junto aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), aos serviços de Urgência e Emergência e a outros pontos de atenção da rede de saúde e intersetorial, sendo a maior interlocução com os serviços da política de Assistência Social. O acolhimento institucional é um dos serviços de Proteção Social Especial de Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Seu principal objetivo é promover o acolhimento de famílias ou indivíduos com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, de forma a garantir sua proteção integral. As Casas de Passagem e Longa Permanência constituem equipamentos da política de Assistência Social, portanto, não oferecem serviços de Saúde, e o Consultório na Rua, enquanto modalidade de serviço de atenção primária à Saúde, no âmbito da Estratégia Saúde da Família, trabalham com o mesmo público-alvo e, devido a isso, possuem grande convívio, visando sempre promover o bem estar e maior autonomia dos usuários/pacientes. Em determinado momento percebemos que começou a chegar uma grande demanda de solicitações que não era função/competência de nossa equipe e, então tivemos a necessidade de pensar em uma estratégia para que todos os fluxos e competências, tanto da equipe de Consultório na Rua quanto de demais equipamentos de Saúde fossem elucidados.
Como a interlocução entre Consultório na Rua e rede de Assistência Social é muito comum, durante reuniões de equipe, identificamos a necessidade de realizar um trabalho de educação permanente com as equipes das Casas de Acolhimento com o objetivo de ouvi-las em relação às principais dificuldades com os serviços de saúde, e, assim, podermos refletir juntos alternativas de melhoria no município de Ribeirão Preto.
Inicialmente foi disparado um e-mail para todas as unidades de Acolhimento Adulto (Casas de Passagem e Longa Permanência) contendo sugestões de datas para as reuniões de matriciamento – Projeto Esperança, Casa Santa Terezinha, Projeto Travessia, Projeto Mudando Vidas, Casa Filhos do Vento e Casa Santa Dulce dos Pobres. Foi realizado um acompanhamento com visitas periódicas por um período de 06 (seis) meses, realizando 01 (uma) reunião a cada mês. A estratégia utilizada foi ir até o equipamento, podendo assim nos apropriando melhor da dinâmica diária do local, conhecer a sua estrutura física e pessoal e após isso ouvir das equipes técnicas as principais angústias e dificuldades encontradas no dia a dia do convívio com a rede de saúde no município de Ribeirão Preto.
Pudemos notar um padrão de dificuldades entre as Casas de Acolhimento e os serviços de Saúde. As principais queixas apresentadas foram as descritas a seguir: problemas com os atendimentos das recepções das Unidades de Saúde; escassez de vagas de acolhimento nos CAPS (principalmente o CAPS AD); dificuldade de comunicação com as equipes das UPAS; dúvidas em relação ao tratamento, isolamento e transmissibilidade da tuberculose; dificuldade de acesso a dados básicos de saúde dos pacientes, como medicações prescritas, agendamentos futuros, comparecimento em consultas etc; além de grande demanda de renovação de receitas dos acolhidos. Estivemos dispostos a acolher e validar as angústias das equipes da Assistência, sanamos as dúvidas que estavam ao nosso alcance, e, após sairmos dos equipamentos buscamos estreitar os laços das equipes da Assistência Social com as equipes dos serviços de Saúde de referência, apresentando os profissionais para que o diálogo pudesse ocorrer de forma mais fluida. Em alguns casos pudemos até mesmo levar profissionais de referência de equipamentos de saúde até as Casas de Acolhimento para que tivessem maior intimidade com a realidade vivida por seus pacientes. Em relação às demandas referentes aos atendimentos com as equipes de Consultório na Rua, foi estabelecido um fluxo com prazo máximo desde a emissão do receituário original para que as médicas de nossas equipes pudessem renovar emergencialmente.
Ao final entendemos como benéfica esta articulação intersetorial, pois, devido ao caráter de nosso trabalho enquanto Consultório na Rua, perpassamos com grande frequência entre as políticas de Assistência e Saúde, sendo, por muitas vezes, o único elo de comunicação entre as equipes. Inicialmente a ideia era 1 reunião pontual em cada Casa de Acolhimento, porém, após experiência resolvemos expandir e realizar, todos os anos, esta escuta qualificada das equipes técnicas dos equipamentos buscando otimizar o atendimento à população em situação vulnerabilizada.
Pessoa em situação de rua, matriciamento
TATIANA MARIA COELHO VELOSO, ADRIANA CRUZ DE LIMA, JULIANA CRISTINA DIAS, MARIA MENEZES FERREIRA