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O Centro de Saúde da Mulher Parnaibana – CSMP – é uma unidade de saúde do município de Santana de Parnaíba especializada no atendimento à gestante de alto risco. Possui em sua equipe 02 ginecologistas/obstetras com especialização em Alto Risco, 02 Médicos USG (Obstétrico/Ginecológico, Doppler Obstétrico, Morfológico, Mamas com PAAF se necessário), 02 Mastologistas, 01 Colposcopista, 02 Fisioterapeutas (Funcional e Uroginecológica), 02 Cirurgiões Dentistas, além da equipe de Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e Assistente Social. Através do atendimento humanizado e escuta qualificada da equipe multidisciplinar do Centro de Saúde da Mulher Parnaibana, foram identificadas demandas das pacientes com depressão, ansiedade, tentativas de suicídio, transtorno afetivo bipolar, dentre outras, durante o pré-natal e puerpério. Essas condições, se não tratadas adequadamente na gestação, podem implicar em quadros mais graves, com risco ao nascituro e ao bebê. Ao analisar estas demandas, o Serviço Social deu visibilidade à importância do atendimento especializado como o realizado pela equipe do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS Alvorecer. Dessa forma, foram articuladas ações conjuntas para atendimento especializado em Saúde Mental para as gestantes de alto risco com relato de sofrimento psíquico e emocional.
Proporcionar às gestantes e puérperas, através da escuta qualificada e do acolhimento pelas equipes multidisciplinares do Centro de Saúde Mulher Parnaibana e da Saúde Mental, o conhecimento sobre questões psíquicas e emocionais que podem trazer prejuízos à sua saúde e impactos à saúde do bebê. Garantir o acesso ao tratamento de saúde mental durante o pré-natal de alto risco e no período puerperal. Diminuir os impactos que as questões psíquicas e emocionais como depressão pós-parto ou psicoses puerperais possam causar no período gestacional e puerperal e no nascimento e desenvolvimento das crianças. Auxiliar na redução da mortalidade materno/fetal.
O acompanhamento das pacientes no Centro de Saúde da Mulher Parnaibana, em conjunto com as equipes de Saúde Mental, iniciou com o compartilhamento de planilha com indicação das gestantes de alto risco que foram identificadas com necessidades de cuidados em relação à saúde mental e dificuldade de aceitação da necessidade de um cuidado especializado. O Serviço Social realizou reuniões com as Coordenações do Serviço Social, Saúde Mental, Psicologia, Diretoria do CAPS e Diretoria do CSMP para apresentar a questão e discutir ações e fluxo de encaminhamento. Após a discussão dos casos e a proposição de intervenções, a equipe do CAPS realizou busca ativa das pacientes. Neste processo, foram identificadas as demandas de cada paciente. As equipes realizaram a sensibilização das pacientes para o tratamento e, através do acolhimento e encaminhamento implicado, foi iniciado, a partir da complexidade das demandas, o acompanhamento no CAPS ou nas equipes de Saúde Mental na Atenção Básica. O Grupo de Gestantes, atividade que ocorre mensalmente no CSMP, passou a contar com a presença de profissionais do CAPS, que informam às gestantes sobre o trabalho realizado pelo serviço de CAPS, sobre a importância do cuidado em Saúde Mental durante a gestação e sobre o empoderamento feminino e outros temas voltados à saúde da mulher.
O serviço é desenvolvido de forma permanente, ou seja, o cuidado especializado em saúde mental foi incorporado no protocolo de atendimento da gestante de alto risco. Percebemos que, a cada encontro, aumentou o número de gestantes que passaram a verbalizar mais sobre suas emoções. Através da tabulação do atendimento realizado pela equipe especializada entre os meses de julho a dezembro de 2023 foi registrado o atendimento a 45 gestantes de alto risco com demandas relacionadas à Saúde Mental, sendo 26 delas com demandas relacionadas à ansiedade, 04 com tentativas de suicídio, 09 com quadro de depressão e 06 com transtorno afetivo bipolar. Através dessa metodologia, todas as pacientes foram sensibilizadas, encaminhadas e acompanhadas pelo CSMP e CAPS Alvorecer, portanto, todas aderiram ao tratamento proposto. Identificamos que houve adesão das pacientes ao atendimento especializado com os profissionais de Psicologia e Psiquiatria também nas unidades básicas de saúde de referência do território, as quais, em função de sua gestação, têm garantia de priorização no agendamento com esses profissionais.
É reconhecido o protagonismo dos profissionais que avaliam o cuidado oferecido por seus serviços e propõem novas e ampliadas formas de cuidado. As ações conjuntas com a Saúde Mental e a presença dos profissionais do CAPS no local em que realizam o pré-natal, proporcionaram às gestantes o acesso ao conhecimento da importância do tratamento em Saúde Mental, rompendo com o preconceito que ainda existe entre parte da população, de que este atendimento é “para pessoas que são loucas“, como muitas pacientes verbalizaram, mas sim que se trata de um cuidado necessário à proteção integral da mulher e do bebê. A percepção dessas pacientes é a de que não podem verbalizar essas emoções pela construção social de que “têm que ser mães exemplares” e a demonstração de sofrimento, nesse sentido, seria considerada uma fragilidade no exercício da maternidade. Ao encontrarem um espaço para falar sobre seu sofrimento sem julgamentos, conseguem aceitar a oferta de cuidado em Saúde Mental durante o pré-natal, após o nascimento do bebê e pelo período necessário. Ao garantir o atendimento humanizado e a escuta qualificada dos profissionais da saúde, o município proporciona saúde integral às gestantes e melhor cuidado aos bebês.
Gestantes de alto risco, intersetorialidade
Liliane Paz de Araújo, Valquiria De Conto, Solange da Silva Rodrigues, Sheila Eugenia de Oliveira Campos dos Santos, Vivian Mayumi Amioka, Natalia de Cassia Alves, Lucia Maria Pissolatti da Silva, Maria Teresa Fantozzi Giorgetti, Maria Silvia de Almeida Mello Freire, José Carlos Misorelli