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O Protocolo Pediasuit consiste em um tratamento intensivo em que os exercícios são realizados associados ao uso de um macacão terapêutico ortopédico designado “Suit”, sendo este desenvolvido em 1972 através de estudos sobre os macacões que os astronautas utilizavam. Nos anos 90, desenvolveu-se na Polônia o primeiro macacão utilizado oficialmente para atendimento em crianças com paralisia cerebral. Somente em 2006, Leonardo de Oliveira desenvolveu o então chamado “Pediasuit”. O objetivo desta vestimenta é de criar um suporte para alinhamento corporal, mantendo o mais próximo possível do funcional, proporcionando através de bandas elásticas ajustáveis, um melhor alinhamento corporal e descarga de peso. O uso do macacão, associado a exercícios de repetição são capazes de desenvolver o que chamamos de plasticidade cerebral: capacidade de desenvolver novas habilidades motoras e funcionais, ou até mesmo reestabelecer alguma habilidade até então perdida. O programa é realizado por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que visam o desenvolvimento motor da criança, reforço muscular, ganho de resistência, flexibilidade, equilíbrio e coordenação. O mesmo é indicado para crianças com diversas patologias, dentre elas: paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento motor, traumatismo crânio-encefálico, AVE, ataxias, autismo, lesões da medula, transtornos vestibulares, síndrome de Down, dentre outras.
O objetivo da implantação do protocolo na rede pública consistiu em conseguir oferecer uma melhor eficácia e o que há de mais completo em tratamento infantil atualmente. Além do mais, qualificar trabalhadores públicos para atendimento na área e oferecer o mesmo principalmente pelo SUS, visto que o município possuía demanda de pacientes que necessitavam realizar o tratamento em cidades da região.
No caso da experiência citada, trata-se de uma menor, A.J.C.T, com diagnóstico de paralisia cerebral, que deu início em seu tratamento aos 9 anos de idade na data descrita. A mesma foi avaliada de acordo com escala de classificação funcional para paralisia cerebral – GMFCS, sendo classificada como Nível 4 de suporte: onde a criança necessita de assistência física ou motorizada para locomoção ( apud Espaço Reabilitar, https://www.espacohabilitar.com.br/blog/sistema-classificacao-paralisia-cerebral/). Foi traçado então um plano de tratamento dentro do protocolo utilizando as vertentes a seguir: – o próprio uso do macacão em si; – trabalho para ganho de força muscular e resistência física: foram utilizados exercícios ativos e passivos, conforme capacidade da menor; – treinamento de equilíbrio e marcha; – treinamento de coordenação motora fina e grossa: essencial para manuseio e realização de atividades de vida diária; As atividades e tarefas traçadas sofriam alterações conforme ganhos e melhorias adquiridos, sendo assim, a cada termino do período intensivo e inicio da manutenção realizava-se novamente uma avaliação para que o novo protocolo supra as maiores necessidades e demandas. Todo este processo se mantem até os dias atuais, pois a menor ainda se encontra em tratamento, visto que dentro do Pediasuit não existe uma previsão certa de alta de tratamento, dependendo esta das necessidades e limitações ainda evidentes.
A partir da implantação do método em 2019, a menor A.J.C.T, apresentou grande melhora e evolução no seu quadro. Sua classificação inicial de funcionalidade dentro da paralisia cerebral, era nível 4, sendo atualmente sua classificação nível 2: criança caminha na maioria dos ambientes sem auxilio e é capaz de subir e descer escadas mesmo que com dificuldade de equilíbrio ( apud Espaço Reabilitar, https://www.espacohabilitar.com.br/blog/sistema-classificacao-paralisia-cerebral/). Isso simboliza um grande avanço para seu ganho de funcionalidade e independência. Deve se levar em conta ainda que após iniciado o projeto em 2019, logo na metade do ano seguinte se deu inicio a pandemia do Covid-19, onde por questões de assegurar a saúde da menor o tratamento permaneceu um período pausado. Visto que mesmo dentre as dificuldades de execução e ausência de tratamento os resultados foram de grande valia e consideração.
Com o presente estudo pôde se observar o benefício que este Protocolo Intensivo, Pediasuit, trouxe para a rede publica, visto que anteriormente havia necessidade de custear este tratamento em instituições privadas. Além do grande avanço no quadro clinico da menor que ate hoje usufrui deste tratamento, é possível também oferecer o mesmo para demais crianças que forem encaminhadas posteriormente, demonstrando assim um grande passo e avanço de terapia que foi proporcionado pela primeira prefeitura a adquirir o método, sendo esta a Prefeitura Municipal de Viradouro.
Pediasuit, SUS, Prefeitura Municipal de Viradouro.
DEBORA REGINA CERANTOLA BELUZO