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A sífilis congênita (SC) é considerada um problema de saúde pública mundial visto sua alta incidência e as consequências para o aumento da mortalidade infantil, graves complicações de saúde das crianças e seus impactos sociais e econômicos. Desde 2021, o Ministério da Saúde (MS) em consonância com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde estabeleceu no país o processo de certificação para a eliminação da transmissão vertical da sífilis para estados e municípios visando a redução do coeficiente de incidência de SC. Dentro desse contexto, a implementação de comitê de investigação para a prevenção da transmissão vertical da sífilis é condição obrigatória para os municípios solicitarem o reconhecimento ministerial das boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical. Visto a magnitude da cidade de São Paulo, o município conta com 6 comitês regionais de investigação de transmissão vertical (CRITV), um por cada coordenadoria regional de saúde, com intuito de contribuir para reflexão e melhorias no processo de gestão, assistência e prevenção da SC levando em consideração as especificidades de cada região. Frente ao desafio para identificação das principais inconformidades que contribuem para os casos de SC em todo o município e ao mesmo tempo os problemas locais, fez-se necessário a criação de ferramenta digital para o registro das investigações realizadas pelos comitês regionais.
Analisar as investigações de SC realizadas pelos comitês regionais de investigação Objetivos específicos: 1.Identificar a cobertura de investigação dos casos de SC no município; 2.Caracterizar o pré-natal das mulheres que tiveram filhos com SC; 3.Identificar as principais inconformidades dos serviços e da gestão para a não prevenção do caso de SC.
A ferramenta digital para o registro das investigações realizadas pelos comitês regionais, denominada ficha síntese, foi construída com as 6 regiões da cidade tendo como base o “Guia de comitês de investigação da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites B e C” do MS. Seu uso possibilitou a padronização do registro das investigações realizadas pelos CRITV.A ferramenta composta é composta por 37 itens, dentre eles: região de residência do caso, a modalidade da unidade básica de saúde , serviço público ou suplementar, idade gestacional no início do pré-natal, número de consultas de pré-natal realizadas, tratamento realizado para a gestante e suas parcerias sexuais, o número do SINAN ,evolução do caso, tipo de tratamento realizado na maternidade para o recém-nascido, presença de vulnerabilidades individuais e sociais, problemas no serviço e ou gestão, eixo que mais contribuiu para o desfecho SC, assim como medidas ou ações implementadas após a conclusão do caso. Esta ferramenta digital possibilitou a produção de banco de dados online com as informações principais das investigações dos casos de SC do município. Realizou-se o cruzamento do banco SINAN de SC de residentes em São Paulo, com ano de diagnóstico 2024 e o banco da ficha síntese de investigação 2024 para a identificação da cobertura de investigação dos casos de SC no município.
Até o momento, o município soma 675 casos de SC no ano diagnóstico de 2024, destes 121 tiveram desfechos desfavoráveis. Foram digitadas na ficha síntese 413 investigações, computando 61,2% dos casos de SC investigados, cumprindo a meta de cobertura de investigações pelo MS (50%). A cobertura de investigações dos desfechos desfavoráveis (óbito, aborto, natimorto) por Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) é variável, a CRS Centro investigou 100% dos casos, seguido pela Sul e Leste com 88,4% e 80% dos casos respectivamente. Em relação a realização do pré-natal das gestantes com filhos com SC, 73,4% realizaram pré-natal na rede pública, 6,5% na rede privada, 19,1% não realizou pré-natal. A maioria, 55,2%, iniciou o pré-natal no 1° trimestre gestacional e 43,8% tiveram 6 consultas ou mais de pré-natal. Quanto ao modelo assistencial da unidade básica de saúde da gestante 64,6% é identificada como estratégia saúde da família, 19,9% modelo tradicional, 12,3% mista. Das parcerias sexuais, 33,7% foram contactadas para realização de tratamento presuntivo, porém apenas 19,6% foram tratadas. As principais fragilidades apontadas para os serviços de pré-natal foram: a não vinculação da UBS com a gestante em 16,2% dos casos, o diagnóstico tardio da infecção e o não acompanhamento sorológico da gestante durante o pré-natal em 15,7% e 15% dos casos. Para a gestão destaca-se a falta de acesso à informação dos serviços privados e a discrepância entre resultados de VDRL dos laboratórios da rede.
A implementação de uma ferramenta digital para o registro das investigações dos casos de SC na cidade de São Paulo é um avanço para as gestões locais e central implementando o reconhecimento dos principais nós críticos existentes na rede de atenção materno-infantil, na medida em que possibilita o cálculo da cobertura de casos de SC investigados, caracteriza o pré-natal das gestantes que tiveram filhos com SC e identifica as principais fragilidades a serem enfrentadas nas diferentes regiões para o alcance da eliminação da transmissão vertical da sífilis. Em relação ao eixo dominante para o desfecho SC, em 67,8 % dos casos a vulnerabilidade individual e social foi apontada como fator principal, destacando: família ou pessoa de baixa renda (15,7%), ausência de responsabilidade paterna (12,9%), uso de drogas lícitas ou ilícitas (11%), gestação avançada (11%) e baixa escolaridade (9,6%). Este instrumento apresenta grande diversidade de nichos a serem abordados de forma sistematizada e integrada com o território. A devolução da análise para a rede e todos os envolvidos na gestão, assistência e vigilância de forma sistematizada deve fomentar aprofundamento para que as mudanças possam ocorrer de forma participativa e robusta.
Saúde Pública, Mortalidade Infantil e Prevenção.
ALINE MACIEL VIEIRA LIMA, HELENA MIEKO PANDOLFI, THEMIS MIZERKOWISKI TORRES, LEIDE IRISLAYNE MACENA ARAUJO, MATHEUS SCHIMIDT GOMES DE OLIVEIRA