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O grupo Jogos e Brincadeiras é uma atividade semanal presente na grade de serviços ofertados pelo CAPS Infanto-Juvenil no município de Diadema, estado de São Paulo. Com encontros às terças-feiras, das 9h30 às 11h. Existente há 01 ano e coordenado pelas equipes multiprofissional e enfermagem, atendendo crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, em situação de sofrimento mental severo ou persistente, incluindo as que vivem em vulnerabilidades sociais e em acolhimento institucional. A proposta é fazer o resgate ao direito básico de brincar, como afirma o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), presente na Lei nº 8.069/1990, onde destaca a importância que o simples ato de brincar pode impactar positivamente no seu desenvolvimento psicossocial. Muitas crianças perdem esse direito ao assumirem responsabilidades precocemente ou enfrentarem traumas que interferem na sua formação, impedindo-as de terem uma infância saudável. Além do brincar, a atividade desenvolve aspectos sociais, promovendo interações entre participantes por meio de jogos que estimulam coordenação motora, cognição e aprendizado. Alguns integrantes comparecem ao CAPS por meio de transporte disponibilizado em articulação com a rede, fortalecendo a intersetorialidade entre CAPS e os demais dispositivos da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial). Com isso, a experiência se mostra exitosa, fortalecendo o propósito do CAPS como espaço de acolhimento e promoção da saúde mental infanto-juvenil.
Objetivo geral: ●Promover a saúde mental e o resgate da infância de crianças e adolescentes atendidos no CAPS Infanto-Juvenil de Diadema/SP, a partir de jogos e brincadeiras como instrumento de desenvolvimento psicossocial. Objetivos específicos: ●Estimular o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social por meio de práticas corporais com pequenos e grandes jogos; ●Proporcionar interação e socialização entre crianças e adolescentes; ●Fortalecer a articulação intersetorial entre o CAPS e a Rede de Atenção Psicossocial;
O grupo acontece semanalmente, com duração de 1h30 podendo chegar a 2 horas, utilizando os espaços de convivência e a quadra do CAPS Infanto-Juvenil. As atividades são planejadas conforme as necessidades e apontamentos dos casos de cada criança/adolescente. A participação é garantida por encaminhamentos dos profissionais, priorizando brincadeiras tradicionais, jogos cooperativos, práticas corporais e dinâmicas criativas, como circuitos de agilidade e coordenação. As atividades são organizadas em três momentos: acolhimento, brincadeiras principais e encerramento. No acolhimento, é repassada a proposta do dia, com alongamentos dinâmicos. No momento principal, ocorrem brincadeiras que estimulam o movimento corporal e o trabalho em equipe, como esperar a vez, respeitar limites e entender as particularidades de cada participante. As atividades são flexíveis, podendo ser adaptadas para promover adesão e evitar evasão. As brincadeiras incluem jogos com corda, bexigas, danças e corridas. O encerramento envolve dinâmicas de volta a calma e a organização dos espaços e objetos utilizados. Existe uma articulação constante com a rede: o transporte para participantes que necessitam é feito por uma van institucional, conforme planejamento prévio e diálogo contínuo com os profissionais responsáveis. Permitindo que o grupo também atue como estratégia de cuidado longitudinal, promovendo o protagonismo dos sujeitos e fortalecendo sua adesão ao tratamento.
Como resultados observados ao longo da experiência, considerando relatos de familiares, evoluções de prontuários e avaliações dos profissionais de referência, é válido afirmar que crianças e adolescentes que inicialmente demonstravam dificuldades de interação, passaram a socializar mais. A resistência para participar das atividades reduziu, possibilitando maior aderência às vindas ao serviço semanalmente. Além disso, a motivação, o interesse em brincar e o entendimento do mesmo como um direito aumentou em relação aos encontros iniciais. É relevante também destacar a autonomia que muitos desenvolvem com o tempo. Alguns chegam a sugerir brincadeiras para o grupo, fortalecendo o sentimento de pertencimento e permitindo que sejam coautores do processo, enxergando o grupo como potencializador do protagonismo em sua saúde mental. Em vista disso, considera-se igualmente relevante a percepção dos profissionais e familiares sobre as crianças e adolescentes, que demonstram interesse e vontade em estar no grupo, reconhecendo-o como um espaço acolhedor e seguro, onde são capazes de vivenciar a infância. Dessa forma, pretende-se prolongar o cuidado psicossocial a partir da preservação do direito fundamental de brincar.
Utilizado como uma ferramenta de oferta de cuidado integralizado e contínuo, o grupo Jogos e Brincadeiras confirma o comprometimento do CAPS Infanto-Juvenil na assistência e promoção da saúde mental através do engajamento de práticas que preservem o direito de brincar. Essa experiência possibilita a óptica em cima da relevância das práticas corporais e atividades lúdicas no cuidado e atenção ao sofrimento psíquico. Entendendo a singularidade dos sujeitos, as questões socioeconômicas e utilização de espaços de ambiência, se consolida como um grupo que vem apresentando resultados positivos significativos. A execução dos momentos acontecendo a partir de espaços que promovem acolhimento, tecnologias e instrumentos de baixo custo, manutenção e ajustes no planejamento de acordo com as necessidades, mesmo que pontuais, permitem a evidência que um grupo com o simples propósito em brincar, se mostra resolutivo como uma potente oferta terapêutica. Portanto, conclui-se que o brincar, além de um direito, é resolutivo e exitoso dentro de um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil, demonstrando alinhamento aos princípios do SUS e às diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental.
brincadeiras, saúde mental, infância
ADAO KENNEDE SILVA VIEIRA, ANGELA MARIA GONCALVES DE OLIVEIRA, ANALDECI MOREIRA DOS SANTOS