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A obesidade é uma doença crônica de alta prevalência no Brasil e traz diversas comorbidades associada à sobrecarga dos serviços públicos de saúde. A cirurgia Bariátrica é um tratamento eficaz que visa reduzir os efeitos da obesidade. No entanto, pessoas do gênero feminino com sobrepeso enfrentam dificuldades relacionados às construções sociais de gênero, que impõem padrões estéticos e reforçam estigmas sobre o corpo feminino gerando sentimentos de desvalorização, episódios depressivos, ansiedade etc. Neste contexto, justifica-se a criação de uma estrutura grupal multiprofissional na interface psicologia e nutrição, fundamentada na escuta qualificada e na clínica ampliada, com o objetivo de fortalecer a autonomia das usuárias, promover reflexão crítica sobre suas motivações para o procedimento e ampliar o cuidado em saúde de forma integral por meio da escuta qualificada de cada experiência trazida pelas mulheres em relação ao seu corpo. Reforçando a autonomia e o protagonismo da usuária em seu próprio processo de saúde. As profissionais agiram de forma horizontalizada, servindo de facilitadoras do processo de reflexão. Portanto, o espaço eleito pelas profissionais como adequado para o processo foi o trabalho grupal, pois fortalece os laços sociais despertando potencialidades antes invisibilizadas, rompendo com o isolamento causado por estigmas sociais, construindo uma saúde comunitária. O grupo foi realizado no prédio da eMulti com mulheres acima de 18 anos.
Promover atendimento multiprofissional qualificado a fim de fortalecer a autonomia e o cuidado das usuárias para avaliação de cirurgia pré-bariátrica.
Os grupos foram organizados em quatro encontros e planejados e conduzidos pela psicóloga Mariana Martelli e nutricionista Jorgina Sobral integrantes da eMulti, com frequência mensal e duração de 2 horas cada. O coletivo era composto por no máximo 06 mulheres todas acima de 18 anos. A metodologia utilizada foi a de roda, a fim de permitir problematizações e dialogicidade. Os encontros foram divididos por temas: no primeiro encontro as participantes apresentavam-se, construía-se um contato grupal e por meio da técnica “varal de vivências” compartilhou-se dúvidas, medos e angústias em relação à cirurgia bariátrica. No segundo, leu-se a história “Vazio” de Ana Lenas com intuito de superar a separação corpo-mente e apontar a integração dos aspectos psicológicos na alimentação. No terceiro encontro, a leitura da tabela nutricional foi utilizada como estratégia educativa, promovendo compreensão e autonomia nas escolhas alimentares e no quarto e último encontro foram discutidos estereótipos de gênero e uma oficina de cartas de amor autodirecionadas para estimular o autocuidado. Até o momento foram finalizados 02 grupos com essa proposta.
Observou-se redução da fila de espera e maior celeridade aos atendimentos para cirurgia bariátrica. Houve fortalecimento da autonomia das usuárias no processo decisório além do aumento da autoestima das usuárias. A proposta também possibilitou a aplicação prática dos princípios da clínica ampliada e do cuidado integral.
A experiência evidenciou a importância de um SUS pautado na escuta qualificada, no vínculo e na abordagem integral. O espaço grupal mostrou potencial para a construção de autonomia, para o enfrentamento de estigmas sociais e para o fortalecimento do autocuidado e cuidado compartilhado. Como perspectiva futura, destaca-se a necessidade de continuidade e ampliação da proposta, consolidando práticas que integrem dimensões biológicas, psicológicas e sociais no cuidado às mulheres em processo pré-bariátrico.
Obesidade, estigma, vínculo.
LARISSA GALINDO CASÇÃO DAS FLORES, AMANDA DE ARAÚJO FONTES, MARIANA DOS ANJOS TALAVERA MARTELLI