Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A partir da reforma psiquiátrica, a saúde mental vem sendo construída na perspectiva da reabilitação psicossocial com a clínica ampliada, na ideia da expansão do setting terapêutico, compreendendo como objetivo final à inclusão social por meio do protagonismo dos usuários, a ampliação de redes e de vínculos dos sujeitos com sofrimento psíquico. Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) se apresentam como um espaço de saúde potente a fim de proporcionar essas diretrizes. Para além disso, a reabilitação psicossocial vai se constituindo com serviços de bases territoriais que vão entendendo a saúde mental também enquanto acesso aos direitos, participação social e cultural, fortalecendo formas de encontro e de convivência. A partir dessa perspectiva, um CAPS infantojuvenil no Centro de São Paulo, deparou-se com a necessidade de construir um grupo de adolescentes que buscasse a produção de vida a partir da ocupação dos espaços territoriais, tendo em vista que as ações extramuros e coletivas são fundamentais no cuidado em Saúde Mental. Assim, em agosto de 2022, iniciou-se o grupo denominado “Grupo de Saída” e posteriormente renomeado para “Jumanji” pelos adolescentes participantes.
Criar um espaço de fortalecimento dos adolescentes durante o processo de construção de autonomia, apresentando os espaços culturais do território como mediadores para a noção de pertencimento e o estímulo às relações interpessoais, compreendendo o caráter de vulnerabilidade social e/ou dificuldade no processo de socialização apresentados pelos adolescentes. Proporcionar visitação de espaços que resgatem narrativas plurais de existência da população brasileira, ampliando o repertório sócio-histórico dos participantes e o respeito dos diferentes modos de ser e estar no mundo.
O grupo acontece semanalmente, todas às sextas-feiras, no período da tarde, com oito usuários de 15 a 18 anos sob a proposta de preparar alicerces necessários para a vida adulta. São realizadas parcerias prévias com alguns espaços culturais, bem como visitas em locais, onde não necessitam agendamento anterior. Em determinados dias, o grupo faz uso do transporte disponível no CAPS infantojuvenil, e em outros momentos, utiliza-se o transporte público compreendendo da importância do saber circular pela cidade por parte dos adolescentes. Para além das saídas, o grupo também realiza rodas de conversa sobre algumas temáticas que os adolescentes trazem como necessárias. Desde o início do grupo, foram visitados: Museo Catavento, Petra Belas Artes, Museu da Língua Portuguesa, Museu do Ipiranga, CCBB, Casa da Dona Yaya, Museu das Culturas Indígenas, Casa Guilherme, Pinacoteca, Museu Afro Brasil, Museu do Futebol, Itaú Cultural, Museu das Favelas, Japan House, Museu de Zoologia, Casa das Rosas, MASP, SESC Paulista, Centro Cultural Vergueiro, Parque da Água Branca, Museu da Resistência, SESC Belenzinho, Centro Cultural da Coreia, visita a Arena Corinthians, assistir um jogo na NeoQuímica, parceria coma São Paulo Companhia de Dança, entre outros.
Em dois anos e meio, 45 adolescentes tiveram como proposta terapêutica a inclusão neste grupo. Desses, 34% seguem em acompanhamento na unidade; 28% tiveram alta do CAPS infantojuvenil sem indicação de inserção em CAPS adulto, devido a melhora do quadro de saúde mental; 20% receberam novas propostas terapêuticas, entendendo que alcançaram os objetivos propostos; 10% foram encaminhados para o CAPS Adulto, após a maioridade e 8% não deram continuidade no acompanhamento. A partir das vivências com o grupo, os técnicos que o realiza observaram o quanto o contato com a arte e cultura pode proporcionar aos jovens a ampliação de seus repertórios de vida, na medida em que esses adolescentes passam a se apropriar dos recursos e dos cenários do Centro da cidade e com isso, reescreverem suas histórias a partir de novas perspectivas de futuro.
Consideramos que o grupo revela as potencias dos encontros e o pertencimento no território como ferramenta de cuidado, entende-se que esse espaço se constrói como importante no cuidado dos adolescentes atendidos na região central.
Grupo Terapêutico, Atividades Externas, SUS
BÁRBARA FERNANDA CAVALEIRO JUSTINO DA SILVA, MARY AUGUSTA NARDES DE OLIVEIRA, TAMIRIS PICHIRILO RODRIGUES