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Um sistema de atenção à saúde que procura melhorar a atenção às condições crônicas deve estar preparado para mudanças na organização e para poder implementá-las por processos de gestão de mudanças (Vilaça, 2012), e em consideração a essa importante colocação e frente aos desafios impostos pelo acompanhamento dos pacientes portadores de condições crônicas de saúde, o município de Ubatuba, como o apoio e parceria da DRS XVII-Taubaté, decidiram implementar o LACC – Laboratório de Atenção às Condições Crônicas de Saúde. Para tanto, considerou-se que a estratificação da população por riscos é um elemento fundamental no modelo de atenção às condições crônicas ao dividir uma população total em diferentes tipos de subpopulações, segundo os riscos singulares, uma vez que a “não estratificação ” de uma população ocasiona a suboferta de cuidados necessários a portadores de maiores riscos e/ou a sobreoferta de cuidados desnecessários a portadores de condições de menores riscos produzindo, por consequência, uma atenção deficitária, ineficiente e dispendiosa. Em suma: para se obter êxito frente ao cuidado dispensado aos pacientes crônicos do município, é necessário a implementação de estratégias que priorizem esse público e o LACC é a ferramenta adequada à realização dessas mudanças, através de oficinas direcionadas e capacitação das equipes piloto, para posterior planificação a todas as equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) do município de Ubatuba.
Capacitar duas equipes piloto por 12 meses para o acolhimento, cuidado, direcionamento e acompanhamento dos pacientes portadores de condições crônicas de saúde: Diabéticos, Hipertensos, Gestantes e Puérpera, Idoso e Puericultura. Proporcionar o envolvimento intersetorial a fim de integrar as secretarias no acompanhamento desses pacientes.
Realizamos inicialmente uma reunião da Atenção Básica (AB), NEPS e articuladora da DRS XVII Denise Mendes para a definição das unidades piloto, onde consideramos que as mesmas deveriam possuir supervisão de gerentes, equipe mínima composta, equipe de saúde bucal, menor número de microáreas descobertas e participação ds equipes de E-Multi. Realizamos reunião com o presidente da Câmara de Vereadores para explanar o projeto e informar o caráter intersetorial do mesmo. As oficinas mensais aconteceram na Câmara Municipal, considerando a localização e contando com a participação das equipes completas, incluindo o pessoal da higienização e administrativo, com antecedência, o secretário de saúde realizava mensalmente a formalização do convite aos atores intersetoriais (Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, FUNDART, Assistência Social, Comitê da Primeiríssima Infância, Representantes do Ambulatório de Saúde da Mulher, Santa Casa e demais parceiros locais). Após a conclusão do LACC, inicia-se a planificação dos conceitos para toda a APS do municipio.
As oficinas trouxeram assuntos diversificados, ajudando os participantes a desenvolverem o olhar macro, meso e micro da perspectiva do cuidado, alinhando os discursos frente ao acolhimento ao paciente e a condução do cuidado aos pacientes portadores de condições crônicas de saúde, inclusive com uso do Retinógrafo e monitoramento de níveis glicêmicos nos participantes As metodologias ativas de aprendizagem foram cruciais no empoderamento das equipes sobre a dimensão de suas microáreas, o perfil de sues moradores, confecção do mapa inteligente, Avaliação Multidimensional do Idoso, Uso da escala de Coelho para a estratificação do perfil do território, Projeto Terapêutico Singular e Autocuidado apoiado. Em Oficina específica houve a análise, discussão e compreensão da Política Nacional de Atenção Básica -PNAB 2017 – com resultados em forma de intensas e proveitosas discussões. A melhora na autoestima e o sentimento de valorização entre os participantes foi notória, expandindo o conceito de universalidade, integralidade e equidade do nosso SUS. Houve visita da gestão, NEPS e articuladora da DRS XVII junto às unidades piloto, com apontamentos de melhorias, identificação de fragilidades e potencialidades. O ano novo (2024) já iniciou com a planificação do LACC para todas as unidades de ESF.
A realização do LACC foi um imenso ganho ao município, foi um ano intenso de enriquecimento sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), os encontros sempre muito ricos de informação e aprendizado também disponibilizaram uma atmosfera de interatividade e integração entre os participantes e a rede intersetorial, fazendo com que os mesmos planejassem com antecedência e com entusiamo pois eram momentos de “aprender sobre o trabalho sem estar em ambiente de trabalho”. O encerramento do LACC foi construído através da verbalização dos participantes sobre as suas impressões e sobre as suas perspectivas de planificação para as demais equipes do município, todos os participantes receberam certificação e foi um encerramento muito elaborado, dinâmico e especial. Como potencialidades, identificamos o caráter transformador da realidade da saúde pública no nosso município, e a realidade transforma-se a partir do envolvimento dos atores envolvidos, sobretudo os que atuam dentro de seus territórios, junto com sua população adscrita. Como fragilidades, trazemos a inconsistência de alguns atores intersetoriais, que não acompanharam o processo do LACC ao longo do ano e devido ao pouco envolvimento, mantiveram-se sem compreender o SUS e seus principios.
LACC , MACC, Planificação, APS, Intersetorialidade
MARIA OLIVIA PIMENTEL SAMERSLA, Denise Mendes Ribeiro, Amalia Rocha Barros Vieira, Sergio Vogel, Arieli de Oliveira Pereira Souza, Jéssica Silva Castilho dos Santos Maximiano