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O Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso Manuel de Paiva, em Guarulhos/SP, atende exclusivamente pelo SUS, oferecendo serviços de urgência e emergência a aproximadamente 500 mil habitantes. Fundado em 2006, o hospital conta com 144 leitos, divididos entre Clínicos, Cirúrgicos, UTIs e Obstétricos. Apesar de sua importância regional, enfrenta desafios como superlotação no pronto-socorro, resistência à mudança de cultura organizacional e necessidade de aprimorar processos de gestão. Essas questões impactam negativamente a qualidade do atendimento, elevando tempos de espera e gerando insatisfação entre os pacientes. Para enfrentar essas barreiras, foi implementado o Projeto Lean nas Emergências, focado na otimização dos fluxos de pacientes e na redução de desperdícios. A metodologia Lean, originalmente aplicada na indústria, foi adaptada ao contexto hospitalar para aumentar a eficiência e melhorar os resultados assistenciais. A adoção do Lean se justifica pela necessidade urgente de transformar o pronto-socorro em um ambiente mais ágil, seguro e centrado no paciente, em consonância com as diretrizes do SUS e as expectativas da comunidade. Com ênfase na eliminação de desperdícios e na promoção de uma cultura de melhoria contínua, o projeto busca responder às demandas de forma eficaz e sustentável, beneficiando pacientes e profissionais de saúde.
O objetivo do Projeto Lean nas Emergências é otimizar os processos do pronto-socorro do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso, focando na redução do tempo de permanência dos pacientes, na melhoria da gestão de leitos e no aumento da capacidade de atendimento. Busca-se diminuir significativamente os indicadores de superlotação, como o NEDOCS cuja tradução é (Escala Nacional de Superlotação de Emergências), e reduzir os tempos médios de permanência tanto para pacientes com e sem internação. O projeto também visa fortalecer a comunicação entre as equipes assistenciais, aumentar a autonomia dos Núcleos Internos de Regulação (NIR) e fomentar uma cultura de melhoria contínua, centrada na eficiência e qualidade do atendimento ao paciente. Com essas ações, espera-se criar um ambiente hospitalar mais ágil e eficiente, capaz de responder adequadamente às necessidades da população atendida e promover um cuidado mais seguro e centrado no paciente.
A execução do Projeto Lean nas Emergências envolveu uma abordagem sistemática para identificar e eliminar desperdícios no pronto-socorro do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso. Inicialmente, foram utilizadas ferramentas de análise como o Mapa de Fluxo de Valor (VSM) e o Diagrama Espaguete para mapear os fluxos de pacientes e identificar gargalos que contribuíam para a superlotação. Com base nos resultados, foram implementadas diversas ferramentas Lean: o Kanban, para organizar e priorizar tarefas; o Huddle diário, que melhorou a comunicação e o alinhamento entre as equipes; e o 5S, para promover a organização e limpeza dos ambientes. A função do Fluxista foi introduzida para otimizar o fluxo de pacientes, enquanto a Sala de Alta facilitou a liberação rápida de leitos. Além disso, foram criadas Unidades de Decisão Clínica (UDCs) para acelerar as decisões médicas, e o Fast-Track, que permitiu o atendimento ágil de casos menos complexos. O Plano de Capacidade Plena (PCP) foi utilizado para otimizar a alocação dos pacientes. A metodologia incluiu a capacitação contínua das lideranças e equipes assistenciais para superar a resistência à mudança e consolidar uma cultura de melhoria contínua e eficiência. Recursos técnicos, tecnológicos e humanos foram mobilizados, incluindo treinamentos, reestruturação de processos e a utilização de indicadores para monitorar o progresso das ações.
A implementação das ferramentas Lean nas emergências do hospital resultou em melhorias significativas nos indicadores do pronto-socorro. Houve uma redução de 38% no índice NEDOCS, indicando menor superlotação. O tempo médio de permanência (LOS) para pacientes sem internação foi reduzido em 25%, e para aqueles com internação, a redução foi de 6%. No geral, o tempo médio no pronto-socorro caiu 16%. Além dos ganhos quantitativos, houve avanços qualitativos, como a melhoria na comunicação entre equipes assistenciais, fortalecimento da autonomia do Núcleo Interno de Regulação (NIR) e otimização do tempo de passagem dos pacientes. A rotatividade de leitos aumentou, contribuindo para uma redução na taxa de mortalidade na emergência e maior agilidade na solicitação e entrega de exames. O Huddle diário destacou-se como a ferramenta mais eficaz, priorizando a emergência e promovendo colaboração e foco na resolução de problemas, consolidando uma nova dinâmica de eficiência alinhada às necessidades do hospital e da comunidade.
A implementação do Projeto Lean nas Emergências demonstrou a eficácia da metodologia Lean na superação de problemas de superlotação e eficiência operacional. A abordagem sistemática, com uso de ferramentas de análise e princípios de melhoria contínua, trouxe mudanças significativas nos processos de atendimento e na cultura organizacional. A experiência destacou a importância do comprometimento das lideranças e do engajamento das equipes para o sucesso do projeto. Recomenda-se expandir o uso das ferramentas Lean para outras áreas críticas do hospital e manter um monitoramento constante dos indicadores de desempenho para assegurar a sustentabilidade das melhorias alcançadas. Além disso, a formação contínua das equipes nas práticas Lean é crucial para reforçar a cultura de inovação e melhoria contínua. Este enfoque permitirá que o hospital continue evoluindo e se adaptando às demandas, promovendo um atendimento mais eficiente e de qualidade elevada.
Lean nas Emergências Eficiência Melhoria Contínua
ADALBERTO PEREIRA, MARTINO JOSÉ PIATTO, CLEBIS VALTER FERREIRA RODRIGUES, AURORA MARIA CÉSAR MIRANDA