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A aproximação com uso de tecnologias é uma necessidade crescente na sociedade atual. Atentos a essa demanda, o Movimento Popular em Saúde (MOPS) propôs ao Departamento de Saúde (DS) da prefeitura de Campinas, por meio da área técnica de Saúde Mental, um treinamento voltado para trabalhadores e usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município de Campinas/SP, batizado de Projeto Quero Entrar na Rede, cujo objetivo era o aperfeiçoamento e desenvolvimento de novas habilidades relacionadas ao uso de ferramentas digitais. Cabe ainda contextualizar a importância da iniciativa, visto que o município conta, atualmente, com 14 serviços CAPS e promover uma ação de letramento digital para um público tão específico tornou-se um importante desafio para a equipe do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital (DEPS), representado pelas coordenadorias técnico-pedagógica e de saúde digital. O conceito de letramento digital, vai além do domínio técnico de ferramentas digitais, pois envolve a capacidade crítica de interpretar, produzir e analisar conteúdos de forma ética e reflexiva, compreendendo os impactos sociais e políticos do uso das tecnologias, contribuindo com a formação técnica e, sobretudo, cidadã do indivíduo.
Promover um curso voltado para o letramento digital de usuários e trabalhadores dos serviços CAPS, visando o aprimoramento dos conhecimentos existentes, a obtenção de novos conhecimentos e, sobretudo, a inclusão digital, como forma de fortalecer o exercício pleno da cidadania e o acesso ao território e seus recursos, em suas dimensões geográficas e virtuais. Compreender como iniciativas de capacitação digital podem contribuir para a redução das desigualdades tecnológicas, a promoção da autonomia dos indivíduos e a melhoria da qualidade de vida, nos âmbitos pessoal e profissional.
Constituiu-se um grupo de trabalho interdepartamental, envolvendo profissionais do DS e das coordenadorias técnico-pedagógica e de saúde digital, integrantes do DEPS, com o objetivo de elaborar o conteúdo programático a partir da demanda proposta pelo MOPS. O curso abordou a evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), noções básicas de utilização de equipamentos e ferramentas digitais, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o uso do portal GOV.BR, a participação em redes sociais e conferências de saúde online, além de temas como saúde digital, teleatendimento e aplicações práticas de Inteligência Artificial (IA) no cotidiano, buscando-se fortalecer o uso ético e seguro da internet, além de capacitar os participantes para a utilização de tecnologias que otimizam rotinas tanto pessoais, quanto profissionais. Realizado na modalidade híbrida, a 1° fase do curso combinou encontros presenciais e a distância, utilizando como estratégia metodológica as rodas de conversas para exposição e problematização dos temas abordados, seguidas dos treinamentos em laboratório de informática. A estrutura do curso foi planejada para garantir ampla participação, com encontros presenciais oferecidos em diferentes períodos. O público-alvo foi composto por duplas trabalhadores-usuários dos CAPS Adulto, Álcool e Drogas, e Infanto-Juvenil, com foco em multiplicadores para dentro dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Campinas.
Foram realizados três encontros presenciais entre maio e outubro de 2024 e o último encontro realizado em novembro, na modalidade à distância, totalizando 20 horas de carga horária. A metodologia proposta, com destaque para os debates promovidos durante os treinamentos práticos para discussão dos temas apresentados, foi amplamente elogiada pelos participantes, que relataram satisfação com a abordagem dinâmica e participativa. A equipe também expressou contentamento com o engajamento dos alunos e com os resultados alcançados. A primeira fase contou com a participação de 15 usuários(as) e 41 trabalhadores(as), representando 12 CAPS que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município. A equipe responsável pelo curso observou uma evolução significativa dos participantes, tanto no domínio das ferramentas digitais quanto na compreensão crítica de temas como ética no uso da internet, saúde digital e aplicações de Inteligência Artificial. O compartilhamento de saberes entre usuários e trabalhadores foi um dos pontos mais enriquecedores, promovendo trocas que fortaleceram a integração e o aprendizado coletivo.
Consideramos que ofertar um curso de letramento digital com conteúdo voltado tanto para trabalhadores quanto para usuários dos CAPS demonstra-se uma experiência inovadora, desafiadora e gratificante ao possibilitar espaços de troca e de formação para discussões e problematizações acerca das tecnologias e inovações digitais no cotidiano dos serviços e da vida dos usuários. A expectativa é que o curso seja replicado localmente nos CAPS, com o objetivo de ampliar seu alcance e impacto. Além disso, planeja-se dar continuidade às ações de forma conjunta nas unidades, ampliando a oferta do letramento digital para fortalecer a inclusão digital e a capacitação de usuários e trabalhadores para o uso crítico e ético das tecnologias no cotidiano dos serviços. Pretende-se com esta iniciativa ampliar a capacitação técnica, mas também a promoção da cidadania digital e a redução das desigualdades tecnológicas entre usuários e trabalhadores da saúde mental.
Letramento digital,usuários,trabalhadores,CAPS.
ALINE GONÇALEZ RUEDA, ALINE PETRONI ALENCAR, FERNANDO RICARDO BAU, RÉGIS HENRIQUE DE OLIVEIRA, MARIANA ROSSI AVELAR, MARCELLE REGINA SILVA BENETTI, PRISCILA DE PAULA MARQUES, THAÍS LEITÃO RAMOS LUIZ