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Conforme atribuição no Plano Municipal de Saúde e na Reforma Administrativa de 2024, a Escola de Saúde de Santos tem a responsabilidade de coordenar e gerenciar atividades de Educação Continuada e Permanente no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde, o que envolve a realização de planos e programas relativos à formação, qualificação e aperfeiçoamento. Para tanto, propôs-se a construção de um plano em Educação Permanente de forma ascendente, em que os processos de trabalho são os norteadores das ações educativas, em que, a partir do diagnóstico das necessidades de formação e desenvolvimento dos trabalhadores serão construídas estratégias para a qualificação (BRASIL, 2004). Com esta perspectiva, em junho de 2024 iniciamos o levantamento da situação diagnóstica da Secretaria Municipal de Saúde, com uso de instrumento diagnóstico específico, a fim de conhecer as reais necessidades das unidades de saúde, apreender as realidades do território, as especificidades do serviço e a diversidade dos profissionais, durante visitas às unidades.
Objetivo Geral Levantar a situação diagnóstica quanto à qualificação dos servidores e dos serviços nas unidades de saúde da Secretaria Municipal de Saúde. Objetivos específicos Conhecer as necessidades das unidades de saúde da prefeitura e seus trabalhadores para melhor prover respostas educacionais às demandas. Fomentar a Educação Permanente para possibilitar melhor organização do processo de trabalho. Aproveitar as oportunidades de visita para incentivar processos educativos.
Foi elaborado um instrumento diagnóstico dividido em 7 partes: · identificação da chefia, enfermeiro (a) responsável técnico (a) e profissional responsável pela Educação Permanente na unidade; · frequência e formato de reuniões realizadas; · organização do serviço; · frequência e formato de processos educativos e necessidades educacionais; · relacionamento com estagiários e instituições de ensino; · humanização (entre a equipe e com os usuários); · demandas para a Escola da Saúde. Após agendamento com a chefia, é realizada uma visita à unidade em que são colhidas informações para o diagnóstico e reconhecimento dos setores para oportunizar conhecer a rotina de trabalho e os trabalhadores. Quando na Atenção Primária, a visita é marcada para o dia da reunião administrativa onde há acesso a todo o quadro de trabalhadores da unidade. Na reunião, os propósitos da Escola da Saúde são apresentados. Logo em seguida há uma roda de conversa em que a Educação Continuada e Permanente são conceituadas e comparadas, possibilitando a compreensão da Educação Permanente como transformadora do processo de trabalho. Os trabalhadores, então, falam de suas percepções e necessidades educacionais, bem como de suas perspectivas. Após a visita, os dados são sistematizados em uma planilha e é realizado o acompanhamento periódico.
Foram realizadas visitas em 9 Unidades Básicas de Saúde, 10 Unidades de Saúde da Família, 2 hospitais e 11 unidades de média complexidade. Algumas unidades receberam mais de uma visita, segundo as necessidades apresentadas. O instrumento diagnóstico e as visitas têm propiciado maior apreensão do cotidiano das unidades e melhorado a comunicação entre Escola da Saúde, gestores e trabalhadores. Percebe-se um quadro heterogêneo dos profissionais de saúde. Alguns são recém formados e existe uma parcela inexperiente na Atenção Primária. Verificou-se rotatividade dos profissionais entre os níveis de atenção, especialmente para a Estratégia Saúde da Família, o que tem causado urgência quanto ao incentivo na qualificação desses profissionais em relação à esta Estratégia e suas especificidades. Em resposta às demandas apresentadas, foi disponibilizado uma lista de cursos online gratuitos e foram realizadas oficinas com uso de metodologias ativas nos temas de Educação Permanente e Acolhimento à demanda espontânea. Foram realizadas capacitações sobre vacinação, inserção de implante contraceptivo e dinâmicas para a melhoria de relacionamento interpessoal, além das tratativas com instituições de ensino para a qualificação dos serviços. Foi observada a relevância da integração ensino-serviço-comunidade. Nas unidades em que há estagiários e residentes, a contribuição destes facilitadores influencia positivamente no processo de trabalho e auxilia o ensino em saúde na comunidade.
Após as visitas in loco, observou-se uma interação significativa entre os profissionais e a Escola da Saúde. Os trabalhadores expressaram sentir-se valorizados por serem ouvidos em seu próprio ambiente de trabalho, de forma horizontal. Foram identificadas as particularidades das unidades visitadas, incluindo seus nós críticos e pontos fortes. Os profissionais demonstraram interesse em compreender esses aspectos, o que pode ajudar a definir o que transcende a micropolítica, quando na resolução de problemas. Desde o início das visitas, foram realizadas articulações para capacitações específicas, a maioria delas oferecidas dentro da rede, promovendo uma maior integração e horizontalidade entre os departamentos. Embora ainda restem unidades a serem visitadas, o conhecimento da Escola sobre a rede aumentou consideravelmente em comparação ao período anterior ao levantamento, favorecendo respostas mais assertivas, inclusive com o apoio de instituições de ensino por meio de Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino em Serviço (COAPES).
Educação Permanente, Formação,Processo de Trabalho
QUITÉRIA DA SILVA PAJARO, RAFAELLA PITOL CORREA