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A RAPS de Barueri vem se organizando para a realização de ações da Luta Antimanicomial que tragam visibilidade ao movimento, promovendo a defesa dos direitos da pessoa com sofrimento mental e da Reforma Psiquiátrica. O debate é permeado e marcado na interface da Arte, da Cultura e da Manifestação Social, na proposição de novas estratégias, ocupações e instalações que possam dialogar com territórios e comunidades, e novos/outros parceiros a agregar. Em 2024 por meio de discussões coletivas sobre a mensagem a ser transmitida e o modo de apresentar a pauta, definimos: LibertAR-TE: da opressão à expressão – inspirado em um artista-usuário da RAPS municipal , que acabara de produzir uma releitura da “Fonte Cunhatã” instalada na região central de Barueri. Seu trabalho impulsionou a Exposição realizada no mês de maio sob organização do CAPS Adulto, AD III, Infanto Juvenil e Consultório na Rua. Outras ações foram realizadas durante o mês de maio nos CAPS e nos territórios a partir do Matriciamento, além da participação dos usuários, familiares e trabalhadores no Ato na Avenida Paulista. Mas, com o sonho coletivo de concretizar a abertura e o encerramento do mês da Luta Antimanicomial na Praça das Artes – complexo cultural público que oferta formação e entretenimento no campo da arte e cultura, portanto, espaço de circulação importante e legitimado como espaço social de arte e cultura, agregando valor ao sonho do artista.
❖Promover a defesa dos direitos das pessoas com sofrimento psíquico e transtornos mentais e do tratamento digno e em liberdade, em conformidade com os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica; ❖Valorizar a produção dos artistas, usuários dos serviços de saúde mental; ❖Valorizar a arte enquanto via de acesso à vida psíquica, expressão das emoções, pensamentos e sentimentos, importante ferramenta terapêutica utilizada nas intervenções dos serviços de saúde mental; ❖Romper com as barreiras que impedem e limitam os acessos dos usuários aos serviços da rede e disponíveis aos cidadãos; ❖Dar visibilidade e um lugar social aos usuários dos serviços municipais de saúde mental e por meio deles a todas as pessoas com sofrimento psíquico e transtornos mentais.
As ações do mês da Luta Antimanicomial foram construídas a partir de comissões intersetoriais. Neste sentido, para a exposição foram realizadas reuniões com representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo tendo a Luta Antimanicomial como pauta, no contexto do cuidado em liberdade, e sendo validado o potencial artístico de alguns usuários da RAPS e a importância singular para cada um deles no compartilhamento de suas produções e expressões. Após pactuação, a referida Secretaria ofertou curadoria para o Evento e, selecionamos obras realizadas por usuários dos CAPS Adulto, CAPS AD III, CAPS IJ e Consultório na Rua como pinturas em tela, mandalas, desenhos e fotografias. Houve discussão no Colegiado de Saúde Mental, nas Assembleias e nos Grupos dos CAPS sobre a programação e a partir disto, articulamos a oferta de outras apresentações culturais na composição da programação da Abertura e Encerramento que pudesse agradar a todos os envolvidos, favorecendo as trocas e o acesso às experiências diversas. Relembrando anos anteriores, planejamos encerrar o dia da Abertura com a vivência da Dança Circular, considerando seu potencial agregador, inclusivo e lúdico. Foi promovida uma enquete junto às Comissões para escolha da música e elegemos “Feliz, alegre e forte” interpretada por Marisa Monte. Antecedendo ao Evento, houve divulgação da exposição no Matriciamento e em outras reuniões, por seu potencial multiplicador. E também articulamos a cobertura oficial.
A abertura da Exposição no dia 13/05 consistiu no momento “ápice”. Os participantes foram recepcionados com a apresentação do Quarteto de Cordas e discursos afetivos e mobilizadores dos Secretários de Saúde e da Cultura e da Diretora Técnica de Saúde Mental. Realizou-se visita às obras expostas, individualmente, em pequenos grupos; rodas de conversa iam se formando, encontros e reencontros. A dança circular aconteceu de forma fluida e alegre. Os setores de Comunicação cobriram o Evento. As emoções, especialmente a felicidade, estava presente. O encerramento do Mês da Luta Antimanicomial ocorreu com o término da exposição em 27/05 Neste dia, além do Show de Mágica,promoveu-se espaço de livre expressão dos presentes e a exibição de um vídeo produzido com os usuários. As ações proporcionaram como resultados: ❖Valorização das produções artísticas e seus artistas (usuários) e do trabalho desenvolvido na RAPS ❖Ampla divulgação do tema em meios de comunicação do município e região ❖Participação das Secretarias de Saúde, Assistência e Desenvolvimento Social, dos Direitos da Pessoa com Deficiência e de Comunicação, ampliando as relações já existentes ❖Incentivo ao Grupo de Mandala do CAPS Adulto que tem expandido seus objetivos para proposta de geração de trabalho e renda ❖Exposição permanente do conjunto de obras do artista-usuário, mobilizador das discussões iniciais, no prédio da Coordenadoria de Assistência Especializada ❖Fortalecimento de parcerias intra e intersetoriais
A Arte como espaço de produção e expressão de si na relação com o outro e com a Cultura sempre estiveram presentes no cotidiano dos CAPS nos diferentes grupos de Pintura, nas Oficinas de Mandala e Mosaico, na experiência do Sarau, nas visitas aos museus, nos Grupos de Música, nos Grupos de Dança e Dança Circular. Estar na Praça das Artes enquanto coletivo mobilizado realmente foi o ápice, talvez não só do Mês da Luta Antimanicomial de 2024, mas da RAPS de Barueri em seu árduo processo de construção e sustentação cotidiana. Além disso, foi processo das singularidades, inerente ao cuidado em liberdade. A exposição LibertAR-TE: da opressão à expressão contribuiu para reafirmar os princípios do SUS, da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial, portanto, os direitos das pessoas em sofrimento psíquico e com transtornos mentais, a defesa de um tratamento digno e em liberdade, a inserção social de todas as formas possíveis e o rompimento da lógica manicomial que se perpetua não somente por muros físicos, mas também por muros invisíveis. Enfim, a luta por uma sociedade com menos segregação.
Cuidado em Liberdade, Direito, Arte, Cultura
VIVIANE SIQUEIRA DA SILVA, KÁTHYA BERTOLINI