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A saúde mental é extremamente importante para todos, em todos os lugares. É um elemento inerente e vital parte da nossa saúde e bem-estar geral e afeta nossas vidas de muitas maneiras. Nossa saúde mental nos permite funcionar e prosperar como indivíduos, membros da família e participantes da comunidade. Saúde mental e acesso aos cuidados de saúde mental são um direito humano básico (OMS, 2022).A lei nº 13.819, de 26 de abril de 2019 institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio tem como objetivos principais: promover a saúde mental, prevenir a violência autoprovocada, controlar os fatores determinantes e condicionantes, garantir o acesso à atenção psicossocial das pessoas em sofrimento com histórico de ideação suicida, automutilações e tentativa de suicídio. Abordar adequadamente os familiares, informar e sensibilizar a sociedade sobre a relevância do tema, promover a articulação intersetorial para a prevenção, promover a notificação de eventos e de métodos para coleta e análise de dados sobre automutilações, tentativas de suicídio, promover a educação permanente de gestores e profissionais de saúde em todos os níveis de atenção. No município de Diadema em 2022, em parceria com os secretários de saúde do ABC foram realizadas oficinas locais e regionais para discussão de linha de cuidado para pessoas em situação de violência autoprovocada e estruturação de fluxo do atendimento destas pessoas na rede de saúde ampliada, envolvendo a rede.
Sistematizar o monitoramento e acompanhamento dos casos notificados de pessoas em situação de violência autoprovocada; Organizar espaços de educação permanente em saúde dos profissionais para o acolhimento e cuidado de pessoas em situação de violência autoprovocada; Ampliar ações de prevenção e pósvenção do suicídio;
A partir da identificação de profissionais com maior aproximação e afinidade com as questões relacionadas à saúde mental e que participaram das oficinas que aconteceram regional e localmente, realizamos roda de conversa com as agentes comunitárias de saúde para reforçar o fluxo construído no município.Em reunião com representantes de todas as categorias com tema Janeiro Branco abordamos as ações necessárias para o acolhimento e cuidado das pessoas em situação de violência autoprovocada. Acordamos a utilização de uma planilha para o monitoramento dos casos notificados que chegam através da secretaria municipal de saúde para o gerente da unidade. A equipe é acionada para visita do ACS imediata (o mais breve possível) com a orientação ao paciente para consulta com equipe. Em alguns casos o primeiro contato é realizado por meio de telefonema ao paciente com orientação de buscar UBS para atendimento.O monitoramento da visita realizada, comparecimento do paciente, necessidade de busca ativa ou encaminhamentos, é organizado pela gerente do serviço diretamente com os ACS e enfermeiros. Casos específicos de impacto no território de tentativas de suicídio são discutidas em reuniões técnicas para o acolhimento da equipe e desmistificação do tema, em um esforço de educação permanente dos profissionais para o acolhimento e acompanhamento dos casos. Ao longo do ano, em espaço de reunião, oportunamente discutimos as características do comportamento autodestrutivo com as equipes e rede.
Inicialmente os primeiros resultados observados foi a maior abertura para o diálogo dos profissionais sobre os casos de tentativas de suicídio, as experiências pessoais em relação ao sofrimento e à violência autoprovocada. Observamos a priorização de escuta e acolhimento para pessoas em sofrimento e para o acompanhamento pós tentativas pelos profissionais da equipe. A parceria desenvolvida entre os profissionais para o acolhimento, para o cuidado mais próximo em algumas situações, para discussão com profissionais da equipe multiprofissional, a maior articulação com os outros equipamentos da rede é notada no cotidiano dos atendimentos e discussões compartilhadas. O desejo e pedido dos profissionais para maior aprofundamento sobre o tema, pode representar a preocupação dos profissionais, devido a frequência de busca no serviço de saúde de dezenas de pacientes em sofrimento psíquico, com ideação e tentativas prévias de suicídio. Uma das maiores preocupações relatadas pelos profissionais seriam as quantidades de pacientes que precisariam de um acompanhamento e monitoramento mais próximos e, portanto, sobrecarga de trabalho. Entretanto ao longo do ano a quantidade de pacientes acompanhados no monitoramento chegaram a 10 casos que retornaram de internação, destes, apenas 6 recebemos as notificações. Os demais fizemos o monitoramento a partir do atendimento da equipe, discussão em matriciamento e compartilhamento dos casos com rede hospitalar.
Observamos que as notificações precisam ser realizadas nos serviços nos quais o paciente é atendido, prática ainda não totalmente implementada e sistematizada, o que pode representar, de acordo com estudos de especialistas sobre o tema, uma grande subnotificação das tentativas de suicídio e autolesão. Os objetivos para o ano de 2024 na unidade geram em torno da necessidade da efetivação das notificações das violências autoprovocadas para bases de dados, a fim de impulsionar políticas públicas locais e regionais, subsidiando ações de prevenção e cuidado em saúde mental. A manutenção dos espaços para educação permanente dos profissionais é fundamental para a consolidação das práticas de acolhimento e cuidado, assim como para as ações efetivas de prevenção do suicídio e nos cuidados em posvenção. As escolhas dos assuntos para os cuidados da pessoa em situação de violência autoprovocada, assim como nos ensina Paulo Freire, devem partir dos próprios trabalhadores de acordo com suas percepções e necessidades, reforçando ações contínuas e sistêmicas. É fundamental manter o cuidado em saúde mental como parte do cuidado humano, pensar e agir de forma integrativa considerando as pessoas em todas as suas dimensões e necessidades humanas.
saúde mental, atenção básica, matriciamento
Pedro Moreno e Silva, Daniella Almeida Moura Rotten, LIDIANE SOARES DOS SANTOS MELO