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A inversão da pirâmide etária projetada para 2030, o aumento da população idosa mundialmente, já é uma realidade, o mundo envelheceu, e requer dos serviços de saúde, estrutura para ordenar a oferta de serviços. Atualmente segundo IBGE no Brasil 15,8% da população é composta por pessoas idosas. A OMS estima que em 2100, 36% da população no mundo terá 60 anos ou mais. Entre as diretrizes e princípios do SUS: Universalidade, integralidade e equidade estão os desafios para os gestores em todas as esferas governamentais em ofertar serviços de saúde diferenciados, com qualidade, utilizando de estratégias que não se embasem unicamente em gastos financeiros, mas sim em articulação entre os serviços de saúde. Somos um ambulatório médico de especialidades voltado ao atendimento exclusivo a pessoa idosa, localizado na cidade de São Paulo, nosso desafio está em garantir o cuidado centrado no paciente, a execução da clínica ampliada, fortalecer o matriciamento e gestão dos casos, através de linhas de cuidados. Entre o publico atendido um novo perfil nos chama atenção, os muito idosos, indivíduos com idade a partir 90 anos, estão cada vez maior e entender suas necessidades e os diferenciais que permitem a longevidade são fatores determinantes para a oferta de cuidados, mediante esta realidade iniciamos em agosto de 2024 a construção das diretrizes para linha de cuidado dos Longevos em nosso serviço.
Identificar a população de longevos (90 anos ou mais) ativa no ambulatório, classificar suas principais necessidades de saúde, perfil sociodemográfico. Avaliar funcionalidade e autonomia, como outros fatores identificados que caracterizem contribuição para a manutenção da vida e sua qualidade, permitindo construir o desenho para linha de cuidado especifica para esta população, ofertando cuidado centrado no paciente e respeitando seus limites, com a possibilidade de oferta de serviços estruturada, além da ampliação do vinculo com os familiares e cuidadores, orientando sobre o processo natural do envelhecimento, alterações esperadas e medidas de intervenções.
Em agosto de 2024 baseado em dados acompanhados relacionados a população atendida, iniciamos o dimensionamento de equipe para a qualificação deste público, as agendas foram reorganizadas para o atendimento e coleta de dados, e armazenadas em painel Excel, contendo dados sociodemográficos, avaliação cognitiva e funcionalidade, utilizamos a ferramenta ICOPE como referencial para a coleta de dados e direcionamento. Organizamos reuniões periódicas para discussão dos dados iniciais e definição de novos passos, foram 2 reuniões de 2024, e revisão em janeiro de 2025 com a análise dos primeiros dados coletados. A partir de 2025 definição de indicadores e discussão quanto as ferramentas que poderiam contribuir na construção do modelo de atendimento. Os atendimentos para a coleta de dados foram divididos em presenciais e teleatendimento, todo o processo registrado em prontuário do paciente e discutido dos dados em um espaço médio com intervalo de 4 meses.
Totalizamos 640 casos de agosto de 2024 a janeiro de 2026 ativos de indivíduos com idade a partir de 90 anos. Aproximadamente 10% dos casos que foram monitorados não possuem comorbidades. Em relação a gênero 72,18% dos casos estão classificados como feminino, para raça/cor: 66,25% identificados como branca, seguido de 22,5 pardas, 5,93% pretas e 3,75% amarela, demais sem identificação. A polifarmácia apresenta relevância em sua presença na amostra totalizando 57,81% dos casos. Identificamos um publico com idade maior que 100 anos, sendo o mais longevo com 108 anos, com fragilidades, porém funcionais, participando de atividades de convivência com dança sênior, grupos de atividades manuais entre outras. O acolhimento aos cuidadores e familiares proporcionou troca de saberes e oferta de orientações quanto atividades de vida diária possíveis para manter a autonomia dos longevos, dentro da realidade de cada indivíduo.
A população idosa apresenta multidiversidade relacionada ao cuidado em saúde, o acompanhamento dos pacientes requer atenção não somente para as patologias já existentes, mas sobretudo para evitar agravos evitáveis, este foi o alvo dos atendimentos realizados pela equipe, mais fortemente nos teleatendimentos. Tem sido um grande desafio a escolha de instrumentos para identificação e estratificação das vulnerabilidades e necessidades de cuidado. Nesta fase da vida as ações devem privilegiar a qualidade de vida e o foco deixa de ser curativo e tem maior ênfase em estratégias que fortaleçam o conforto e bem-estar da pessoa idosa, o que acaba reverberando na família/cuidadores e sociedade. A discussão segue quanto a continuidade do cuidado, para definição de tempos e articulação com a AB de saúde para os casos que não apresentam condições (por distância ou institucionalização) de manter o acompanhamento na AE. Outro desafio é a oferta de serviços como exames e consultas, seguimos no levantamento relacionado a o que realmente tem relevância nesta fase de vida, investigações com múltiplos exames e avaliações especializadas, ou a construção de um plano de cuidados baseado na qualidade de vida, respeitando o curso natural da vida.
Pessoa idosa, longevo, nonagenário
JOANA D’ARC RICARDO DOS SANTOS, ANDRÉA APARECIDA DA FONSECA MONTEIRO, CARLA DE LIMA SILVA, STELLA MARYS ZOGOB LUCAS PEREIRA, MARIANA SENA BASTIAN, EDUARDO CANTEIRO CRUZ, BIBIANA MARIE SEMENSATO POVINELLI, JULIANA RODARDE PONTES, SABRINA QUEIROZ SILVEIRA TARGUETA, MARCIA MAIUMI FUKUJIMA, VINÍCIUS DA FONSECA RANCAN