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Os desafios relacionados à saúde mental têm impactado negativamente a saúde dos indivíduos e da comunidade. A crescente demanda por serviços de saúde mental, especialmente na atenção básica, tem sobrecarregado o sistema único de saúde, gerando longos períodos de espera para atendimento e exaurindo os profissionais envolvidos. Considerando que é cada vez maior a necessidade de que os serviços de saúde se adaptem ao paradigma biopsicossocial para atender às demandas da população no que tange à prevenção e promoção de saúde e que as equipes Multi na atenção básica se apresentam como um importante apoio para as UBSs, grupos e ações de caráter multiprofissional que aumentem o vínculo com a população dos territórios podem ser facilitadores da diminuição de agravos à saúde mental dos usuários do SUS.
Com o intuito de atender de forma mais abrangente e eficaz às necessidades da população local com relação às demandas de saúde mental, a equipe do eMulti Aeroporto, no município de Limeira, São Paulo, desenvolveu o Ambulatório de Saúde Integral (ASI). O ASI foi concebido com o propósito de oferecer um ambiente de acolhimento que valorize a escuta ativa e o compartilhamento de conhecimentos e experiências, por meio da psicoeducação e promovendo um atendimento humanizado e integral, incluindo práticas integrativas como auriculoterapia e orientações fornecidas por equipe interdisciplinar, formada por fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e fonoaudiólogo, além de estabelecer parcerias com outros profissionais da rede de saúde.
A iniciativa teve início em setembro de 2022 e ocorre semanalmente no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), do território. Durante a primeira hora, é realizada uma roda de conversa mediada por psicólogos, seguida pela aplicação de auriculoterapia e orientações individuais. O público-alvo predominante é composto por mulheres entre 40 e 70 anos, e não é necessário encaminhamento, uma vez que o grupo é aberto a toda a população.
O ASI desempenhou um papel fundamental ao proporcionar maior acesso à informação sobre saúde mental e física, promovendo o empoderamento para o autocuidado. Além disso, configura-se como um ambiente seguro e empático para o acolhimento de populações vulneráveis, que muitas vezes carecem de informações e de espaços para expressar suas vivências. Relatos dos usuários destacam melhorias na qualidade de vida, redução da dor, melhora na qualidade do sono, diminuição da ansiedade e ampliação do repertório de conhecimentos e estratégias de enfrentamento diante das adversidades cotidianas. O ASI fortaleceu os laços entre a comunidade e os serviços de saúde, assim como os vínculos entre os participantes e a equipe, tornando-se um espaço de convívio e acolhimento.
A abordagem em grupo revelou-se essencial para atender à demanda local, aumentando a adesão dos participantes, uma vez que é realizada no próprio território, eliminando a necessidade de deslocamento e custos adicionais. Sob uma perspectiva de gestão, acreditamos que o ASI é capaz de reduzir a carga sobre os serviços de atenção secundária, mitigando os agravos à saúde e os custos associados. Do ponto de vista humano, o ASI promove a valorização e a visibilidade de indivíduos que muitas vezes não se reconhecem como detentores de direitos e de espaço na comunidade, através da promoção da saúde e do empoderamento para o autocuidado.
Ambulatório de Saúde Integral
Vitor Sergio Couto dos Santos, Faedra Rosada, Denise Ferro, Josiane Miranda, Alane Freitas Oliveira Dias, Andrea de Albuquerque Gaijutis, Carla Barbosa Rodrigues Mendonça, Edvânia Chinelatto, Priscila da Silva Gomes, Talita Gonzaga