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A Gestão Municipal de Saúde, em conjunto com o setor de Planejamento em Saúde, reuniu-se para programar a aquisição do serviço de colposcopia. Durante essa análise, constatou-se a baixa qualidade das coletas do exame citopatológico do colo do útero (Cito-CO), essencial para o rastreamento do câncer de colo do útero. Esse exame de Cito-CO, é um dos indicadores do programa Previne Brasil. No entanto, a busca pelo aumento quantitativo das coletas comprometeu a qualidade dos exames, resultando em amostras inadequadas. Para corrigir essa deficiência, em agosto de 2024, foram implementadas estratégias voltadas à melhoria da qualidade das coletas, garantindo a presença dos três epitélios necessários sem desconsiderar as diretrizes do Ministério da Saúde, que priorizam mulheres entre 25 e 64 anos. A Coordenadora Assistencial da Atenção Primária articulou junto ao Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), um processo de capacitação teórico e prático para todas os enfermeiros da Atenção Primária (AP). Duas enfermeiras habilitadas como monitoras de coleta de citopatológico pela Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP) lideraram esse matriciamento. Durante a supervisão prática, foram identificadas outras barreiras que impactavam na qualidade das coletas, além da técnica inadequada.
Reafirmar os princípios do SUS, como equidade e acesso à saúde. Melhorar o indicador Q4 do Previne Brasil. Promover a saúde e prevenir mortes evitáveis por meio do rastreamento adequado. Aprimorar a linha de cuidado do câncer de colo do útero na Atenção Primária.
Capacitação Teórica, realizada com todos os enfermeiros da Atenção Primária, baseada nas diretrizes da FOSP e do Ministério da Saúde (MS). Atualização sobre a importância do rastreamento e aprimoramento da técnica de coleta. Matriciamento Prático In Loco; as duas enfermeiras monitoras acompanharam e supervisio- naram as coletas nas unidades de saúde. Cada enfermeiro realizou pelo menos 20 coletas supervisionadas, podendo ser mais conforme necessidade. Essa supervisão prática segue em andamento para assegurar a qualidade contínua das coletas.
Durante a monitoria prática, foram identificados diversos desafios que iam além da técnica de coleta, como: deficiências na prática clínica; ausência de consulta ao histórico do exame anterior no site da FOSP, confiando apenas no relato da paciente. Realização da limpeza prévia do colo do útero apenas em casos de leucorreia intensa. Não higienização dos estojos que armazenam as lâminas. Associação equivocada do câncer de colo do útero à hereditariedade, sem considerar fatores de risco modificáveis como tabagismo. Desafios na comunicação com as pacientes: uso de linguagem técnica que dificulta o entendimento das pacientes, como: Fez tratamento de radioterapia? em vez de Fez tratamento para câncer?. Utiliza métodos contraceptivos? em vez de Como você evita filhos?— perguntas que podem induzir respostas automáticas e não refletir a realidade. Seu exame deu positivo— o que pode gerar pânico, ao invés de informar que o exame está normal ou sem alterações para câncer. Impacto positivo observado: o sistema de agendamento misto (consulta programada e demanda espontânea) das unidades permitiu que mulheres há mais de 5 anos sem realizar o exame finalmente o fizessem, algumas com queixas importantes, como dor em baixo ventre e sangramento. No entanto, a adesão ao exame ainda é baixa, indicando a necessidade de estratégias adicionais para conscientização e captação das pacientes.
A baixa demanda por colposcopia levou à investigação da qualidade das coletas de Cito-CO, revelando desafios além da técnica inadequada. O matriciamento permitiu identificar fragilidades tanto na consulta de enfermagem quanto na abordagem das pacientes, mas também pontos positivos como a consideração do acesso (agenda mista). Foi perceptível que muitas mulheres buscam o exame apenas por sintomas de corrimento vaginal, sem compreender seu propósito de rastreio do câncer de colo do útero. E ainda há necessidade de aprimorar a segurança das enfermeiras na consulta e nas prescrições, além de promover mudanças na comunicação (comunicação menos técnica) para garantir que as mulheres compreendam a importância do exame de rastreamento. O processo de monitoria continua em andamento para consolidar essas melhorias e fortalecer a qualidade da assistência na Atenção Primária.
citopatológico, câncer de colo do útero
AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, MARIA OLIVIA PIMENTEL SAMERSLA, ARIELI DE OLIVEIRA PEREIRA SOUZA, ANA CAROLINA PEREIRA BRAÇAL DE CARVALHO