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A oferta regular de capacitações em pics para habilitação inicial ou reciclagem dos conhecimentos adquiridos previamente é fundamental para o exercício profissional e a sustentabilidade do Programa de Práticas Integrativas e Complementares de Mogi das Cruzes, garantindo a oferta contínua nos territórios dessas ferramentas que compõem o cuidado dos usuários do SUS. Desde a formalização do PMPICS-Saúde Integrativa, em 2024, têm se empreendido esforços para a ampliação da cobertura das unidades de saúde, de atenção primária e de saúde mental, pela atuação multiprofissional. Considera-se também o papel estratégico desempenhado pela equipe de enfermagem nas unidades de saúde, especialmente nas USFs, atuando no acolhimento dos usuários e participando das múltiplas linhas de cuidado, razão pela qual compreende-se a importância de potencializar e ampliar as possibilidades terapêuticas ao alcance destes profissionais. Contudo, apesar da categoria “técnico de enfermagem” estar referenciada na Tabela SIGTAP como apta ao exercício da auriculoterapia, o histórico de edições das capacitações ofertadas pelo Ministério da Saúde para esta habilitação tem sido direcionado aos profissionais de nível superior, preponderando este perfil entre auriculoterapeutas. Buscando o fortalecimento da rede de práticas integrativas empreendeu-se a iniciativa de habilitar o profissional de nível médio, incluindo os técnicos de enfermagem na segunda capacitação municipal de auriculoterapia realizada em 2025.
Geral: – Relatar a experiência da realização da capacitação municipal em auriculoterapia com a participação de técnicos de enfermagem da rede municipal de saúde de Mogi das Cruzes/SP, com vistas à composição do Programa Municipal de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde – Saúde Integrativa. Específicos: – Favorecer a potencialização do cuidado exercido pelos profissionais de nível médio nos territórios pelo curso: “2º Formação em Auriculoterapia para Profissionais da Rede Municipal de Saúde”. – Propiciar a habilitação da dupla enfermeiro e técnico de enfermagem em auriculoterapia favorecendo a constância da assistência aos usuários das unidades de saúde de atenção primária e secundária. – Ampliar o número de profissionais habilitados em auriculoterapia na rede de saúde, expandindo a formação para o nível médio.
Pelo mapeamento das equipes de enfermagem nas Usfs e a detecção de profissionais já habilitados em auriculoterapia foi definida a estratégia de capacitar também a categoria de técnicos de enfermagem para ampliar a capilaridade da prática na rede. Foi articulado com os coordenadores de áreas para que houvesse a sondagem de interesse dos profissionais em se habilitar na técnica e posterior definição dos participantes, considerando a atuação estratégica nas equipes e a quantidade de vagas disponíveis no curso. Priorizou-se capacitar o técnico de enfermagem nas unidades que já contavam com um enfermeiro habilitado, oportunizando ações conjuntas, a continuidade da oferta na ausência de um dos profissionais e a troca de saberes. Foram selecionados 11 técnicos de enfermagem e 10 profissionais de outras categorias: 4 enfermeiras, 1 auxiliar de enfermagem, 2 psicólogas, 2 dentistas e 1 educadora em saúde pública. O curso foi desenvolvido na Escola de Governo Municipal, ministrado por técnicos do PMPICS, com 80h totais, realizadas em 6 encontros presenciais e atividades extra-classe, distribuídas em 50h teóricas e 30h de práticas supervisionadas. Atividades práticas compuseram todos os encontros presenciais, visando enriquecer o aprendizado e a construção do repertório terapêutico. Os participantes elaboraram um plano de ação, com a construção de uma metodologia de trabalho com a auriculoterapia que contemplasse as demandas de saúde detectadas nos respectivos territórios de atuação.
Concluíram satisfatoriamente todas etapas do curso de auriculoterapia 19 profissionais de saúde entre os níveis médio e superior. O curso: “2º Formação em Auriculoterapia para Profissionais da Rede Municipal de Saúde” introduziu o técnico de enfermagem (nível médio) ativamente na rede de práticas integrativas de Mogi das Cruzes, formando 10 destes profissionais junto aos outros 9 das demais categorias, para o exercício pleno dessa importante prática integrativa. Houve 2 desistências no decorrer do curso em razão de incompatibilidade com os critérios destinados a certificação. A oferta desta capacitação buscou atender ao planejamento de expansão dos pontos de atenção com auriculoterapia, buscando suprir todas as unidades de saúde da família de Mogi das Cruzes com ao menos um profissional de saúde habilitado nesta prática integrativa e complementar. Diante dessa expectativa e compreendendo ser uma expressiva parcela de técnicos de enfermagem componentes imprescindíveis nas equipes atuantes na rede, bem como responsáveis diretos por diversas atividades de cuidado junto à população, são atores estratégicos e necessários para a efetivação desta oferta e ampliação do acesso à prática da auriculoterapia. O incremento destes 19 novos auriculoterapeutas no PMPICS contribuiu para a manutenção da oferta da atividade nos territórios, reposicionando o número de profissionais em carência ou remanejados na estruturação das unidades de saúde da rede municipal.
A sustentabilidade da rede de práticas integrativas está diretamente relacionada à composição de seus recursos humanos. As iniciativas educativas e formativas direcionadas aos profissionais são imprescindíveis para a construção de uma concepção do fazer saúde integral, que considera os sujeitos em suas várias dimensões, para além de um corpo doente e que reconhece e articula os saberes tradicionais evocados pelas práticas integrativas no apoio às diversas linhas de cuidado que permeiam os serviços de saúde. O sistema de saúde é dinâmico e exigente quanto a adoção de estratégias que ajudem a responder às múltiplas demandas que se apresentam diariamente. Portanto, ao capacitar e incluir técnicos de enfermagem no seu rol de auriculoterapeutas o PMPICS – Saúde Integrativa expande sua rede, ampliando a instrumentalização destes profissionais com novos recursos ao conferir a habilitação nesta ferramenta e fomenta a efetivação da oferta de cuidados pelas práticas integrativas e complementares, seguindo invariavelmente as premissas de qualidade, segurança e eficácia desta política pública.
Auriculoterapia, enfermagem, práticas integrativas
MARINA MANCINI CONSOLARO, ADRIANO SERGIO GRANADO, JULIANA XAVIER TAVARES SOARES MATOS, REBECA RIBEIRO BARUFI