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O município de Atibaia vem fortalecendo continuamente a Atenção Básica e ampliando a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), fundamentais na articulação entre serviços e comunidade e no enfrentamento de desafios locais como o combate a endemias e a necessidade de maior proximidade com a população. Nos últimos anos, a cidade expandiu sua equipe de ACS e implementou estratégias de integração ensino–serviço que visam qualificar e consolidar práticas de cuidado no território, fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS) municipal e ampliando o impacto das ações junto às famílias e grupos vulneráveis. O Projeto Mais Saúde com Agente é uma parceria entre UFRGS, Ministério da Saúde e CONASEMS, ofertando formação técnica para ACS e ACE, fortalecendo o vínculo com a população e a integração entre Atenção Básica e Vigilância. A iniciativa dialoga com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e responde a uma demanda histórica de valorização da categoria. Para o SUS municipal, representa investimento estratégico na qualificação da força de trabalho, ampliando a capacidade de cuidado, promoção da equidade e enfrentamento das desigualdades no território. Ao articular formação em serviço e integração entre Atenção Básica e Vigilância, a iniciativa fortalece a organização do processo de trabalho, valoriza a força de trabalho do SUS municipal e consolida a educação permanente como estratégia de melhoria do cuidado no território.
Qualificar ACS e ACE para o diagnóstico das condições de vida e saúde da população, articulando Atenção Básica e Vigilância em Saúde. Desenvolver competências para atuação integrada no território, fortalecendo ações de promoção, prevenção e controle de agravos, contribuindo com olhar técnico sobre uso racional de medicamentos, vigilância em saúde e integração do cuidado, ampliando a abordagem clínica e preventiva no território. Estimular a mobilização comunitária e a participação social nas políticas públicas. Aprimorar o registro e análise de dados das visitas domiciliares, considerando ciclos de vida, condições crônicas, vulnerabilidades sociais e sofrimento psíquico. Promover mudanças de atitude a partir de visão interdisciplinar, ampliando o planejamento integrado e a atuação intersetorial no SUS.
A preceptoria do Projeto Mais Saúde com Agente iniciou-se em abril de 2025, com 15 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e 6 Agentes de Combate às Endemias (ACE). O primeiro encontro ocorreu na UBS Carmelina Silveira Cintra (Boa Vista) e o segundo na UBS Dr. Benedito José Barbosa (Rosário). Considerando que os participantes atuam em áreas rurais e distantes do centro, os encontros passaram a ocorrer no CAPS II, garantindo acesso e permanência no curso. O curso foi realizado no modelo híbrido, com metodologias ativas e integração entre momentos presenciais e atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem do CONASEMS, num total de 1275 horas. No período de concentração, os alunos participam de teleaulas, fóruns e estudos dirigidos, aprofundando fundamentos teóricos. No período de dispersão, desenvolvem atividades práticas nos próprios territórios e serviços de saúde, especialmente nas UBS, sob supervisão da preceptoria. A formação ocorreu em serviço, articulando teoria e prática. Durante o período de dispersão, preceptores e estudantes desenvolveram ações educativas e campanhas como Agosto Dourado, Setembro Amarelo, Outubro Rosa, Novembro Azul, prevenção de DCNT e prevenção de ISTs e HIV, além de mobilizações de prevenção à dengue, envolvendo UBS, comunidade e diferentes pontos do território. A integração entre ACS e ACE foi eixo central, promovendo planejamento conjunto e intervenções compartilhadas.
A experiência fortaleceu de forma concreta a integração entre Atenção Básica e Vigilância em Saúde. ACS e ACE passaram a planejar e executar ações conjuntamente, superando práticas fragmentadas. As campanhas de saúde registraram maior participação da comunidade, com aumento da presença em atividades educativas no território, busca ativa para vacinação de crianças e gestantes e adesão às ações preventivas contra a dengue que foram realizadas em duplas ou trios de ACE e ACS. Observou-se ampliação do diálogo com a população, maior segurança técnica dos agentes e qualificação dos registros das visitas domiciliares. A comunidade participou ativamente das rodas de conversa e ações coletivas, trazendo demandas reais do território e contribuindo para soluções construídas de forma compartilhada. A formação impactou diretamente o cuidado, fortalecendo o vínculo entre agentes e usuários, ampliando a resolutividade das equipes e promovendo sentimento de valorização profissional. A experiência promoveu empoderamento dos profissionais, que passaram a atuar com maior autonomia, segurança técnica e protagonismo no território. O protagonismo dos agentes refletiu-se no engajamento popular, evidenciando que investir em formação é investir na potência transformadora do SUS.
A preceptoria demonstrou que a Educação Permanente em Saúde é ferramenta estratégica para transformar práticas e fortalecer o SUS municipal. A integração entre ACS e ACE, antes pontual, tornou-se eixo estruturante do processo de trabalho, com reflexos diretos na qualidade do cuidado ofertado à população. A experiência reafirma que a qualificação técnica, aliada à valorização profissional e ao protagonismo dos trabalhadores, produz impactos concretos no território e fortalece a implementação das políticas públicas de saúde. O envolvimento ativo da comunidade evidenciou o fortalecimento do controle social e da participação popular, mostrando que a formação não se limita à sala de aula: ela reverbera nas ruas, nas casas, nos espaços coletivos e nos espaços de deliberação do SUS. Espera-se consolidar essa integração como prática permanente, ampliando ações intersetoriais, fortalecendo ainda mais a participação popular na construção de um SUS público, equânime e transformador, além de expandir a estratégia para outras equipes e territórios, qualificar continuamente os processos de trabalho e estimular maior inserção dos trabalhadores nos espaços de planejamento, avaliação e controle das políticas públicas no município.
formação, ACS, ACE, metodologia ativa
LUANA APARECIDA SALVADOR