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O tabagismo é uma doença relacionada à dependência química e psicológica da nicotina e se apresenta amplamente distribuída no contexto mundial. Estima-se que afeta cerca de 1,2 bilhões de pessoas e que cerca de seis milhões morrem todos os anos. Dados indicam ainda que aproximadamente metade dos fumantes crônicos morra de doenças relacionadas ao tabagismo. (7) A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como a principal causa de morte evitável no mundo. (2) O tabaco é um produto legalizado, de baixo custo e ampla distribuição, o que o torna facilmente acessível. É uma substância química que promove alterações fisiológicas e gera sensação de prazer, tendo por isso a capacidade de causar dependência pelo desejo contínuo dos usuários. A acessibilidade e a sensação de prazer são pontos que corroboram para a instituição do vício. Cerca de 80% dos fumantes desejam parar, mas apenas 3% conseguem realmente abandonar o vício. Só é considerada ex-fumante a pessoa que fica um ano sem fumar. (1) Iniciar uma política antitabagista é um passo importante para aumento da longevidade de uma população, sendo, portanto, um grande fator de promoção de saúde. Pretende-se com esse trabalho introduzir uma prática intensiva, pautada na ação de um grupo multidisciplinar, para desestimular o tabagismo, com enfoque não só entre pessoas que realmente estão interessadas em abandonar o vício, mas também no convencimento daqueles que não se dizem prontos para isso. (3)
OBJETIVO GERAL: Reduzir o número de tabagistas na área de abrangência da USF Dr. Napoleão Pellicano, buscando reduzir a morbimortalidade da população por causas relacionadas ao uso do cigarro. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Criar um ambiente favorável ao tratamento, onde possa ocorrer troca de experiências e apoio mútuo. Realizar educação em saúde, conscientizando os pacientes sobre os malefícios do tabagismo e os benefícios de abandonar o vício. Combater e tratar o tabagismo na USF, com atuação de uma equipe multidisciplinar, a fim de prevenir a instalação do vício e auxiliar a cessação por parte dos dependentes.
Foi elaborado um plano de intervenção com ações voltadas para melhorar o conhecimento da população quanto aos malefícios do tabaco. As etapas envolvidas nesse processo são: diagnóstico situacional, seleção do problema e desenvolvimento do projeto de intervenção. (4) (5)A dinâmica do grupo acontece em reuniões semanais, quinzenais e mensais, onde se discutem vícios, malefícios do tabaco, benefícios de parar e métodos para lidar com a abstinência. O grupo conta com médico, enfermeiro, farmacêutico, dentista, psicólogo e educador físico. O tratamento do tabagista é baseado em duas estratégias principais: As intervenções psicossociais e o tratamento medicamentoso. A primeira deve estar presente desde o início das intervenções até o acompanhamento pós-cessação. (4) O tratamento medicamentoso visa apenas a dependência química e deve ser visto como um complemento à abordagem cognitiva comportamental, aumentando as taxas de sucesso. A prescrição depende da avaliação clínica individual, levando em conta critérios como ser fumante pesado e tentativas de abandono sem sucesso. Não pode haver contraindicações ao uso da medicação. Medicamentos de primeira linha incluem terapia de reposição de nicotina e bupropiona. (6) Dentre as atividades realizadas no grupo, são ofertadas ações como atividade física, auriculoterapia, acompanhamento odontológico.
Destacamos dois usuários exemplares: Paciente E.F, 46 anos, previamente hipertenso. Em avaliação inicial, fumante pesado (20 cigarros por dia), com elevada motivação e elevada dependência. No 1º encontro proposto parada gradual do tabagismo, com redução do número de cigarros ao longo dos dias até cessar por completo em 3 semanas, sem sintomas de fissura ou abstinência. Paciente em tratamento concomitante para sintomas ansiosos e fez uso de adesivo de nicotina com redução semanal até suspensão na 4ª semana de grupo. Relatou melhora da qualidade de vida, padrão de sono, disposição, além de interferência positiva no olfato e paladar. Mantém-se em acompanhamento mensal para monitoramento. Paciente M.A.M. S, 32 anos, obeso. Em avaliação inicial, fumante pesado (60 cigarros por dia), com moderada motivação e elevada dependência. No 1º encontro proposto parada gradual do tabagismo, com redução de 20 cigarros por semana até a 3ª semana, e após, redução do uso pela metade, até cessar por completo em 6 semanas, sem sintomas de fissura ou abstinência. Paciente em tratamento para sintomas ansiosos. Usou adesivo de nicotina com redução semanal e bupropiona 300mg ao dia. Relatou melhora na respiração, sintomas ansiosos, nervosismo e sono, além de alterações positivas no olfato e paladar. Acompanhamento mensal para avaliação e evitar recidivas. A terapia medicamentosa começou após o terceiro encontro em 04/07/2024, com ênfase na terapia cognitivo-comportamental desde o início.
O combate ao tabagismo traz benefícios que vão desde o aspecto individual, com aumento de expectativa de vida e redução de risco de morte por doenças associadas com o fumo, ao aspecto coletivo, diminuindo danos ao meio ambiente e gastos com internações por comorbidades relacionadas ao cigarro. Porém para isso são necessárias ações que visam a prevenção e educação evitando o surgimento de novos usuários de tabaco, assim como suporte para aqueles que fumam e desejam a abstinência.(9) As ações voltadas para prevenção e educação em saúde são essenciais na redução do número de tabagista e as equipes de saúde são os principais agentes de transformação desse cenário. Isso se deve ao fato de que estes são os principais detentores do conhecimento e das ferramentas necessárias para dar suporte ao usuário, assim como estão mais próximos a este, o que propicia maiores chances de efetividade no tratamento, principalmente se este está associado à mudança de hábitos. Apesar de não ser fácil abandonar o cigarro os benefícios de largar o vício são maiores e mais numerosos do que as dificuldades. (8)
Tabaco, diagnóstico situacional, intervenção
ANA CLARA MOTTA RAFAEL, FERNANDA PUGLIANI SANCHES DE BARROS