Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A hanseníase é definida como uma doença infectocontagiosa crônica, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, e acomete os nervos periféricos e a pele. Manifesta-se por meio de múltiplas formas clínicas: forma tuberculoide, virchowiana, dimorfa e indeterminada. Possui alta infectividade e baixa patogenicidade. Sua transmissão ocorre por via respiratória, através de inalação de gotículas contendo o agente causador de um indivíduo doente e sem tratamento. É fundamental o papel da Atenção Primária na identificação, controle, acompanhamento e tratamento dos casos de hanseníase: o trabalho tem início na busca ativa diária dos casos tanto na Unidade Básica de Saúde (UBS) quanto no território, por meio do atendimento prestado pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que, ao identificar um caso suspeito, encaminham imediatamente para atendimento na UBS. O diagnóstico clínico é feito ambulatorialmente através da anamnese, identificando manchas ou placas hipo/hipercrômicas, com bordas bem delimitadas ou não, que possuem alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil) e comprometimento nervoso. As incapacidades e sequelas, decorrentes da evolução clínica da doença, podem ocasionar prejuízos no convívio social e na qualidade de vida. Este relato de caso evidenciou a trajetória de um paciente com hanseníase, no município de São Paulo, na comunidade São João, zona norte da cidade.
Relatar o caso de um paciente portador de hanseníase e a integralidade do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde para a comorbidade avaliada, por meio da centralização do paciente, proporcionando a completude no bem-estar dos aspectos orgânicos, emocionais, sociais e espirituais.
Trata-se de um relato de caso, identificado por uma equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF), situada na Zona Norte de São Paulo. Paciente 40 anos, sexo masculino e usuário de drogas ilícitas (cocaína, maconha sintética “k9” e maconha), apresentou-se à unidade com dedos das mãos em garra, além de hipocromia de extremidades e perda de sensibilidade, gerando queimaduras de segundo grau na região. Previamente diagnosticado com hanseníase (em 1998), realizou tratamento medicamentoso por três anos de forma irregular e, em seguida, abandonou seguimento ao entrar em regime de reclusão penitenciária em por dezenove anos. Durante o período de reclusão, desconhece a realização de tratamento e não possui nenhum documento ou comprovação de cuidados no que se diz respeito a doença. Na busca ativa rotineira realizada através de visitas domiciliares da equipe no território, foi aventado hipótese diagnóstica de Hanseníase. Após acolhimento, foi imediatamente encaminhado ao serviço de referência do território. Visto a complexidade do caso e a vulnerabilidade social, foi realizado um trabalho com a equipe multidisciplinar e intersetorial, incluindo as equipes de vigilância em saúde (UVIS), Centro de referência de tratamento de Hanseníase, polo de feridas, consultório de rua e serviços sociais de ambos os setores.
A equipe de ESF teve êxito no estreitamento do vínculo com o paciente para realização das avaliações e os atendimentos compartilhados com a UVIS na unidade; a equipe do centro de referência de hanseníase pactuou e priorizou todos os atendimentos, garantindo assim o tratamento medicamentoso efetivo. Durante todo o processo de atendimento, as equipes estabeleceram diálogo, para que todos tivessem conhecimento do caso e das dificuldades de intervenção, compactuaram plano terapêutico e forneceram atendimento multiprofissional. Em dezembro de 2023, o paciente completou doze meses de tratamento medicamentoso, após 26 anos da data de seu diagnóstico.
O trabalho conjunto da equipe multiprofissional foi fundamental para essa conquista, a partir do vínculo longitudinal do cuidado, estabeleceu-se relação terapêutica, além de responsabilização por parte do profissional de saúde e confiança por parte do usuário. Os desafios no cuidado com o paciente permanecem e demais problemas foram identificados. Paciente segue em acompanhamento na atenção básica em saúde, com vínculo fortalecido, e êxito na primeira fase do acompanhamento garantido.
hanseníase, estratégia saúde da família
Graziele Cordeiro Costa, Beatriz Magro Pereira, Jane Kely Rosa Leite, Viviane Ayume Leite Agari da Silva, Aline Ramalho Moreira