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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada no sistema de saúde, inclusive essencial quando considerado a mudança epidemiológica e demográfica brasileira, o que acarreta uma vivenciada tripla carga de doenças, sobrecarregando os serviços de saúde e exige novas formas de construir o cuidado em saúde e a adaptação das equipes às demandas do território. Com isso é imprescindível olhar os processos de trabalho dos serviços, tanto na APS quanto na Assistência Especializada e Hospitalar. Para qualificar essa atividade, algumas regiões brasileiras se apoiam na Planificação da Atenção à Saúde. A partir desse projeto observou-se a demanda de fortalecer o manejo das condições crônicas de saúde, em sinergia com as ações já disparadas pela planificação. Assim, o CONASS propôs um novo projeto formativo com foco na APS. Contudo, com a organização dos serviços, se percebeu a demanda de qualificar a assistência em conjunto, nascendo assim o Manejo Clínico na APS. O Projeto Manejo Clínico do Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial, e para o cuidado integral ao Pré-Natal APS é uma atividade PROADI-SUS, e tem como proponente o CONASS, com apoio da SGTES (Ministério da Saúde) e é executado pelo Einstein, Hospital Israelita e pelo Hospital Moinhos de Vento. O Manejo Clínico das condições crônicas ocorre em 18 unidades federativas, nos mais diversos contextos de saúde. No estado de São Paulo, a região selecionada é a mesma onde ocorre a Planificação, a região Lagos.
Geral: Qualificar o manejo das condições crônicas de Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes mellitus e Acompanhamento das pessoas que gestam na Atenção Primária à Saúde, com o cuidado interprofissional e integral. Específicos Formar profissionais de nível superior em competências de educação de adultos para executar o curso de forma ampliada. Atualizar os profissionais de nível superior com os protocolos clínicos mais recentes do Ministério da Saúde. Avaliar e selecionar profissionais de nível superior para serem multiplicadores d curso para formação em larga escala. Executar o curso de atualização para os profissionais da APS de todos os municípios da Região dos Lagos (DRS II). Avaliar se há mudanças dos indicadores de saúde ao longo do curso e ao final do curso.
O Projeto iniciou em agosto de 2025, com a apresentação e posterior adesão da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo com o Einstein Hospital Israelita, indicando a região dos Lagos, como local de aplicação. Na sequência houve a adequação para a região, considerando especificidades locais, relacionadas aos municípios envolvidos. Para tal, foram convidados gestores da região através do Conselho Secretários Municipais de Saúde. A atividade foi desenvolvida em duas oficinas, sendo uma presencial e outra on-line. O curso foi desenhado para ser realizado em duas etapas, sendo que a Fase 1 é um curso de Aperfeiçoamento que tem como objetivo formar 30 multiplicadores (profissionais de nível superior). Na Fase 2, os profissionais certificados serão convidados a ministrar o curso de Atualização para toda a região. Os cursos são compostos por atividades síncronas on-line (8h por semana) e 6 oficinas práticas, para a qualificação e aprimoramento teórico prático das temáticas. Além de um curso autoinstrucional em plataforma de Ambiente Virtual de Aprendizagem, contabilizando 180 horas. O Aperfeiçoamento é ministrado por docentes externos convidados. Na Atualização, há a oferta de curso para ao menos 50% dos profissionais da APS. Com carga horária de 144 horas para profissionais de nível superior e 70 horas para profissionais de nível técnico e médio. Com exceção dos módulos de Recursos Educacionais, o curso é composto pelos mesmos módulos do curso de aperfeiçoamento.
O curso de aperfeiçoamento teve início em 05 de novembro de 2025, com previsão de término na primeira semana de abril de 2026. Com polo no município de Andradina para a realização das oficinas práticas. O quadro de alunos do curso de aperfeiçoamento é composto por 14 enfermeiras, 5 médicas, 2 dentistas e 9 profissionais vinculados à gestão. As aulas consideram a realidade do território e os docentes são pautados pelo perfil epidemiológico e pelas características da região. As aulas têm utilizado diferentes metodologias, oportunizando vivências diversas aos futuros multiplicadores, além de apresentar ferramentas que podem agregar no dia a dia dos profissionais. No mês de fevereiro, a avaliação dos alunos trazia o conceito 9,3 para o curso, além de comentários que demonstravam a satisfação com as aulas e o contato com conceitos relacionados ao cuidado e a organização do trabalho em equipe e da rede local. Há a previsão de início da fase 2 para maio, quando os multiplicadores assumirão o papel de docentes no curso de atualização com seus colegas de trabalho na APS do território.
A organização e execução do projeto do Manejo Clínico na APS tem contato com a colaboração de articuladores da APS e dos gestores locais dos 12 municípios da região Lagos da DRS II. O projeto tem gerado muitas trocas entre os profissionais envolvidos e qualificado discussões relacionadas à Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial e Pré-Natal nas equipes em que estão alocados. A expectativa é que o curso possa qualificar as ações relacionadas ao manejo das condições crônicas e que reflita na melhora dos indicadores locais de saúde, inclusive os novos indicadores de cofinanciamento da APS do Ministério da Saúde.
Manejo Clínico – Condições Crônicas – Qualificar
CELSO MARTINS DUENHAS, LUCAS GASPAR RIBEIRO, EMANUELA BRASILEIRO DE MEDEIROS