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Em uma sociedade com alta demanda de comorbidades no âmbito da saúde mental, principalmente nos últimos anos pós pandemia, a procura pelos serviços de saúde se intensificou, assim como a busca de diagnósticos de casos clínicos nem sempre bem definidos, apresentando a prática medicalizante como prioritária, onde muitos casos são encaminhados ao Caps como estratégia de atendimento com especialista e ajuste medicamentoso, indo contra a proposta de acompanhamento em equipe multidisciplinar, fortalecimento da escuta e acolhida ao sofrimento humano, resgate do indivíduo e fortalecimento do protagonismo em reabilitação psicossocial. Este trabalho foi desenvolvido no Caps Norte Diadema, com amostra de usuários adultos, ambos os sexo, com participação da equipe multidisciplinar para levantar discussões e ações que incentivem mudanças de paradigmas frente a importância do acollhimento do usuário em seus vários contextos e necessidades, onde o diagnóstico não deverá ser psicologizante, nem medicalização e a farmacologização de sentimentos, condições humanas normais, e as reações transitórias desagradáveis associadas a situações de vida sejam confundidas com quadros patológicos. Se fazendo necessário integração de estratégias com novas ações de cuidado como intervenções prévias iniciais, manejo de crise humanizado, reflexões aos profissionais de saúde e assistidos nos serviços.
●Promover ações de qualidade de vida e sensibilização a redução do uso farmacológico. ●Estimular expansão de ações extramuros territoriais e comunitárias associadas a ações do serviço, fortalecendo o protagonismo e autonomia do sujeito como estratégia terapêutica preventiva. ●Realizar espaços psicoeducativos sobre alternativas de intervenção a crise e manejo, reforçando discussões sobre a temática, reflexões na equipe de saúde multidisciplinar do serviço e nos equipamentos da rede durante reuniões de discussão de caso e matriciamentos, como forma de elaboração de novas estratégias efetivas, planejamento no cuidado às demandas trazidas pelos usuários de forma segura e individualizada
Apresentado o projeto em discussões com equipe multidisciplinar do serviço, coletado informações sobre usuários em uso de ansiolíticos e antidepressivos. Para o levantamento da amostra, realizado um recorte com usuários de uma região específica da região Norte de Diadema, sendo: adultos com idade entre 20 e 60 anos com prontuário ativo no Caps Norte e PTS projeto terapêutico singular ativo, de ambos os sexos, em uso de ansiolíticos e antidepressivos há mais de seis meses, residentes no bairro Reid, com verificação de comorbidades através do diagnóstico diferencial. Levantado informações de reconhecimento de potências territorial, ações terapêuticas, mapeamento de práticas não medicalizantes disponíveis no serviço para integrar as intervenções.
Observamos maior sensibilização da equipe com reflexões sobre novas abordagens nas ações de manejo de crise, propondo reavaliações das prescrições e revisão dos projetos terapêuticos e prontuários. Sobre os usuários houve redução do uso farmacológico em uma parcela dos atendidos, outros ainda com algumas resistências a mudanças pelo tempo prolongado de uso do medicamento, processo de adaptação às novas propostas e demandas sociais.
Novas ações foram atribuídas a rotina dos usuários assistidos: como potencialização do grupo de manejo medicamentoso com enfoque na autonomia do usuário em seu tratamento, dosagem, esclarecimentos de dúvidas frente a prescrição médica e descarte correto. Outros grupos foram disponibilizados como as atividades culturais, terapêuticas, esportivas, práticas integrativas complementares, expressivas e corporais, dentro e fora do Caps como oferta de ações não medicalizantes, divulgadas nas reuniões, assembleias, reuniões de equipe e integrado aos PTS. Destacamos que ainda é um processo longitudinal, devido a necessidade de desconstrução de modelos medicocentristas, em uma sociedade do imediatismo e com crenças errôneas de curas e soluções imediatas que sustentam a ideia da medicalização da vida. Daí a importância de problematizar a temática e abranger as discussões para resgatar os preceitos de cuidado conforme os princípios do SUS prevenção e promoção de saúde.
desmedicalização, despatologização, autonomia
EDNAR FRANCISCO FERREIRA, IZAILDA SIQUEIRA, MARINÉIA SILVA, TATIANE SILVA PAULINO, VERUSCA APARECIDA DOS SANTOS SOUZA.