Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O SUS rumo a caminhos alternativos e complementares a saúde de seus usuários nas ações da APS, contemplam na conjuntura atual, desenvolver iniciativas voluntárias de seus profissionais, independente de sua área de atuação, podendo envolver a comunidade, com o objetivo de promover saúde, através de ferramentas simples, valiosas e essenciais para o cuidado da saúde humana. Em uma comunidade distrital rural de Paraguaçu Paulista interior – SP, Sapezal, num espaço de aproximadamente 250 m². Uma equipe de 02 profissionais em uma Unidade Básica, tiveram a iniciativa de desenvolver uma horta comunitária em um pequeno espaço que dispunham nos fundos desta Unidade. Após discutido a proposta com alguns moradores, ambos começaram a implantá-la. A ideia era levar aos moradores daquela comunidade a informação com práticas, a uma alimentação saudável, limpa de agrotóxicos pesados, distanciando-os dos industrializados, e que é possível construir com o espaço que se dispõe em sua casa ou comunidade. Estimular e conscientizar o cidadão que a cura também está em sua mesa. Mas descontruir o excesso da medicalização no cuidado com a saúde, é um caminho árduo, que deve ser contínuo, através dos profissionais de saúde no processo saúde e doença do usuário do SUS e cidadãos de uma comunidade. Pôr em prática uma virada de chave na mentalidade por busca de alternativas complementares simples na recuperação da saúde, é urgente. Estratégias singelas podem gerar impactos significativos.
A iniciativa da horta comunitária num pequeno espaço de uma Unidade Básica de Saúde num Distrito Rural, foi além de doar alimentos a pessoas desprovidas de recursos financeiros; mas de ilustrar e conscientizar os moradores daquela comunidade, que podem: – Alimentar de forma mais nutritiva mesmo dispondo que poucos recursos financeiros; – Impulsionar a cultivar bons hábitos; – Estimular a sustentabilidade na comunidade; – Desenvolver ajuda mútua; – Valorizar recursos disponíveis; – Ocupar mente e corpo rompendo com sedentarismo; – Promover igualdade entre os pares; – Reduzir a medicalização através de estratégias simples e disponíveis a todos.
Em dois espaços medindo aproximadamente 12 X 5 metros, profissionais dessa Unidade de Saúde Distrital, em conjunto com alguns voluntários da comunidade, realizaram a limpeza da terra removendo matos com a capinagem, tombando a terra e preparando a mesma com adubo orgânico. Após um tempo de aproximadamente duas semanas, foi adicionado a terra, sementes de caxí, abóbora, milho verde, mudas de banana, cheiro verde, hortelã e algumas poucas espécies de verduras. De acordo com a produção e tempo de colheita de cada espécie, eram realizadas as colheitas e a doação as pessoas da comunidade e concomitante, nos atendimentos dos usuários dentro das consultas de enfermagem, foram sendo transmitidos saberes, sobre uma alimentação mais limpa e saudável, como realizar essa mesma estratégia em sua residência e a importância de aplicá-la na sua vida como forma de recuperação em seu processo saúde-doença.
A iniciativa gerou não somente a nutrição de algumas famílias carentes daquela comunidade, como, impulsionou alguns moradores a boas práticas, cultivando hortas em seus quintais, gerando renda com a venda ou para seu próprio consumo; proporcionou aproximação, confiança da comunidade com os profissionais de saúde, respeito e acolhida de ambas partes. Contudo, quando se conquista o respeito dos usuários, consegue-se transmitir saberes aos mesmos, transformando suas vidas para um rumo melhor e promissor na sua saúde com equilíbrio e responsabilidade, reduzindo o consumo de medicações sintéticas, prevenindo complicações de comorbidades.
O SUS possui profissionais com capacidade intelectual e abrangente para o cuidado de seus usuários. Diante dessa visão, podemos ampliar nosso cuidado além do convencional. Dentre tantas práticas alternativas complementares a intervir nesses atores envolvidos, a iniciativa da horta comunitária num espaço tão reduzido de uma Unidade Básica de Saúde, pôde construir pontes sólidas no relacionamento do cuidador e usuário. Estabelecendo, portanto, vínculo, confiança, responsabilidade em seu contexto de adoecimento. Com o caminho aberto entre ambas partes, podemos quanto profissionais, intervir com mais efetividade na sua conquista ou restabelecimento de sua saúde. A confiança é algo que se conquista, e quando conquistada tem seu êxito. Ela é primazia num tratamento. Seja qual estratégia consciente e equitativa a ser empregada para promover essa recuperação; é uma ferramenta valiosa e que deve ser aplicada de acordo com cada contexto aos usuários do SUS através de seus profissionais. Reduzir a medicalização; evitar complicações de comorbidades, é urgência no SUS e cabe aos profissionais desenvolvê-las com co-responsabilidade social.
hortas, alimentação limpa e saudável
Cátia Cristina Alves Leite Lourencetti