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A educação em saúde no Brasil, vem acontecendo desde o início do século XX, quando se entendeu que era necessário tornar a população esclarecida em certos conceitos ainda pouco difundidos. Essas informações, capazes de modificar comportamentos enraizados, foram aos poucos sendo utilizadas como ferramentas de transformação, formando pessoas mais conscientes, que passaram a compreender a importância da prevenção de doenças através de práticas de higiene e vacinação, naquela época ainda impostas pelo governo através da força de normas e leis, na ânsia de conter epidemias. Hoje já se entende o quanto a informação é a chave para a mobilização social, a qual não pode ser imposta, devendo ser movida por um propósito comum, e por iniciativa própria, estimular o cidadão a transformar a sua realidade. No município de Rincão-SP ainda encontramos situações que apontam a falta de envolvimento da população. Encontramos muita resistência principalmente nos trabalhos de vistoria, no qual os agentes se deparam com problemas de características multissetoriais, como a saúde humana, ambiental e animal. Considerando o conceito de saúde única, identificamos a necessidade de trabalhar com uma ferramenta que fosse capaz de simular diversas questões da realidade do município e estimular a população a se tornar o próprio agente que realiza a vistoria dos imóveis representados na maquete construída para esta finalidade.
A construção da maquete, capaz de transformar conceitos abstratos em formas concretas, foi utilizada como ferramenta neste projeto, para alcançarmos os seguintes objetivos: •Esclarecer a população, levando informações que retratem visualmente a realidade na qual o município está inserido. •Mobilizar as pessoas, tornando-as proativas em fiscalizar a sua própria residência e apontar os problemas da vizinhança. •Estimular a criatividade e imaginação de crianças e jovens, para que eles desenvolvam habilidades em criar soluções para problemas que enfrentam na sua cidade. •Promover o diálogo com a sociedade, para que exista uma troca de experiências entre os profissionais da saúde e a população. •Identificar através deste diálogo, promovido durante a exposição da maquete, problemas que ainda não foram levantados pelos agentes de saúde.
Desde 2007, quatro modelos de maquete foram desenvolvidos, até que em 2024 o último modelo foi criado, retratando diversos problemas da realidade do município, de uma forma interativa. Este último projeto conta com a representação de uma residência, na qual observamos seu interior, quintal, área de lazer e garagem, contendo criadouros de mosquito e pontos de risco para ocorrência de escorpião; também representamos a estrutura de telhado externa e interna, com forro, as quais podem conter infestação de pombos, morcegos e ratos. Ao lado da residência, encontra-se uma reciclagem contendo pombos e diversos tipos de criadouros. Do outro lado do barracão, colocamos um templo religioso com uma residência no segundo andar. O templo religioso representa um tipo de imóvel especial, importante na disseminação das arboviroses. Já a residência no segundo andar, apesar de organizada, apresenta alguns criadouros e pontos de risco para escorpião. Ao fundo, retratamos um terreno baldio, contendo animal de grande porte, animais peçonhentos e criadouros, além de condições precárias de higiene. Através desse recorte, pretendemos chamar a atenção para a interação entre esses imóveis e como estão relacionados com a sociedade, com os animais e o meio ambiente. A exposição da maquete é realizada em forma de palestras, o público alvo interage com os objetos e os problemas representados de formal visual e tridimensional são usados para despertar o senso de identificação com a realidade local.
Inicialmente, as maquetes eram utilizadas em eventos públicos, como reuniões de bairro ou feiras. Aos poucos, esse trabalho de educação em saúde foi ganhando destaque, chamando atenção de municípios vizinhos e da imprensa local. Em meados de 2024, com o desenvolvimento da maquete multidisciplinar, encontramos uma maneira de usar esse recurso para abordar diversos assuntos, além das arboviroses. Dessa forma, a mesma maquete foi utilizada também para falar sobre temas como: bem estar animal, animais peçonhentos, pragas urbanas e educação ambiental. Levamos ao público, durante o ano de 2024 até o presente momento, um total de 14 exposições, em ambientes variados como: paço municipal, escolas, unidades de saúde, praças, projetos sociais e CRAS, com o alcance de 1350 pessoas. Através desse trabalho, o profissional de IEC esclareceu dúvidas, ouviu reclamações, e fez o papel de ponte entre a população e os setores envolvidos, como posturas, vigilância sanitária e epidemiológica, controle de endemias, limpeza urbana e meio ambiente, direcionando o problema ao setor competente e solucionando as demandas encontradas. Desde novembro de 2024, 19 buscas ativas de escorpião foram realizadas através desse trabalho, bem como a cobrança de setores como o de posturas, indicando terrenos baldios e casas abandonadas com acúmulo de criadouros. Ficou evidente que essa abertura de diálogo com a população foi capaz de motivar e formar agentes modificadores e fiscalizadores do seu próprio ambiente.
Observamos durante a exposição da maquete multidisciplinar, uma maior participação e interesse do público, além de um genuíno envolvimento com o tema apresentado, extrapolando o assunto para a sua realidade e tornando-os capazes de relacionar os elementos visuais ao seu cotidiano. No ano de 2024 e 2025, durante os atendimentos e vistorias realizadas, recebemos um feedback positivo, em especial de crianças e adolescentes, que levaram a informação para casa e colocaram em prática no seu dia a dia. Trocamos muitas experiências positivas com todas as faixas etárias. Esse processo que ocorre durante a interação, desde a explicação sobre como foi o processo de sua fabricação, indicando na maquete os seus detalhes, até a participação através de perguntas e relatos pessoais, contribuíram para que ambos os agentes (palestrante e público alvo), enriquecessem seus conhecimentos. Destacamos como um dos resultados mais importantes, o efeito motivacional, no qual a população tomou a iniciativa de indicar problemas em suas próprias casas ou outras localidades na cidade de Rincão, que ainda não haviam sido solucionados devido à falta de informação ou falta de confiança em buscar no setor público, auxilio e orientação.
Arbovirose, educação em saúde, maquete
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