Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Como nasce a ideia da construção de uma forma, para ensinar os pacientes do CAPS Infantil Espaço de Vida, a tomar seus próprios medicamentos? Como tudo isso começou? Não foi agora através deste relato de experiência, pois essa dificuldade dos pacientes de se relacionarem com o universo dos medicamentos sempre existiu, em maior ou em menor grau, nas mais variadas esferas e atendimentos clínicos, nas quais a terapia farmacológica atua no processo de recuperação da saúde do paciente. Adicionar doses de soluções práticas simples que possam facilitar a rotina de quem utiliza dosagens farmacológicas diárias dos medicamentos para controlar sintomas de transtorno mental. A terapia medicamentosa em associação com outras terapias desenvolvidas nos CAPS IJ favorecem a evolução do paciente. Atividades individuais ou em grupos realizadas com a equipe multiprofissional proporcionam ao paciente condições para que ele e a sua família possam enfrentar os desafios do transtorno mental. As práticas de intervenções comportamentais, treinamento parental, orientações quanto à doença e seu tratamento farmacológico diminuem os sintomas e abreviam o sofrimento. Alguns transtornos requerem a continuidade por tempo indeterminado da terapia farmacológica para a manutenção do quadro clínico estável. Quando o paciente ou a família possui muitas dificuldades em aderir ao tratamento medicamentoso são utilizados recursos concretos de material estruturado, para que o paciente consiga ingerir os medicamentos.
Treinar o paciente para permitir o reconhecimento dos medicamentos (apropriação dos princípios ativos e suas dosagens) utilizados na posologia prescrita (dose, forma farmacêutica, via de administração e horário). Para a montagem destes materiais estruturados de apoio são utilizados materiais de fácil aquisição pelo serviço público como pastas com elástico, envelopes e papéis coloridos. Quando o paciente é alfabetizado e a área cognitiva é preservada utilizamos menos dicas na elaboração do material estruturado. Quando paciente não é alfabetizado ou possui um comprometimento cognitivo que dificulte o seu entendimento, na construção do material estruturado é utilizado cores para diferenciar os períodos do dia, símbolos, dicas visuais para facilitar o mapeamento e reconhecimento dos medicamentos, embalagens para acondicionar os comprimidos, ou seja, materiais estruturados, com organização fixa, para que o paciente consiga fazer o reconhecimento rápido de forma intuitiva e autodidata.
Iniciou-se com a construção da pasta estruturada de apoio para acondicionar o tratamento semanal dos medicamentos do paciente H. Ele utiliza quatro medicamentos com a posologia descrita conforme receituário médico. Na sequência é realizada a colagem da prescrição médica do paciente na contracapa da pasta com aba e elástico. Fixou-se quatro envelopes na parte interna desta pasta, simbolizando os quatro medicamentos do paciente. Identificou-se os quatro envelopes com os medicamentos descritos acima conforme segue: 1) Fluoxetina 20mg – Manhã – 6:00 – 01 cápsula; 2) Olanzapina 5mg – Tarde – 13h00 – 01 comprimido; 3) Olanzapina 5mg – Noite – 20h00 – 02 comprimidos; 4) Clonazepam 2mg – Noite – 20h00 – 01 comprimido; 5) Clorpromazina 25mg -Noite – 20h00 – 02 comprimidos; O treinamento e pasta estruturada foi e entregue ao pai do paciente H. que compreendeu que os medicamentos ficariam acondicionados nos envelopes. Leu-se os medicamentos e suas respectivas posologias em voz alta e na sequência os mesmos foram inseridos nos seus respectivos envelopes. Os medicamentos embalados são retirados dos envelopes nas quantidades corretas, no momento da ingestão dos comprimidos pelo paciente, iniciando com uma cápsula de fluoxetina 20mg às 6:00h pela manhã, à tarde às 13:00h com um comprimido de olanzapina 5mg e à noite às 20:00 com três medicamentos que são: dois comprimidos de olanzapina 5 mg, um comprimido de clonazepam 2mg e dois comprimidos de clorpromazina 25mg.
Assim, de forma intensiva, através de treinamentos repetitivos e utilizando este recurso pedagógico com materiais estruturados de apoio, temos conseguido resultados favoráveis. Nos atendimentos, ao mesmo tempo em que há a construção do material estruturado junto com o paciente, ocorre sempre a orientação sobre a importância da manutenção da terapia medicamentosa de forma organizada, segura e consciente. A apropriação do tratamento de forma consciente pelo paciente e familiares aumenta as chances para que o tratamento farmacológico não seja descontinuado e aliado às outras terapias proporcionadas pelo CAPS IJ espera-se a melhoria no prognóstico.
A elaboração do material estruturado de apoio, onde os familiares são pouco participativos, dificilmente possuem êxito e resultados mais favoráveis. O paciente pode estar utilizando a melhor farmacoterapia existente, porém, se o mesmo não realizar o tratamento correto, autônomo e com responsabilidade, seguindo a prescrição do psiquiatra, não obteremos êxito. Além do medicamento prescrito, as orientações e informações explanadas em grupo de orientação medicamentosa constituem parte de um cuidado bastante eficaz e centrado no paciente.
Medicamentos, autonomia, caps ij, orientação.
SATIE TODA DE SOUZA, ANDREILTON RIBEIRO DE SOUZA, ENEIDA COSTA RAMALHO, SOLANGE RODRIGUES ROSSONE, JEFERSON GIOVAN VOLKWEIS, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE