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O sofrimento mental tem crescido em escalas alarmantes desde o cenário pandêmico da Covid-19,envolvendo quadros de ansiedade, depressão e uso intenso de substâncias psicoativas entre outros. Diante da complexidade desse cenário que envolve questões orgânicas, afetivas e sociais, é essencial considerar perspectivas não patologizantes, que priorizem o cuidado humanizado da população em seus cenários de vida. Isso só é possível a partir da articulação de redes de atenção psicossocial nos territórios, que possam considerar as singularidades dos casos e os saberes técnicos das especialidades de modo transversal. O cuidado real é coletivo e vai além dos fluxos de encaminhamento entre os serviços, entendendo que a atenção primária se torna mais potente, à medida que discute e compartilha o cuidado com a atenção especializada. Nesse contexto, o Caps I Aparecida Maria de Oliveira do município de Biritiba Mirim iniciou um projeto de implantação do matriciamento nas unidades de estratégia de saúde da família (ESF) incluindo os agentes comunitários e a equipe de enfermagem.
Envolver as equipes de ESF em uma rede colaborativa de cuidado em saúde mental promovendo a integralidade do cuidado, a partir de discussões sobre as diretrizes das políticas públicas de saúde mental, dos casos em situação crítica e da proposição de ações compartilhadas.
Os encontros foram organizados em rodízio conduzidos por uma dupla de referência técnica do CAPS I, com frequência mensal em calendário pré-definido, estruturando o matriciamento como estratégia do cuidado em rede. O processo teve início com uso de metodologias ativas para promover a integração das equipes, construção de vínculo e estabelecimento de um campo seguro de diálogo sobre as dificuldades enfrentadas na assistência aos usuários. A partir desse acolhimento, iniciou-se a discussão dos casos mais complexos, analisando os cenários na perspectiva da clínica ampliada.Foi aberto um caderno de registro para cada unidade, para facilitar o acompanhamento longitudinal das conversas e das ações pactuadas em corresponsabilidade.
As equipes da ESF têm recebido as duplas de referência do CAPS I e o matriciamento vem se tornando uma prática regular e consistente no cotidiano. Os profissionais das equipes têm feito contatos entre si rotineiramente, para pensar situações e ações compartilhadas com avanço significativo em relação aos encaminhamentos burocráticos que ocorriam anteriormente. A troca de experiências e a valorização do trabalho da atenção primária com os usuários no território tem aberto o espaço para a superação de práticas isoladase para a redução de encaminhamentos desnecessários ao CAPS I, além da agilização do cuidado nos casos mais críticos ou crônicos que estavam sem assistência. Os encaminhamentos feitos vem sendo mais qualificados, minimizando a sobreposição de ações, com maior segurança no manejo de situações complexase na construção de estratégias ampliadas de intervenção.
A experiência vem confirmando que o matriciamento é uma tecnologia fundamental para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial frente ao aumento das demandas de sofrimento mental, compreendidas a partir das vulnerabilidades da vida.O sofrimento mental faz parte da existência humana e não deve ser resumido a quadros patológicos com seguimento exclusivo nos serviços especializados.
Matriciamento, saúde mental, Rede de Atenção Psico
VIRGINIA GARCIA LEME, GISELE PAIVA DOS SANTOS, RENATO MORENO DO AMARAL, CRISTIANA BEATRICE LYKOUROPOULOS, MARIA ESTELA FARIAS, ANA LAURA MORCINA DE OLIVEIRA, GUSTAVO ARAMAKI DANTAS, ANA CAROLINE LEME DE MORAES