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No campo da saúde mental, o Matriciamento é compreendido enquanto um processo de trabalho interdisciplinar, com práticas e técnicas que exigem integração, comunicação e construção do conhecimento, pois este modelo de atuação parte de uma perspectiva construtivista, a qual prioriza a reconstrução de pessoas e processos em virtude da interação dos sujeitos com o mundo e entre si. (CHAZAN; FORTES; ALMEIDA JÚNIOR, 2020; GONÇALVES, 2011). O apoio matricial se diferencia do atendimento realizado por um especialista da unidade básica de saúde (UBS), pois seu papel é de ofertar suporte técnico especializado da saúde mental a uma equipe interdisciplinar da atenção básica, a fim de agregar capacitação e maior conhecimento em seu campo de atuação, aperfeiçoando, sua prática. Representa a articulação da equipe dos profissionais da Saúde Mental com profissionais da Atenção Básica, através da discussão de casos complexos em decorrência do sofrimento psíquico, os quais necessitam de acompanhamento da rede (CHAZAN; FORTES; ALMEIDA JÚNIOR, 2020; GONÇALVES, 2011).
A realização do Matriciamento visa transformar a lógica tradicional dos sistemas de saúde: encaminhamentos, referências e contra referências, protocolos e centros de regulação, priorizando ações mais horizontais, as quais complementam os elementos e seus saberes nos diferentes níveis assistenciais da Saúde Mental.
O Matriciamento teve início no período de 2018, passando por diversas transformações até o modelo adotado atualmente. No início de 2024, os encontros mensais que inicialmente foram estruturados de forma virtual. Entretanto, avaliando a importância do Matriciamento para o trabalho em rede, em abril do mesmo ano os encontros entre as equipes de saúde mental e atenção básica, passaram a ser presenciais na última quinta-feira de cada mês, enriquecendo o compartilhamento de saberes e suporte técnico entre os profissionais. Os encontros se tiveram a participação da Coordenação de Saúde Mental e Coordenação Médica, dos Coordenadores Técnicos dos CAPS Adulto, CAPS Álcool e Drogas, CAPS Infanto-Juvenil, Médicos e Profissionais das Unidades Básicas de Saúde, Equipe Multiprofissional do EMADE. Apesar da necessidade de outros profissionais da saúde fazerem parte deste encontro, o Matriciamento ocorreu com a presença da equipe médica e de enfermagem na maioria dos encontros. Para realização dos encontros adotou-se as seguintes atividades: apresentação das equipes e da proposta central do Matriciamento; discussão de casos clínicos que necessitam de trabalho e intervenção em rede; devolutiva das ações realizadas pelas equipes com o desfecho do caso, bem como os direcionamentos para outras secretarias quando necessário.
A realização do Matriciamento através dos encontros e reflexões conjuntas dos profissionais da Saúde, possibilitou maior fortalecimento do trabalho em rede, comunicação e interação entre as equipes da Saúde Mental e da Atenção Básica para articulação e construção do cuidado integral das pessoas com sofrimento psíquico. Os encontros foram promotores de trocas de saberes e experiências das equipes, com maior reflexão para a corresponsibilização do cuidado em rede, pois a Atenção Básica se constitui na porta de entrada da Saúde Mental.
Este trabalho teve por objetivo apresentar a importância do Matriciamento no trabalho em rede para assistência e cuidado aos indivíduos com transtornos mentais. Em Cotia, implantação do Matriciamento como prática fundamental no cuidado em Saúde Mental passou por algumas transformações, impactando no olhar e assistência para o paciente psiquiátrico na Atenção Básica. As reuniões para realização do Matriciamento, inicialmente eram restritas ao espaço dos CAPS, tendo-se se ampliado ao modelo que foi estruturado em 2024, a partir da necessidade da efetiva atuação em rede. O Matriciamento ainda necessita de ampliação e participação das equipes de saúde, tendo em vista que uma pessoa em sofrimento psíquico intenso, não está apenas nos CAPS, muitas vezes ela procura a Unidade de Saúde mais próxima de sua moradia. Diante desta realidade, fica evidente a importância dos encontros entre os profissionais para continuidade do apoio matricial na assistência ao indivíduo com transtorno mental.
MATRICIAMENTO SAÚDE MENTAL ATENÇÃO PRIMÁRIA
SAMANTA DA SILVA CARIOCA, PEDRO HENRIQUE JARDIM, EUCLIDES LUIZ SGALLA