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Não existe nenhuma novidade em falar de PTS e saúde mental, aliás, esses dois assuntos são quase um binômio! Mas então qual a novidade que Ubatuba está trazendo ao falar sobre matriciamento de PTS? Eis que explicamos: Após anos tentando encontrar uma conformidade, uma interação junto a Atenção Primária de Saúde (APS) e junto a rede intersetorial, decidimos que deveríamos inverter a ordem das coisas: Considerando que o paciente NÃO É do CAPS, considerando que o paciente mora no território e considerando que o território é o local onde a vida acontece, onde as interações se desenvolvem e onde as pessoas vivem, por que não criarmos um PTS que priorize instrumentos específicos da APS para realizarmos a GESTÃO integral do cuidado desse paciente? Esse trabalho justificou-se na necessidade de criar um instrumento onde todos os níveis de complexidade de saúde e todos os atores intersetoriais envolvidos se sentissem contemplados na condução da realização de um PTS, principalmente a ESF, que é a ordenadora dos serviços de saúde. Essa iniciativa foi realizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS) de Ubatuba, em parceria com a APS e Especialidades da Saúde.
Desenvolver um instrumento onde todos os níveis de complexidade de saúde e todos os atores intersetoriais envolvidos se sentissem contemplados na condução da realização de PTS e matriciar toda a rede para o seu pleno uso.
Desenvolvimento de um instrumento que contivesse os seguintes itens: Designação de um gestor do PTS, Identificação com todos os dados, Rede e Equipamentos envolvidos, Diagnóstico situacional, Ações clínicas realizadas, Demanda do paciente e sua família, Genograma e Ecomapa, Avaliação de Vulnerabilidades através da escala de Coelho e APGAR familiar, Parecer Social, Diagnóstico e história natural da doença e metas baseadas na ferramenta de gestão 5W2H, com datas de reavaliações sistemáticas das metas e interações. Matriciamentos das unidades de ESF, Conselho Tutelar, CREAS, Santa Casa, CRAS, Ministério Público, CAPS 1, CAPS AD e CAPS i, UNIR, CEO e CEM, realizando oficina de preenchimento do PTS com todas as equipes, incluindo a oficina de Genograma e Ecomapa, ensinando-os a realizarem a representação gráfica de suas famílias.
Conseguimos matriciar in loco todos os públicos a qual nos comprometemos, exceto o Ministério Público (devido o recesso dos serviços em dezembro) e Santa Casa, porém ambos já se mostraram receptivos aos matriciamentos, inclusive agendaram matriciamentos. A experiência se mostrou muito profícua no sentido de unificar/padronizar um instrumento para a condução de casos que envolvam muitos atores, a aceitação foi questionada no início, mas ao serem matriciados percebeu-se as vantagens de pactuações intersetoriais, inclusive as metas e a participação ativa do paciente dono do PTS -importante sempre frisar que o PTS é do PACIENTE, ou seja: o mesmo deve ter participação ativa em todo o processo de construção do mesmo, afinal, é DELE, e para ELE, portanto: Nada para o Paciente sem a participação do Paciente!
O PTS é um instrumento que foi criado a partir de demandas dos pacientes da saúde mental, trata-se de um poderoso guia de GESTÃO do cuidados de toda a rede que acompanha o paciente, e este paciente se beneficia através da individualidade e personalização do instrumento às suas realidades, necessidades e demandas específicas. Os matriciamentos foram bem produtivos, muitos não conheciam Genograma e Ecomapa, tampouco os dois instrumentos de avaliação de Vulnerabilidades (Escala de Coelho e APGAR familiar) e demonstraram muito entusiasmo em aprender a usar os mesmos, foram oficinas muito dinâmicas e os que se mostraram os maiores entusiastas desse instrumento foram os Conselheiros Tutelares, os profissionais do CREAS e CRAS e os Agentes Comunitários de Saúde – E confessamos: esses achados nos surpreenderam! O caminho ainda está sendo percorrido, mas consideramos uma grande mudança nos processos de trabalho quando as equipes sugerem a “construção de um PTS” para acompanhar um caso, esse instrumento unificado e padronizado nos possibilita o pleno exercício da integralidade no cuidado, e também a autonomia do paciente em participar das ações que ele ajudou a criar, para a a gestão do seu cuidado intersetorial e multidisciplinar.
Gestão de cuidadeo, PTS, Intersetorialidade, CAPS.
MARIA OLIVIA PIMENTEL SAMERSLA, AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, Alessandra Regina de Souza Santos, Sérgio Vogel