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A Atenção primária tem como principal objetivo ser a porta de entrada do usuário ao Sistema Único de Saúde. Sendo as equipes de ESF importante equipamento de saúde pública para qualificar a assistência nos territórios. O matriciamento se afirma neste contexto com a construção de unir competências técnicas dos diferentes pontos da rede de assistência e assim elaborar estratégias para garantir o acesso e a integralidade do cuidado dos usuários dentro do território para o enfrentamento do desafio de construir um plano estratégico para a saúde do município. O município de Paraibuna, pelo seu porte, Área: Total: 811,7 Km², Urbana: 25 Km² e Rural: 86,7 Km², tem sua rede de saúde estruturada na Atenção Primária à Saúde (APS) consolidada na Estratégia de Saúde da Família (ESF). Atualmente, são 6 equipes de Saúde da Família atuando no território, com 42 Agentes Comunitários de Saúde, 12 Auxiliares de Enfermagem, 6 Enfermeiros e 6 Médicos Generalistas, com cobertura de 92,21% da população; 6 equipes de Saúde Bucal, com cobertura de 100% da população. Os serviços de Atenção Básica são realizados em 01 Posto de Saúde Central, que conta com o atendimento de outras especialidades o que torna pela extensão territorial rural a necessidade da construção do matriciamento e requer novas praticas com mudanças profundas, não mais um cuidado fragmentado, mas a exigência de uma parceria entre os usuários e as equipes responsáveis pelo cuidado.
Sendo os princípios do SUS a equidade, a universalidade e a integralidade na assistência, possibilitar o acesso qualificado às famílias vulneráveis do território é de suma importância e foi com esse objetivo que a gestão municipal não poupou esforços para esse trabalho de matriciamento, onde o médico Psiquiatra junto com a equipe de ESF realizaram um trabalho integrado na assistência junto a essa família. Aspirando então o reconhecimento da realidade, a gestão municipal acionou os membros das ESF referência para essa família e o profissional médico psiquiatra do município para a VD e a assistente social do CAPS. A família Marcelino se constitui de 5 integrantes, sendo 4 deles com diagnósticos psiquiátricos sem cuidado e tratamento adequado. Em sua construção encontra-se o progenitor Messias o qual também é hipertenso e não adere a tratamento, sendo seus cuidados médicos reservados ao farmacêutico da outra cidade. Messias tem 4 filhos, com vários diagnósticos de transtornos mentais.
Com a necessidade de alcançar a população rural nos serviços especializados, foi proposto pelo Departamento de Saúde uma reunião no CAPS para entendimento de quais intervenções seriam necessárias para iniciarmos o matriciamento, dentre as principais dificuldades entende-se que o prontuário eletrônico unificado seria primordial. O diagnóstico realizado pelas equipes situacional nos trouxe a informação de 453 prontuários de Saúde Mental abertos, sendo necessária imediata realocação de casos para o atendimento no território. Entretanto tivemos que eleger um caso prioritário de acordo com a gravidade, urgência e importância, com um descritivo da situação houve uma analise e elaborado as providencias para o matriciamento. Devido ao difícil trajeto foi necessário um veículo oficial com tração suficiente para o percurso, uma ambulância. Para o matriciamento contou-se com: auxiliar de enfermagem, a ACS, assistência social, enfermeira, médica de MFC, médico psiquiatra e motorista. As diferentes esferas da saúde unidas foram essenciais para a discussão e planejamento da abordagem bem como a explicação e apresentação do caso do ponto de vista a atenção primária. Com as dificuldades inerentes ao percurso, inclusive uma arvore caída que quase impediu de continuar o trajeto, conseguimos chegar a residência da família Marcelino para os atendimentos básicos, assistente social, medico da família e psiquiátrico, todos os usuários foram atendidos, ouvidos e examinados.
Exemplificando com um ação exitosa a partir da necessidade de um atendimento qualificado em saúde mental para uma família onde todos os entes são diagnosticados com patologias psiquiátricas e considerando ser uma família com grau 3 de risco na escala de vulnerabilidade social e residentes em bairro na zona rural muito afastado da cidade, foi que buscamos a ferramenta do matriciamento para garantir a os cuidados necessários a essa família. Após o atendimento e retorno a unidade, que levou em torno de 5 horas, foi feito pausa para o almoço, em seguida reunião entre todos os participantes da visita para a discussão clínica do caso. De forma social foi sugerido a tentativa de conseguir auxílio financeiro devido as comorbidades de A. e Ad. Foram feitos ajustes terapêuticos nas medicações de todos os usuários tanto pela psiquiatria quanto pela medicina de família e discutido formas com a enfermagem da coleta de exames complementares. Desta forma, todos os usuários foram atendidos de forma integral e traçado um plano terapêutico individual e familiar em conjunto. Em decorrência desta visita e de suas decisões, não houve novamente uma novo surto psicótico de A., e Ad., os exames colhidos posteriormente revelaram uma anemia grave de L. que foi necessário a transfusão de sangue e posteriormente investigação etiológica desta anemia grave e devido à resistência ao tratamento do Senhor M. , se fez necessário convocar o restante dos familiares para responsabilidade do cuidado.
Assim foi possível trazer estes usuários que persistiam à margem dos cuidados necessários para serem incluídos para serem assistidos de forma integral e ampla por todos os aspectos que envolvem a saúde de um indivíduo. Em analise do matriciamento as concepções trazidas as equipes trouxeram um novo olhar de cuidado, onde toda a comunidade local será atendida de maneira integral com o cuidado colaborativo, com propostas e desenvolvimento de praticas entre os Atenção Básica integrando os saberes e competências apoiando na tomada de decisão e na elaboração do PTS – Plano Terapêutico Singular. O município já está realizando através de um grupo no aplicativo WhatsApp o matriciamento com o Centro de Referência de Especialidades do AME-SJC, onde é discutido novos protocolos clínicos e necessidades do município, com 3 encontros anuais com especialistas e APS. Serão realizados encontros bimestrais presenciais entre os especialistas do município e profissionais da Atenção Primária à Saúde para discussão de casos e já estão acontecendo as visitas do Psiquiatra e da Ginecologista nos territórios para discussão de casos e matriciamento aumentando a integração das equipes de saúde mental, especilidades e equipes da ESF.
Atenção Básica, Matriciamento, cuidado integrado.
ELIETE MARIA NOGUEIRA, ROSELY CORREA SANTOS