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Este trabalho relata a experiência no território de Ermelino Matarazzo na implementação do matriciamento em saúde entre Polo de Curativo e Unidade Basica de Saúde, com foco no cuidado às pessoas com lesões de difícil cicatrização, realizada no período de 10/2024 a 10/2025. A iniciativa descrita em nota técnica da Implantação do polo de curativo motivada pela alta demanda de atendimentos relacionados a pessoas com feridas crônicas, que totalizavam mais de 2.368 casos no território, além da necessidade de manejo adequado de mais de 50 tecnologias e suas especificidades. A ausência de acompanhamento especializado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) resultava em encaminhamentos excessivos para a atenção secundária, sobrecarregando os serviços especializados e prolongando o tempo de espera dos pacientes. Diante desse cenário, a introdução do matriciamento com especialistas em estomaterapia teve como objetivo capacitar os profissionais da APS, garantindo um atendimento qualificado nas unidades básicas e reduzindo a necessidade de encaminhamentos desnecessários. A experiência evidencia a importância do trabalho integrado e do compartilhamento de saberes entre os níveis de atenção, reforçando a capacidade resolutiva da APS e promovendo um cuidado mais eficiente e humanizado aos pacientes. Reforçando a importância da continuidade desse processo, destacando o legado do projeto, servindo de base para ações futuras.
O projeto tem como objetivos fortalecer a Atenção Primária por meio do matriciamento com o Estomaterapeuta, garantindo assistência qualificada e resolutiva aos pacientes com feridas difíceis de cicatrizar, e capacitar as equipes das UBS para o manejo adequado de feridas, visando reduzir encaminhamentos desnecessários à atenção especializada. Além disso, buscou-se implementar reuniões periódicas entre estomaterapeutas e equipes da APS para discussão de casos, planejamento de ações e aprimoramento contínuo do cuidado. Outro foco foi reduzir o tempo de espera para atendimento especializado, agilizando o acesso aos serviços de saúde e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. O projeto também promoveu um cuidado integral e humanizado, alinhado aos princípios do SUS, com foco na prevenção, tratamento e reabilitação, e reforçou a busca ativa de pacientes com risco de pé diabético, identificando precocemente casos que demandam intervenção especializada.
O projeto foi desenvolvido em parceria entre a APS e a Atenção Especializada, com foco no cuidado de pacientes com feridas crônicas ou de difícil cicatrização. Inicialmente, foi realizado um levantamento do número de casos atendidos nas UBS, identificando-se que muitos pacientes eram encaminhados diretamente para a atenção especializada pelas dúvidas e dificuldade no manejo pelos enfermeiros da APS, o que aumentava as filas e o tempo de espera. Para qualificar o manejo desses casos, foram promovidos encontros presenciais de capacitação com a estomaterapeuta, permitindo identificar gargalos e oportunidades de melhoria no fluxo. Além disso, casos complexos foram discutidos em reuniões de matriciamento, com apoio do especialista, visando aprimorar a resolutividade e reduzir encaminhamentos desnecessários. Um calendário fixo foi estabelecido para garantir a continuidade dessas discussões e ajustar a estratégia conforme as necessidades. O impacto foi monitorado por meio de indicadores de atendimento e resolutividade, visando as unidades com mais dificuldade ou que tivessem mais colaboradores não matriciados e quantitativos grandes de pacientes, que orientaram decisões para o aprimoramento do projeto. Paralelamente, fortaleceram-se os cuidados domiciliares, com visitas regulares das equipes de saúde da família para monitorar e prevenir complicações. Para garantir a sustentabilidade, houve uma alocação adequada de recursos e a promoção de treinamentos contínuos para as equipes.
O matriciamento das Unidades Básicas de saúde realizado pelo estomaterapeuta demonstrou ser uma estratégia para melhorar a efetividade dos desfechos clínicos e a cicatrização de pacientes com feridas crônicas ou de difícil de cicatrizar. Com a cobertura de 76,92% das 12 unidades básicas de saúde do território de Ermelino Matarazzo, a iniciativa promoveu maior segurança e resolutividade no atendimento dentro da Atenção Primária (APS), reduzindo o tempo de espera para serviços especializados e prevenindo complicações graves através de um melhor prognóstico. No total, 150 profissionais da APS foram capacitados, com foco naqueles que possuem maior exposição direta ao manejo de lesões: 45 enfermeiros (30%) e 60 técnicos de enfermagem (40%). Esta qualificação permitiu que o conhecimento técnico chegasse à assistência direta nas 13 unidades matriciadas. Foram realizados 2.368 atendimentos aos usuários em tratamento curativo, cobrindo 76% do território. Os registros apontam 1.250 procedimentos em salas de curativo, com uma média de 96 agendamentos por unidade. O impacto na rede foi evidente, com uma redução de 40% nos encaminhamentos para a atenção especializada em comparação ao período pré-projeto, otimizando o fluxo e os recursos públicos. A adoção de assistência especializada garantiu uniformidade no manejo das feridas, permitindo um uso mais eficiente de insumos.
O matriciamento das Unidades Básicas de saúde realizado pelo estomaterapeuta qualificou a APS, melhorando a assistência a pacientes com feridas crônicas ou difíceis de cicatrizar. A estratégia fortaleceu a colaboração entre especialista e equipes, tornando o atendimento mais resolutivo e humanizado, evitando a fragmentação da assistência. Sua ampliação pode consolidar esse modelo, beneficiando a população e fortalecendo o SUS. Os resultados servem como base para replicação em outros territórios. Conforme a Portaria GM/MS nº 3/2017, o matriciamento se alinha à Integração Vertical da RAS, promovendo a articulação entre níveis de atenção sob gestão única, garantindo cuidado contínuo e acesso a tecnologias adequadas. A experiência reorganizou fluxos e qualificou a APS, considerando a alta demanda local. O impacto positivo inclui maior resolutividade das UBS, acesso oportuno ao cuidado especializado e capacitação da equipe. Além de eficiente, o modelo pode inspirar outros municípios. Sua inovação integra especialistas diretamente na APS, ampliando o acesso equitativo e promovendo um cuidado mais eficaz.
ESTOMATOTERAPIA e FERIDAS CRONICAS
VIVIANE HELENA DIAS DE MELO, SAMANTA PEREIRA LIMA DA SILVA, EVELIN TEO VASCONCELLOS SANTANA DE SOUZA