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O uso de Testes Rápidos (TR) para diagnóstico de HIV, Sífilis e Hepatites B e C, constitui-se como um dos principais recursos para detecção precoce e acesso ao tratamento destes agravos no Sistema Único de Saúde (SUS). No município de Diadema/SP, desde 2015, a testagem rápida foi implantada na rotina de acolhimento das 20 UBS, ofertada sob livre demanda e no acompanhamento de gestantes e suas parcerias. Não obstante, testar e aconselhar requer do profissional uma gama de conhecimentos, treinamento e postura ética que ofereçam segurança técnica e afetiva no processo de revelação diagnóstica, a despeito de práticas mecanizadas, estigmatizantes e produtoras de exclusão. O Programa Municipal de IST/AIDS e Hepatites Virais de Diadema (PM IST/AIDS/HEP), entre suas atribuições tem como escopo de trabalho a supervisão da prática de testagem e aconselhamento nos polos de oferta, bem como a implementação de educação permanente para atualização dos protocolos de coleta, descarte, ergonomia, biossegurança, ética e sigilo. Para isso, o PM IST/AIDS/HEP juntamente com a Coordenação de Atenção Básica (CAB) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) desenvolveram uma tecnologia leve denominada Matriciamento em Testagem Rápida e Aconselhamento, sendo este um espaço de construção de saberes compartilhados em prol do aperfeiçoamento da prática e oferta de serviços.
Qualificar e aprimorar a prática de TR para o diagnóstico de HIV, Sífilis e Hepatites B e C, bem como do aconselhamento em prevenção combinada de HIV, Hepatites Virais e outras IST.
1ª Etapa (fevereiro a dezembro/2022): 02 visitas por UBS para escuta, esclarecimento de dúvidas e orientações sobre Aconselhamento em IST e prevenção combinada, pluralidade sexual, hierarquia de risco, ética e sigilo profissional e fluxos de atendimento na rede; observação in loco dos atendimentos e um breve treinamento de Testagem (demonstração da prática almejada, chamada padrão ouro) visando excelência na coleta do material, uso adequado dos instrumentos, descarte de materiais infectantes e cuidados de biossegurança e ergonomia; 01 Devolutiva individual com as gerências e 01 devolutiva ampliada à CAB nas quais se apresentou uma avaliação da qualidade da testagem e do aconselhamento, destacando-se aspectos favoráveis e a serem melhorados, tendo como possibilidade oferta de treinamentos no CTA do Centro de Referência de IST/AIDS bem como futuros diálogos ampliados dentro das equipes acerca dos temas trabalhados, num processo de educação continuada. 2ª Etapa (março a dezembro/2023): 01 visita por UBS, com objetivo de realizar atendimento compartilhado com profissionais de testagem e aconselhamento, de forma pontual, subsidiando-os tecnicamente in loco. Após o atendimento, realizou-se roda de conversa com a gerência e equipe sobre o aperfeiçoamento de procedimentos, protocolos, fluxos, entre outros aspectos a serem melhorados na assistência ofertada aos pacientes testados sob procura espontânea, encaminhados via avaliação de outros profissionais ou nas ações extramuros.
Participaram deste processo 153 profissionais das 20 unidades básicas de saúde, entre eles, enfermeiras/os, técnicas/os de enfermagem, psicólogas, médicas/os, dentistas, farmacêuticas/os, administrativos e as respectivas gerências. Tanto nos diálogos com as equipes multidisciplinares, quanto na observação dos atendimentos, foi possível identificar carência de conhecimentos técnicos para o diagnóstico de IST; dificuldade em abordar temas relacionados à sexualidades, gêneros, praticas sexuais não convencionais, prevenção combinada, redução de danos, hierarquia de risco; e presença de falas moralistas e estigmatizantes. Diante de tais fragilidades, debruçamo-nos sobre elas, refletindo e apresentando conceitos, portarias e alternativas de aconselhamentos favoráveis à adesão e vinculação de pacientes reagentes nos testes, bem como o acesso à profilaxias mais assertivas de acordo com a autonomia e escolha do sujeito. A observação da testagem permitiu a identificação de falhas na execução dos testes rápidos no que se refere à coleta do material, impactando na validação do teste, bem como no que se refere à ergonomia e biossegurança. Os treinamentos in loco permitiram a correção de falhas de coleta e atualização dos protocolos de registro, emissão de laudos e biossegurança, sendo observada no segundo ano melhora significativa na execução em 100% das unidades e diminuição nos acidentes de trabalho em contexto de testagem (esguicho de sangue nos olhos/boca por não uso de EPIS).
O Matriciamento mostrou-se uma estratégia eficaz no processo de permanente qualificação da prática de testagem e aconselhamento, além de mostrar fragilidades decorrentes de vícios de condutas, falta de atualização de normas e procedimentos, e ainda, preconcepções excludentes e estigmatizantes. Outrossim, a cooperação técnica entre profissionais do Programa Municipal de IST/AIDS e Atenção Básica promovida pelo Matriciamento, impactou diretamente na melhoria do serviço prestado à população, às condições de biossegurança e ergonomia, aconselhamentos mais humanizados e fomentou nas equipes a necessidade de reflexão constante acerca dos temas sexualidade, gênero e prevenção combinada ao HIV, Hepatites Virais e outras IST.
Matriciamento, Teste Rápido, Aconselhamento, HIV
WILLIAM CRISTOFFER DE SOUZA, GABRIELA GOUVEIA DE LIMA, Alexandre Yamaçake