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A partir da Reforma Psiquiátrica, os modelos de cuidado em saúde mental passaram por significativas transformações com fechamentos de manicômios, implantação da rede de atenção psicossocial e de instauração de novas práticas como o matricialmente entre unidades especializadas (Centros de Atenção Psicossocial) e unidades básicas de saúde (UBS), centrando o território como local de cuidado e potencial de recursos. O matricialmente na saúde mental se propõe a ser um instrumento com proposta de intervenção pedagógica- terapêutica. Essas ações iniciaram há dois anos a partir das intensificações no território, norteados pelo princípio de equidade, conforme previsto no Sistema único de Saúde (SUS) levando mais a quem mais precisa, num contexto de uma população com alta vulnerabilidade social e pouco ou nenhum acesso aos serviços públicos de saúde, assistência, educação entre outros.
Sensibilizar equipes para prática do matricialmente da saúde mental na atenção básica, com execuções criativas e norteadas pelos princípios do SUS. Apresentar resultados a partir de um processo de construção compartilhada por meio do matricialmente entre CAPS AD II Ermelino e a Unidade Básica de Saúde Jd Keralux, entre outros serviços da rede.
Após final da pandemia da COVID19, reiniciamos as atividades de matriciamento e grupos, as equipes realizaram levantamento de prontuários em busca, à época havia apenas 14 prontuários do território do Jd Keralux, consideramos um baixo número e poucos usuários estava acessando serviço e/ ou possuíam telefone. Agendamos reunião com UBS, estabelecemos um calendário com rotinas quinzenais, após salto quantitativo de usuários aumentamos nossa disponibilidade e atualmente estamos com ações semanais no território, tais como atendimento individual, atendimento compartilhado, visitas domiciliares, grupos terapêuticos, oficinas, passeios, ações de educação em saúde, reunião com equipe e formação aos trabalhadores com foco na redução de danos. Mesmo em um território com poucos recursos, estabelecemos parcerias com outros atores do território como Associação de moradores, restaurante popular, CCA, CREAS, UPA, sendo de vital importância para os resultados obtidos.
Contatamos que havia uma demanda reprimida, em dois anos tivemos um aumento de 14 para 82 de usuários cadastrados e a maior parte deles ativos com Projeto Terapêutico Singular em curso e contrato de cuidados atualizados, importante redução de uso de substâncias, acesso a documentação pessoal, a justiça, a maternidade, educação, trabalho (Programa Operação Trabalho), a moradia transitória como a Unidade de Acolhimento Adulto (UAA), segurança alimentar e outras comorbidades a serem cuidadas em serviços especializados como SAE.
A experiência mostrou que as ações em apoio matricial com a participação da equipe multidisciplinar, amplia olhares e formas de cuidado, facilita a adesão dos usuários e cria novas perspectivas para o processo de reabilitação psicossocial.
Saúde Mental, Matriciamento.
Jorge Alves da Trindade Junior, Daniella de Araújo, Sandra Cristina Ribeiro da Silva, Silvia Maria Funchal, Jaiza Gomes Nogueira