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De acordo com o Ministério da Saúde, o matriciamento em saúde mental é uma ferramenta essencial para a qualificação do cuidado em saúde, promovendo a corresponsabilização entre profissionais e ampliando a resolutividade da APS. O modelo busca evitar a fragmentação do cuidado e garantir uma atenção integral, centrada no usuário. As diretrizes do SUS reforçam que o matriciamento deve estar alinhado com os princípios da Reforma Psiquiátrica e da Política Nacional de Saúde Mental, fortalecendo a atenção comunitária e reduzindo a dependência de serviços especializados de alta complexidade. Autores como Campos, Domitti e Onocko Campos destacam que o matriciamento não se restringe a repassar conhecimento técnico, mas sim a construir um espaço de troca e cogestão, onde profissionais compartilham responsabilidades e constroem soluções conjuntas para os desafios do cuidado em saúde mental. Esse modelo permite um atendimento mais humanizado e integral, reduzindo a medicalização excessiva e promovendo abordagens psicossociais mais eficazes. Este trabalho apresenta uma experiência exitosa de matriciamento em saúde mental realizado entre o Centro de Atenção Psicossocial, o serviço da Atenção Básica e estagiários de Medicina que atuavam no atendimento em saúde mental no território.
Demonstrar a importância da ferramenta do Matriciamento em Saúde Mental para gerar vinculo e produzir mudança no atendimento de usuários de Saúde Mental.
A experiência foi desenvolvida em um município de médio porte que enfrentava desafios na atenção à saúde mental, como introdução de alunos de medicina que iriam atender a rede de Atenção Básica, alta demanda por atendimentos psiquiátricos e dificuldade de acompanhamento contínuo dos pacientes. Para enfrentar esses desafios, foi implementado um modelo de matriciamento envolvendo o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades de Saúde que receberiam esses alunos. A estratégia para o matriciamento foi estruturada em dois eixos principais: Discussão de Casos e Apoio Técnico com reuniões quinzenais entre os profissionais do CAPS e das UBS para discutir casos específicos, definir condutas e fortalecer o vínculo entre as equipes; Atendimento Compartilhado de consultas conjuntas entre profissionais da APS e alunos de medicina com apoio do especialistas do CAPS para garantir um cuidado mais integral e personalizado aos pacientes.
A ferramenta do matriciamento propiciou uma redução do encaminhamento desnecessário para serviços especializados; maior resolutividade da APS no manejo de casos leves e moderados; melhoria na adesão ao tratamento por parte dos pacientes; aumento da integração entre os profissionais da APS e da saúde mental; promoção da desinstitucionalização e fortalecimento da atenção comunitária. Exemplificando essa trajetória podemos contar sobre usuário S.D., 48 anos, esquizofrênico, em uso de muitas medicações e com uma alteração de pressão severa e um edema de MMII com saída de liquido, mãe solicita visita da equipe da ESF. Várias foram as tentativas em realizar essa ação porem todas sem sucesso, porque dificuldade de entendimento da mãe, pela negação do usuário em entender sobre o que era a visita e por sempre os dois viverem muitos sozinhos. No dia do matriciamento foi trazido o assunto: “já tivemos várias vezes lá mas nem do quarto ele deixa nos aproximar, então esse caso é para o CAPS”. Foi construído planos como visita conjunta CAPS e AB, visita compartilhada, identificação da relação problemas e subjetividade do caso. Tudo feito e o resultado foi a necessidade de internação clínica para tratar problemas vasculares importantes e regular a Pressão arterial. Assim essa construção conjunta pode ressaltar a importância do matriciamento como ferramenta eficaz de planejamento, desenvolvimento e ação entre AB e CAPS.
O matriciamento em saúde mental se mostrou uma ferramenta essencial para a melhoria da qualidade do atendimento na APS, garantindo maior resolutividade e integração entre equipes. O trabalho conjunto entre profissionais do CAPS, da Atenção Básica e alunos de Medicina possibilitou uma abordagem mais abrangente e humanizada, contribuindo para a redução de encaminhamentos desnecessários e maior adesão ao tratamento pelos usuários. A experiência descrita reforça a necessidade de continuidade e ampliação dessa estratégia, permitindo que mais municípios adotem essa abordagem para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial. Dessa forma, o matriciamento não apenas qualifica o cuidado, mas também promove uma transformação estrutural na maneira como a saúde mental é abordada no contexto da APS.
Matriciamento, ensino e serviço
VANESSA DE OLIVEIRA SILVA CARVALHO, DENISE TEIXEIRA DE OLIVEIRA CALÔNICO