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A tuberculose permanece como relevante problema de saúde pública, demandando articulação estruturada entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde (APS) para assegurar diagnóstico oportuno, acesso qualificado ao tratamento e prevenção do abandono terapêutico. Nesse contexto, a Assistência Farmacêutica (AF) ultrapassa a dimensão logística e assume papel estratégico na coordenação do acompanhamento medicamentoso ao longo do tratamento. No município de Catanduva-SP, os serviços farmacêuticos atuam de forma integrada à Vigilância Epidemiológica, estruturando um processo que contempla todo o percurso terapêutico da tuberculose e da infecção latente — desde a notificação compulsória e registro no sistema TBWEB até o acompanhamento mensal da adesão e dos desfechos clínicos. Essa articulação favorece a vigilância ativa, qualifica o uso dos medicamentos do componente estratégico e garante apoio técnico permanente às 23 Unidades Básicas de Saúde, todas com farmacêuticos inseridos nas equipes. A relevância desta experiência está em evidenciar a AF como eixo estruturante da vigilância do tratamento medicamentoso, contribuindo para a integralidade da atenção, a prevenção de problemas relacionados à farmacoterapia e o fortalecimento da condução municipal das ações de controle da tuberculose.
Descrever a articulação entre os serviços farmacêuticos da Atenção Primária, a coordenação da Assistência Farmacêutica e a Vigilância Epidemiológica na organização do acesso, acompanhamento e atenção contínua às pessoas com tuberculose em Catanduva, evidenciando sua contribuição para qualificação do uso de medicamentos, redução do abandono terapêutico e melhoria dos resultados em saúde.
Trata-se de relato de experiência, de natureza descritiva, sobre a organização dos serviços farmacêuticos na coordenação municipal da atenção contínua às pessoas com tuberculose em Catanduva-SP. O projeto teve início em 2022 e ocorre de forma integrada entre a Coordenação da Assistência Farmacêutica e a Vigilância Epidemiológica, envolvendo as 23 Unidades Básicas de Saúde do município, todas com farmacêuticos inseridos nas equipes de Atenção Primária à Saúde (APS). O tratamento da tuberculose ou da infecção latente inicia-se com notificação compulsória e registro no TBWEB, seguido de acompanhamento mensal sistemático para prevenir abandono terapêutico. O farmacêutico da unidade encaminha a solicitação à Coordenação da AF, que realiza conferência técnica da posologia (peso, esquema e tempo de uso) antes do envio ao Departamento Regional de Saúde para trâmite administrativo. Os medicamentos do componente estratégico são fornecidos pelo Ministério da Saúde, via CGAFME/DAF/MS. Após recebimento na Central de Abastecimento Farmacêutico, os medicamentos são distribuídos às unidades, onde ocorre acompanhamento clínico compartilhado. A coordenação mantém monitoramento contínuo por meio do controle de doses supervisionadas, vigilância de contatos e avaliação periódica de prontuários, além de promover educação permanente diante de fragilidades identificadas.
A atuação integrada dos serviços farmacêuticos estruturou a atenção contínua à tuberculose, fortalecendo a vigilância do uso de medicamentos e a adesão ao tratamento. As ações desenvolvem-se em quatro dimensões: 1.Cuidado farmacêutico, com prevenção e resolução de problemas relacionados à farmacoterapia e matriciamento das equipes; 2.Coordenação da AF na APS, envolvendo planejamento, acompanhamento e avaliação das ações; 3.Análise da utilização de medicamentos, qualificando a prática clínica e os desfechos assistenciais; 4.Gestão do conhecimento, com disseminação de informações técnicas atualizadas e apoio aos processos formativos. O fluxo estabelecido entre notificação, análise técnica das prescrições, logística do componente estratégico e acompanhamento sistemático promoveu maior integração entre coordenação e equipes assistenciais. Como resultado, o município alcançou taxa de cura de 95% em 2022, superando a meta nacional de 85%. Em 2024, manteve taxa de cura de 85% entre os confirmados, sem registro de óbitos no período avaliado, além de reconhecimento estadual em 2025 pelo desempenho no controle da doença. Esses achados demonstram a efetividade do diagnóstico precoce, do seguimento na APS e da articulação intersetorial na condução terapêutica.
A experiência evidencia que a articulação entre Assistência Farmacêutica e Vigilância Epidemiológica fortalece a condução municipal da tuberculose ao estruturar o acompanhamento medicamentoso de forma contínua, sistematizada e centrada no usuário. A descentralização dos farmacêuticos nas unidades, associada à coordenação central da AF, qualificou o acesso aos medicamentos do componente estratégico, intensificou o acompanhamento da adesão e ampliou o suporte técnico às equipes multiprofissionais. Organizados nos eixos do cuidado clínico, coordenação da AF, análise da utilização de medicamentos e gestão do conhecimento, os serviços farmacêuticos mostraram-se essenciais para prevenir a interrupção terapêutica, promover o uso racional de medicamentos e alcançar melhores resultados sanitários. A elevada taxa de cura e o reconhecimento estadual reforçam que a vigilância do tratamento medicamentoso, integrada à Atenção Primária, constitui estratégia central para o controle da tuberculose e para o aprimoramento da gestão local em saúde.
Tuberculose, Vigilância, Assistência Farmacêutica
LARISSA FRANCIELLI DE SOUZA SILVA