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O MedMelodia promove o conhecimento e o aperfeiçoamento da formação dos alunos, através de uma visão ampla da medicina, valorizando a arte como meio para o cuidado com o paciente. O projeto, que iniciou em fevereiro de 2024 e permanece ativo atualmente, conta com 56 alunos dos cursos de medicina, biomedicina, enfermagem e psicologia da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE), localizada no município do Guarujá. Ademais, as ações do MedMelodia são voltadas para o público do Hospital Santo Amaro (HSA), além de casas de repouso, casas de reabilitação e eventos de saúde comunitários. Levando em conta os princípios universais do SUS, o projeto alcança a integralidade quando leva alegria e bem-estar aos pacientes, contribuindo para essa visão ampliada de cuidado. Com as atividades lúdicas e interativas, o projeto fortalece a relação de um atendimento mais acolhedor e respeitoso, comunicando com a humanização prevista no SUS. Também envolve a universalidade quando as ações são realizadas a todos os cidadãos, independente de condição social e a participação social, quando alcança a participação social e voluntária, fortalecendo a promoção da saúde. A importância de se estabelecer um projeto como esse é trazer humanização para o ambiente hospitalar, complementar o tratamento médico e desenvolver habilidades nos voluntários participantes.
Diminuir o estresse e ansiedade dentro dos hospitais, tanto dos profissionais quanto dos pacientes, por meio da participação ativa de atividades artísticas. Melhorar a qualidade de vida de todos os profissionais, pacientes e alunos que estiverem presentes durante as sessões, fazendo-se valer um tratamento e um cuidado mais humanizado. Promover a comunicação, a empatia e a confiança entre profissionais de saúde e pacientes. Proporcionar aos futuros profissionais a oportunidade de vivenciar a humanização da prática profissional e desenvolver habilidades socioemocionais.
Primeiramente, as vagas foram sorteadas entre os interessados, aplicando capacitações e reuniões quinzenais durante o semestre para melhor entender as demandas dos alunos e propor estratégias de melhoria para o projeto. As visitas foram feitas na enfermaria do HSA, contemplando um total de 10 quartos, contendo pacientes e acompanhantes, com 6 leitos. Na hemodiálise, contendo profissionais escalados do dia e três turmas de hemodiálise com 20 pessoas por turno. No ano de 2024, as ações foram distribuídas e realizadas em 15 finais de semana, sendo que, na maioria deles, haviam ações simultâneas de grupos diferentes em setores diferentes. As visitas duraram em torno de 4 horas, todos os sábados, salvo os próximos a semanas de prova. Fora do contexto hospitalar, também foram feitas algumas ações na casa de idosos Novo Lar Guarujá, onde os alunos tiveram a oportunidade de interagir e levar brincadeiras e cantigas de roda aos que estavam presentes. Durante o projeto, foram apresentadas músicas de diversos gêneros, além de uma variedade de textos, histórias, teatros curtos criados pelos alunos e poesias para todos os pacientes das alas, com variações de instrumentos e histórias, sendo que, a escolha do conteúdo foi feita tanto pelos membros de equipe, quanto pelos pacientes e profissionais do HSA. Durante o semestre, foi oferecido aos participantes a oportunidade de participar de algumas capacitações que, por conta da arrecadação monetária das rifas, foram gratuitas aos participantes
Em média, sem contabilizar pacientes de visitas extras da hemodiálise e a equipe profissional escalada do dia, aproximadamente, 2100 pessoas foram alcançadas pelo projeto. Muitos relatos e histórias foram contadas aos participantes e devidamente anexadas nas atas do projeto. Sobre as experiências, os alunos relataram fortes emoções, que incluíam lembranças de entes queridos, satisfação, emoção, além de não saberem como lidar em determinados momentos. Os pacientes, por sua vez, além da aproximação com a espiritualidade individual, também choraram, lembraram dos familiares, da infância e das experiências pregressas de vida, afirmando que, as visitas foram “presentes”. Infelizmente, houveram alguns percalços que tiveram que ser superados, como a desistência de alguns voluntários no meio do semestre, sobrecarga de músicos pela pouca quantidade no projeto e a dificuldade dos grupos em escolher e organizar com antecedência o conteúdo das visitas. Por ser um projeto novo, ainda passa por reformulações e mudanças, tudo a fim de se consolidar as práticas e, dia a dia, promover melhorias para o projeto.
O projeto MedMelodia demonstrou ser uma iniciativa valiosa na formação profissional e no cuidado com os pacientes do Hospital Santo Amaro. A experiência proporcionada aos alunos da Unoeste-Guarujá transcendeu o aprendizado técnico, permitindo-lhes vivenciar a medicina em sua essência mais humana. Através da música, da poesia e das histórias, os futuros médicos puderam conectar-se com os pacientes em um nível emocional profundo, compreendendo a importância do cuidado integral e da empatia. A transformação do ambiente hospitalar em um espaço mais leve e acolhedor, promovida pelo MedMelodia, impactou positivamente tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. As reações emocionadas dos pacientes, que se sentiram tocados pelas apresentações artísticas, evidenciaram o poder da arte como ferramenta terapêutica. A capacidade do projeto de evocar memórias, despertar emoções e promover a conexão humana reforça a importância de iniciativas que valorizem a dimensão humana do cuidado em saúde. É evidente que a continuidade desse projeto nos próximos semestres é fundamental para consolidar essa iniciativa e inspirar outras instituições a adotarem práticas semelhantes, que valorizem a arte como meio para o cuidado com o paciente.
humanização, acolhimento, arte, terapia
ALINE CACOZZI, TALITA LOPES RABELLO CAIXETA