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O câncer de mama é uma das neoplasias mais comuns entre mulheres, sendo também a principal causa de morte por câncer nesse grupo no Brasil e no município de São Paulo. A rápida evolução de alguns tipos da doença, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso imediato ao tratamento adequado. O rastreamento regular, especialmente entre mulheres de 50 a 69 anos, é fundamental para reduzir a morbimortalidade associada à doença, sendo de extrema necessidade a ampliação da oferta de mamografias e de exames complementares para o diagnóstico, como as ultrassonografias de mama, biópsias e pequenas cirurgias mamárias. Em 2018, a Secretaria Municipal da Saúde do Município de São Paulo implantou os Serviços de Referência de Mama (SRM), com o objetivo de diminuir o tempo para a realização do diagnóstico das lesões mamárias e facilitar a prevenção e acompanhamento de doenças mamárias, a partir de um conjunto de ações que incluem orientação, triagem, diagnóstico e cirurgia, realizados no mesmo espaço físico. A linha de cuidado do serviço conta com consultas de mastologia, exames de mamografia, raio-x, ultrassonografia (US) mamária, biópsias de mama orientadas por US e cirurgias para exérese de nódulos mamários ou áreas suspeitas de câncer. Hoje existem 14 unidades do SRM, disponibilizadas nas seis Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS) do município.
Os Serviços de Referência de Mama (SRM) foram criados com o propósito de aprimorar e ampliar o acesso das mulheres a serviços especializados de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças mamárias, com foco na qualidade e na integralidade do cuidado. Estes serviços têm como objetivo principal apoiar a rede de Atenção Básica de Saúde, proporcionando suporte técnico e clínico para a avaliação diagnóstica e o seguimento de lesões mamárias classificadas como BIRADS 0, 3 ou 4. Por meio de abordagem integrada e resolutiva com a APS, os SRM buscam agilizar o processo de diagnóstico precoce e o encaminhamento das pacientes que necessitem de intervenções mais complexas, reduzindo o tempo entre a identificação de alterações mamárias e o início do tratamento.
Analisada a demanda reprimida por exames para diagnósticos de lesões mamárias, foi identificada a necessidade de criar estratégias para diminuir as barreiras existentes ao acesso para o diagnóstico precoce e tratamento oportuno desses agravos. Após definição, pela SMS, das melhores localizações para os serviços, nas 6 macrorregiões do município, foram identificadas as necessidades de recursos humanos e de equipamentos para sua implantação. Foi definido que, por meio da busca ativa, as UBS devem captar mulheres assintomáticas de risco padrão para câncer de mama, na faixa etária de 50 a 69 anos. A busca é realizada por visita domiciliar, por agentes comunitários de saúde, equipes de enfermagem, equipes médicas ou outros profissionais da unidade, bem como em consultas, grupos educativos nas UBS e espaços sociais. Em casos de mulheres com alto risco, a captação deve ser feita a partir dos 35 anos. Após a captação, o enfermeiro ou médico solicita exame de mamografia, seguindo os protocolos institucionais. Com o resultado é verificada a classificação BIRADS. Quando o BIRADS é de 5 ou 6, a paciente pelo alto risco de neoplasia segue o fluxo diretamente para a oncologia. Frente à BIRADS 1 ou 2, a orientação é que o exame seja realizado a cada 2 anos. Se o BIRADS for 0, é necessário realizar a ultrassonografia mamária. Com o novo resultado, se a mamografia apresentar BIRADS 0, 3 ou 4 é encaminhada para o mastologista no SRM.
Ao comparar os dados da fila de espera (FE) para mastologia, entre 2017 e outubro de 2024, é possível observar mudanças significativas nas especialidades. Em relação à consulta médica na Atenção Especializada Ambulatorial para mastologia, a FE teve redução de 1.394 pacientes em 2017 para 980 em 2024, indicando redução de aproximadamente 29,7% da fila nesse período. No caso de mamografia bilateral para rastreamento e diagnóstico, a redução foi ainda mais acentuada no período. A FE em 2017 era de 10.271 pacientes, enquanto em 2024 esse número caiu para 1.156 com diminuição de 88,7%, o que mostra um grande progresso no rastreamento do câncer de mama. Em relação à ultrassonografia mamária bilateral, a FE apresentou redução de 18.459 pacientes em 2017 para 9.216 em 2024, o que representa uma diminuição superior a 50%. Essas reduções nas filas por consultas e exames são indicativos de diminuição de barreiras de acesso e melhorias na disponibilidade desses serviços.
Os Serviços de Referência de Mama (SRM) do Município de São Paulo representam um avanço significativo para a saúde da mulher, otimizando acesso a diversos serviços voltados para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças mamárias. Os SRM em conjunto com outros serviços municipais trouxeram melhorias na gestão das filas para consultas com especialistas, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama, com reduções importantes na fila para esses procedimentos, trazendo maior benefício para a saúde pública das mulheres no município. Atualmente, os SRM funcionam durante a semana, com horários diferenciados conforme a demanda de cada região. Para que uma usuária do Sistema Único de Saúde tenha acesso ao SRM, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Os resultados obtidos, até 2024, demonstram progresso na promoção do acesso das mulheres a exames cruciais para a detecção precoce do câncer de mama, contribuindo para redução da morbimortalidade por esse agravo.
Neoplasia maligna feminina, Câncer de mama
VALDIR MONTEIRO PINTO, JANICE OLIVIA GALVANE, ANA CAROLINE BARBOSA VERGUEIRO, MARIA MASSARI VENTICINQUE, JOÃO MAURICIO PERES MAINENTI, ELIZIANE ROSA ROCHA, LÚCIA HELENA DE AZEVEDO