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O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, CEAF, também conhecido como alto custo, engloba uma série de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, PCDT, importantes para direcionamento adequado e sob a ótica da medicina baseada em evidências envolvendo somas expressivas do orçamento da União e dos estados. Todos os municípios no estado de São Paulo recebem seus medicamentos após envio e aprovação por médico auditor dos processos, no entanto, o devido acesso a essas tecnologias requer do médico prescritor conhecimento do PCDT e o preenchimento da documentação necessária, além disso, pelo fato dos estados e municípios executarem o fornecimento através de diferentes sistemas e utilizando metodologias adaptadas as suas realidades que pode gerar erros de dispensação na cadeia de atendimentos. Para correção desta problemática, a Assistência Farmacêutica do município de Itapetininga implementou no CEAF as Boas Práticas de Dispensação de medicamentos no pré, durante e pós-atendimento o que gerou a redução no número de equívocos e a melhoria dos serviços.
Este trabalho visa à exposição da metodologia paulatinamente criada e implantada pela Assistência Farmacêutica no CEAF no munícipio de Itapetininga para redução do número de erros no fornecimento e na montagem dos processos de solicitação de medicamentos. Também expor a importância dos procedimentos realizados antes, durante e depois do atendimento ao usuário com o intuito de garantir obediência ao PCDT, vinculação entre o produto e seu solicitante e satisfação dos pacientes.
Inicia-se o processo, a partir da lista municipal mensal de pacientes, enviada ao estado, com a produção do Comprovante de Dispensação do Município – CDM, em duas vias – a conter a identificação do paciente, do medicamento a quantidade deste, data do próximo atendimento e numeração sequencial única a partir da ordem alfabética da lista, além de outros campos que permitam rastreabilidade processual. Então após recebimento e conferência dos medicamentos, Recibos de Medicamentos Especializados – RME, e Lista de Soma dos itens, LS, do estado pela equipe da Unidade Dispensadora de Medicamentos, produz-se etiquetas com utilização das informações contidas na LS as quais terão o nome do paciente e do medicamento com quantidade. Com os produtos dispostos sobre mesas e em ordem alfabética pelo princípio ativo, inicia-se a etiquetagem que será usada para o quantitativo total do tratamento mensal do paciente. Após finalizada essa etapa, inicia-se a união do CDM e RME aos medicamentos etiquetados. Nesse processo ocorre a conferência das informações contidas na etiqueta, RME e CDM. Qualquer discrepância entre esses deve ser comunicada e corrigida de imediato. Posteriormente os medicamentos são dispostos em prateleiras pela ordem de numeração dos CDM. No dia agendado para dispensação, os pacientes trazem seus CDM, fornecidos no atendimento anterior, com informações suficientes para o rastreio do medicamento e/ou da sua documentação atuais.
Com a implementação da metodologia supradescrita houve a correção dos erros pré- dispensação, a ponto de identificarmos equívocos vindos do estado como duplicidades de RME, RME sem medicamento, medicamento sem RME e processos retidos sem devolutiva. Também erros relacionados aos layouts semelhantes das embalagens primárias dos medicamentos foram reduzidos com as conferências durante a etiquetagem e junção ao CDM e RME. A diminuição das falhas durante o fornecimento foi garantida com a conferência das informações contidas na etiqueta, lote e validade do medicamento ao paciente ou seu representante em voz alta. Isso reduziu também desacertos associados ao analfabetismo do atendido e desatenção do atendente. O procedimento de auditoria feito na farmácia municipal no pós-dispensação também reduziu erros relativos à falta de documentos, exames e preenchimento de campos do laudo médico. Isso também garantiu redução no número de negativas aos processos enviados. O procedimento, entretanto, necessita de agilidade e mão de obra qualificada para manter a eficiência frente ao aumento do número de pacientes atendidos mensalmente. Com o estado da arte, a segurança dos atores envolvidos aumentou drasticamente ao ponto de atualmente reclamações relacionadas a erros de dispensação terem caído para quase zero. Os procedimentos também aumentaram a agilidade do atendimento, uma vez que seu RME e medicamentos encontram-se unidos ao invés de estarem em resmas e prateleiras, respectivamente.
Conclui-se que a metodologia descrita, quando aplicada em sua totalidade no dia a dia da farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica do município de Itapetininga, garantiu aumento consistente a segurança do paciente assim como na velocidade do seu atendimento.
CEAF, Alto Custo, Assistência Farmacêutica
Eliane Maria Leite, Carla Renata Ferreira Melo Lourenço, Tainah De Mani Rodrigues, Diego Marcelo Inácio de Barros