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O processo de envelhecimento da população já é uma realidade do Brasil. Em 2022, segundo o IBGE, 15% da população brasileira era composta por pessoas idosas, que é um avanço, mas por outro lado, viver mais não significa que é o melhor. Ao analisar a dinâmica que a pessoa idosa está inserida, seja questões relacionadas aos novos arranjos de moradia, família e entre outras vulnerabilidades sociais, é importante identificar se há o fator isolamento social e se o indivíduo exerce seu protagonismo. Estas, são questões que constatamos durante nossos atendimentos e que, como atores da Atenção Básica, podemos indicar como futuro problema de Saúde Pública. O grupo Memória Ativa e Afetiva, foi implementado, 3 meses após a inauguração da UBS Jd. Antártica. após atendimentos e durante reuniões com os diversos profissionais das diferentes áreas de produção da UBS, foi sendo elaborado a criação de um espaço, onde a pessoa idosa exercesse ou fosse estimulada a exercer seu papel de protagonista, tivesse momentos de socialização, criação de Rede de Apoio e, paralelamente participasse de atividade de estimulo cognitivo, com o objetivo de manter e melhorar funções como memória, atenção, raciocínio e linguagem. O grupo iniciou se com 5 usuários, quinzenalmente, com 1hora e 30 minutos de duração. Os usuários escolheram o nome do grupo e junto com os coordenadores, definiram os temas e atividades que seriam realizadas naquele ano. Atualmente, em média, participam do grupo, 15 usuários.
•Criar ou incentivar o protagonismo; •Promover convivência e socialização; •Propiciar Rede de Apoio; •Estimular aspectos cognitivos.
A realização das atividades do grupo é divido em dois momentos: o primeiro pode ser atividade audiovisual, um curta (filme com um tema para desenvolver momento de reflexão). Alguns temas que trabalhamos, por exemplo, foi prevenção de quedas, saúde da mulher, saúde do homem, prevenção de suicido, entre outros. No segundo momento, temos atividade de estimulação cognitiva que pode ser jogos, dinâmica de grupo, pinturas, desenhos, raciocínio lógico e etc. No primeiro ano do grupo, trabalhamos o resgate da infância, adolescência e juventude e no final do ano, os participantes realizaram uma exposição com objetos que tinham em casa, mas não eram mais utilizados, como vitrola, disco de vinil, monóculo e aparelho de fax. Em 2025, o grupo trabalhou as regiões do Brasil, principalmente, as que eles nasceram e no final do ano foi feita uma exposição com objetos típicos de sua região como: pilão de café, rede, trabalhos em crochê e cerâmica, cuia de chimarrão, entre outros. Em determinadas épocas de ano, temos comemorações, como em junho, realizamos o café caipira com jogos, bingos, entre outras atividades. Ao longo desses dois anos de existência do grupo, contamos com a participação do Agente de Promoção Ambiental do Programa Ambientes Verde e Saudáveis, onde criamos atividades, que tiveram como tema da biodiversidade, sustentabilidade ambiental e reciclagem. Contamos, também, como coordenadores do Grupo, Agente Comunitário de Saúde e Nutricionista.
Ao longo dos dois anos de existência do grupo houve o aumento de participantes fixos, que incialmente eram 5 usuários e atualmente, a média é de 15 participantes. Uma das medidas para esse aumento, por parte dos integrantes, foi a divulgação por meio de entrega de convites à vizinhos e amigos. Os participantes temiam pelo fim do grupo, se não tivesse um número considerável de usuários ativos. Segundo os usuários, o que eles mais gostam do grupo, conforme questionário de avaliação, aplicado no final de 2025, é a socialização, as novas amizades construídas, consequentemente, a criação de Rede de Apoio e as atividades que estimulam a memória. Há relatos, após a aplicação de AMPI, que o grupo contribuiu para o enfrentamento de depressão, luto, isolamento e como “respiro” para aqueles que ainda cuidam de outra pessoa idosa.
O grupo vem mostrando ser um espaço que estimula e promove o protagonismo da pessoa idosa, não só durante as atividades, mas para além da unidade básica de saúde. Há relatos que o grupo ajudou perder sua timidez, medo de falar em público, de interagir com outras pessoas e de conhecer seus direitos e que, consequentemente, possibilitou sua participação em coral da igreja, conselhos gestores, reuniões de associações de bairro e interferiu em alguns de seus sentimentos, inclusive em se permitir à novo relacionamento, após anos de viuvez. Este último, com a observação dos coordenadores. Vale deixar registrado que a maioria das atividades realizadas são com materiais reciclados e que alguns jogos, como os de memória são feitos com o auxílio e participação dos usuários, que decidem o tema, pesquisam, cortam, pintam e montam.
Pessoa Idosa, protagonismo, memoria, socialização
SIMONE PEREIRA DA SILVA MONTEIRO