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A experiência da Oficina Mente e Harmonia, que integra meditação, respiração e músicas clássicas e sons da natureza no cuidado à saúde mental e adicções, contribui para o tema do envelhecimento ao promover estratégias de cuidado integral voltadas à saúde mental, favorecendo autonomia, bem-estar emocional e qualidade de vida, especialmente de pessoas adultas e idosas acompanhadas no CAPS AD, em São Roque/SP, por uso problemático de substâncias psicoativas. A oficina iniciou em maio de 2025 e permanece em andamento, atendendo aproximadamente 40 usuários entre 18 e 76 anos. A iniciativa surgiu da necessidade de ampliar estratégias de cuidado integral e humanizado, utilizando PICS de baixo custo, com foco na promoção da saúde mental, redução da ansiedade, fortalecimento do vínculo terapêutico e estímulo à autonomia dos usuários. A utilização combinada da música, respiração e meditação guiada favorece o relaxamento, reduz situações de crise e amplia o vínculo terapêutico, contribuindo para a redução de danos associados ao uso de substâncias e fortalece o cuidado territorial e amplia as possibilidades terapêuticas oferecidas à população em situação de vulnerabilidade emocional e social. A proposta impacta positivamente no processo ao incentivar a regulação emocional e contribuir para melhores indicadores de saúde global e na prevenção de agravos em saúde mental. Para o SUS municipal, representa uma alternativa acessível que complementa o cuidado convencional.
Utilizar a combinação de estímulos auditivos e controle respiratório como estratégia de estabilização emocional de usuários em acompanhamento por sofrimento psíquico e adicções. Especificamente, busca-se: •Promover a redução da frequência cardíaca, do estresse e da ansiedade por meio da utilização de música em ritmo aproximado de 60 BPM; •Facilitar a concentração e o foco, frequentemente prejudicados pelo uso crônico de substâncias; •Utilizar a meditação guiada para auxiliar na reestruturação de pensamentos disfuncionais e no fortalecimento da autoestima; •Ofertar uma alternativa terapêutica de baixo custo e alta acessibilidade para o manejo da abstinência e da fissura.
A atividade ocorre semanalmente, com duração aproximada de 40 minutos, estruturada em cinco etapas: Fase preparatória: acolhimento dos usuários em ambiente calmo, com introdução à respiração controlada ao som de música clássica (aproximadamente 60 BPM), intercalada com sons da natureza. Ciclo respiratório: condução de técnica de respiração guiada, favorecendo o relaxamento e a autorregulação emocional. Meditação passiva: período de 5 a 10 minutos em que os usuários recebem apenas o estímulo sonoro, permitindo desaceleração do ritmo mental. A facilitadora observa o nível de agitação antes e após a intervenção. Meditação guiada: sequência com condução verbal, utilizando visualizações criativas e afirmações de cuidado por 5 a 10 minutos, aproveitando o estado de receptividade promovido pela música e pela respiração. Fechamento: breve partilha das sensações vivenciadas pelo grupo.
A combinação das técnicas apresentou resposta terapêutica superior à meditação passiva isolada. Observou-se redução dos episódios de agitação psicomotora após as oficinas, diminuição de estresse e ansiedade, além de maior sensação de tranquilidade e segurança relatada pelos usuários. Participantes referiram que a condução verbal auxilia na diminuição de pensamentos negativos e da fissura pelo uso de substâncias. Também foi percebida melhora na coesão grupal, com maior empatia e serenidade durante as atividades de convivência no CAPS. De forma quantitativa, constatou-se que parte dos usuários passou a reproduzir a técnica respiratória em momentos de tensão fora da unidade, contribuindo para a redução de retornos em crise ao serviço de urgência.
A vivência demonstra que a sequência Música–Respiração–Meditação cria uma trilha de segurança emocional para usuários com comorbidades, favorecendo respostas positivas a estímulos estruturados e previsíveis. A meditação guiada, aplicada após o relaxamento induzido pela música, potencializa a internalização de novos hábitos mentais, reduz níveis de estresse e amplia a tolerância emocional no cotidiano. Conclui-se que as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), quando aplicadas de forma sistematizada, configuram-se como ferramentas resolutivas no âmbito da RAPS, fortalecendo o cuidado humanizado no SUS. Como perspectiva futura, pretende-se construir uma “biblioteca sonora” para uso autônomo dos usuários em domicílio e capacitar familiares, ampliando o suporte terapêutico no ambiente doméstico e consolidando as PICS como estratégia de cuidado no território.
Envelhecimento, PICS, Adicções, Saúde Mental
ANDREA ROBERTA DOMINGOS BERGAMO