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A experiência “Miss Paris” é realizada no bairro Aparecidinha desde o anos de 2015 em 1º de outubro, como celebração ao Dia Internacional da Pessoa Idosa. A iniciativa surgiu como estratégia de valorização das mulheres com 60 anos ou mais do território, promovendo autoestima, inclusão social e fortalecimento de vínculos comunitários., de uma forma lúdica, com início dos preparativos nos meses julho agosto setembro. Em um cenário de aumento da longevidade da população brasileira, envelhecer com dignidade constitui compromisso coletivo e responsabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). O envelhecimento, especialmente para as mulheres, é atravessado pordesigualdades sociais, econômicas e de gênero. Promover equidade implica reconhecer essas trajetórias e ofertar mais cuidado, visibilidade e oportunidades àquelas que historicamente foram silenciadas. O nome “Miss Paris” nasce de um trocadilho afetivo com “Paris…cidinha”, uam brincadeira entre os moradores, quando se referem ao bairro onde residem. A ação envolve agentes comunitárias de saúde, equipes da unidade, comerciantes e moradores, familiares das concorrentes, beneficiando diretamente mulheres idosas e, indiretamente, toda a comunidade ao combater o etarismo e a invisibili dade social.
Promover a valorização e o protagonismo das mulheres com 60 anos ou mais do território; Fortalecer vínculos familiares e comunitários; Estimular a participação social da pessoa idosa; Combater o etarismo e a desvalorização feminina; Contribuir para a promoção da saúde integral, ampliando o conceito de cuidado para além da dimensão clínica.
Os preparativos iniciam se anualmente no mês de agosto. As agentes comunitárias de saúde realizam convites durante visitas domiciliares e atendimentos na unidade. Após a inscrição, ocorrem encontros para organização, ensaios e orientações. Comerciantes locais colaboram com doações de brindes, prêmios e cessão de espaço para a realização do concurso. A comunidade participa da decoração, escolha de trajes e maquiagem das candidatas. No dia 1º de outubro, é o grande dia da comemoração tanto do Dia Internacional do Idoso, como o concurso para a escolha da Miss Paris. Todas as concorrentes são chamadas à passarela enfeitada com tapete vermelho, bexigas, para desfilarem sua beleza transformada pelos anos vividos contando um pouco de sua caminhada, seus sonhos e desejos. Os jurados são membros da comunidade, que dão notas pela elegância, desenvoltura na passarel a e simpatia. Cada uma escolhe sua roupa, sua maquiagem e muitas preferem não usar nenhuma. Não importa, o que é avaliado é a interação com a torcida e os jurados. A experiência envolve equipe da Atenção Básica, agentes comunitárias e parceiros do território, configurando prática intersetorial e comunitária. Em 2025, ao completar 10 anos, o evento foi tema em programa de televisão local, ampliando sua visibilidade.
Observou se fortalecimento da autoestima, ampliação da participação social e maior aproximação das mulheres idosas com a unidade de saúde. Muitas relataram sentir se valorizadas e reconhecidas publicamente pela primeira vez. A experiência fortaleceu vínculos familiares e promoveu integração intergeracional. A mobilização comunitária consolidou redes de apoio no território. Os relatos evidenciam transformação subjetiva: mulheres que antes se percebiam invisíveis passaram a reconhecer suas histórias como fonte de orgulho. Cada narrativa traz marcas de luta, desigualdade e superação, mas também esperança e alegria por celebrar o r osto que hoje carregam com dignidade. o evento foi tema em programa de televisão local, ampliando sua visibilidade.A relevância da ação evidencia se nos relatos das participantes. R. afirma: “ Quando aqui cheguei, estava deprimida por perdas familiares e pela mudança de cidade. Eu não saía de casa, não queria ver ninguém, nem fazer nada. Até que me convidaram para participar do concurso, e fui a vencedora daquele ano (2018). Eu me senti renovada. Foi muito difícil sair de casa e me arrumar, mas foi o começo da minha recuperação. Depois de todos esses anos, participei da comemoração de 10 anos, estou ativa. Agradeço muito o que esse concurso e essas meninas fizeram por mim.” M.A. complementa: “ Eu me senti renascendo. Não tive vergonha de me mostrar. Eu me sinto bem como estou agora. Eu queria participar.”
O “Miss Paris” reafirma que o cuidado em saúde ultrapassa procedimentos técnicos, sendo também construção de vínculos, identidade e pertencimento. A experiência demonstra que o SUS, ao promover espaços de valorização da pessoa idosa, fortalece os princípios de integralidade e equidade. Inspirado no poema “Eu não tinha este rosto de hoje”, de Cecília Meireles, o evento convida à reflexão sobre o tempo, a memória e a construção da ident idade. Após 10 anos, consolida se como prática cultural e de saúde no território, com perspectiva de continuidade e ampliação.
envelhecimento, atenção primária em saúde e mulher
SILVANA A SANAVIO, ALINE LUZIA SOUZA MELO, ANGELA MARIA DE OLIVEIRA, ANGELICA DA SILVA OLIVEIRA, ELIANE DIASSIS DOS SANTOS MONTEIRO, ELIENE ALMEIDA DE AGUIAR, IVANI LEITE DA CRUZ, JOÃO VITOR RIBEIRO DA SILVA, JOSIANE DOS SANTOS QUEIROZ, JULIANA MENDES CAETANO, MARIA JOSENIVIA BARBOSA DA SILVA, MARIA APARECIDA MEBIUS RAFAEL, MARIANE YOSHIKO KANASHIRO DE SOUZA, PAULIANE CRISTINA SAMPAIO CAMARGO, SELMA CRISTINA ALVES, SILVANIA FERREIRA DA SILVA, SINFOROSA RAMOS DOS SANTOS GODOY, TAMIRIS DE FATIMA ALBERTO