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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como desafio permanente garantir acesso oportuno e cuidado resolutivo. Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de São Paulo frequentemente enfrentam desafios na organização das agendas assistenciais, sempre com a finalidade de não gerar impactos negativos no acesso dos usuários. Este estudo descreve a experiência de adoção de um modelo exitoso de configuração de agendas na UBS Vila Albertina – Dr. Osvaldo Marçal, a partir da mudança da gestão da unidade e da realização de oficinas em conjunto com a equipe assistencial do Núcleo Zona Norte da SBCD, com início em abril de 2025. Objetivo: Implantar um modelo de configuração de agendas assistenciais que garantisse acesso oportuno aos usuários, seguindo as diretrizes e recomendações da Coordenadoria Regional de Saúde Norte do município de São Paulo, reorganizando os fluxos de atendimento e qualificando o processo de trabalho das equipes.
Implantar um modelo de configuração de agendas assistenciais que garantisse acesso oportuno aos usuários, seguindo as diretrizes e recomendações da Coordenadoria Regional de Saúde Norte do município de São Paulo, reorganizando os fluxos de atendimento e qualificando o processo de trabalho das equipes.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido nesta UBS. Após a realização de diagnóstico situacional das agendas, foram analisados oferta, demanda, absenteísmo e fluxos assistenciais. Com base em experiência prévia exitosa, o modelo de configuração de agendas foi apresentado e pactuado com as equipes de Saúde da Família, equipe multiprofissional e setor administrativo. As agendas assistenciais foram organizadas em blocos previamente definidos, garantindo acesso oportuno e acompanhamento programado. Do total de vagas disponíveis, 70 % foram destinadas à demanda espontânea, assegurando atendimento no mesmo dia para queixas agudas e necessidades imediatas, ou agendamento em 24,48 ou 72horas, os demais 30% foram reservados para demanda programada, com horários específicos para acompanhamento de gestantes, puericultura, saúde da mulher e puerpério.
A implantação do modelo possibilitou reorganização do acesso, redução de gargalos históricos e melhor uso da capacidade instalada entre demanda espontânea e programada. Observou-se redução do absenteísmo que era de 22% para 11%, dando maior previsibilidade assistencial e otimização da capacidade instalada. As equipes relataram melhoria na organização do processo de trabalho, clareza dos fluxos e maior corresponsabilização pelo acesso. Houve impacto positivo na satisfação dos usuários e profissionais.
A experiência demonstra que a adoção de modelos exitosos de configuração de agendas, conduzida pela gestão e coordenação assistencial, é uma estratégia eficaz para garantir acesso oportuno e qualificar a APS. A principal inovação desta experiência foi a implantação do modelo de configuração de agendas como ferramenta viva de gestão, e não apenas como instrumento operacional de marcação de consultas. A agenda passou a ser utilizada como dispositivo de cuidado, regulação do acesso e organização do processo de trabalho, com revisão periódica baseada em dados reais de oferta, demanda e perfil do território, sem comprometer a longitudinalidade do cuidado — superando a lógica tradicional de “agenda cheia, acesso restrito.
Gestão, Agenda, Acesso
MARCIA KELLY MORAES DE ARAUJO, MACELLA SORAYA DE OLIVEIRA