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O acompanhamento odontológico durante a gestação é fundamental para a saúde materno-infantil. Evidências indicam que a periodontite pode aumentar o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer, e metanálises demonstram que gestantes com doença periodontal têm 4,2 vezes mais chances de desenvolver parto prematuro do que gestantes saudáveis. O estado da saúde bucal ao longo da gestação relaciona-se diretamente com a saúde geral da mãe, podendo influenciar tanto na saúde geral quanto bucal do bebê. No contexto do SUS municipal de São Paulo, a Portaria Municipal 943/2025 estabeleceu a meta de 85% para a Consulta Odontológica da Gestante, com incrementos semestrais previstos até atingir 90%. O município utiliza este indicador para o monitoramento qualitativo do contrato de gestão. A Sociedade Brasileira Caminho de Damasco, parceira na administração de unidades de saúde na Zona Norte de São Paulo, identificou a necessidade de sistematizar este monitoramento. A experiência iniciou-se em março de 2025, conduzida pela equipe de coordenação de saúde bucal em parceria com cirurgiões-dentistas, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e gestores locais. A população beneficiada compreende todas as gestantes cadastradas no SIS Pré-natal, totalizando aproximadamente 2800 gestantes anualmente. Esta iniciativa se justifica pela necessidade de qualificar progressivamente a assistência pré-natal e melhorar os indicadores de saúde materno-infantil no território.
Objetivo Geral: Monitorar sistematicamente a realização de consultas odontológicas em gestantes cadastradas no pré-natal das unidades de saúde administradas pela Sociedade Brasileira Caminho de Damasco na Zona Norte de São Paulo, garantindo o acesso universal ao cuidado odontológico gestacional. Objetivos Específicos: •Identificar mensalmente as gestantes cadastradas no SIS Pré-natal que não realizaram consulta odontológica; •Implementar estratégia de busca ativa para gestantes sem atendimento odontológico registrado; •Ampliar a cobertura de consultas odontológicas para gestantes, visando atingir a meta de 85% estabelecida pela Portaria Municipal 943/2025; •Fortalecer a integração entre equipes de saúde bucal e equipes de atenção básica no cuidado pré-natal; •Qualificar a assistência odontológica pré-natal através do monitoramento contínuo e garantia de acesso; •Subsidiar o processo de planejamento e gestão da assistência odontológica nas unidades através de dados sistematizados
A experiência foi desenvolvida através de metodologia sistemática de monitoramento e busca ativa. Quinzenalmente, a equipe de coordenação de saúde bucal recebe extração de dados do sistema SIGA Saúde, realizada pela Assessoria de Núcleo de Informação Assistencial, identificando todas as gestantes cadastradas no SIS Pré-natal das unidades administradas pela Sociedade Brasileira Caminho de Damasco. Verifica-se no sistema se essas gestantes possuem registro de consulta odontológica durante o período gestacional. As gestantes sem atendimento odontológico registrado são relacionadas em planilha eletrônica padronizada, contendo informações como nome completo, CPF, data do acolhimento, data provável do parto (DPP) e unidade de referência. Esta planilha é encaminhada quinzenalmente aos gerentes das unidades e às equipes de saúde bucal, que articulam as ações locais para garantia do atendimento. Os atendimentos são organizados priorizando gestantes com DPP mais próxima, garantindo acesso oportuno ao cuidado. A busca ativa permite a mobilização de gestantes através de contato telefônico, visita domiciliar ou durante consultas de pré-natal. Uma estratégia importante é atrelar a consulta odontológica a momentos em que a gestante já deve comparecer à UBS para exames e/ou consultas, otimizando o acesso. O agendamento ocorre conforme necessidade: consulta programática, atendimento domiciliar ou consulta de urgência.
A implementação do monitoramento sistemático, iniciada em março de 2025, produziu resultados significativos no território administrado pela Sociedade Brasileira Caminho de Damasco. Nos dez meses de implementação observou-se aumento progressivo na proporção de gestantes com atendimento odontológico realizado, com elevação de 68,88% em março para 87,65% em dezembro, representando crescimento de 18,77 pontos percentuais, superando a meta estabelecida em apenas sete meses de intervenção. A meta de 85% estabelecida pela Portaria Municipal 943/2025 foi alcançada em outubro (85,71%) mantendo-se acima deste patamar em novembro (85,47%) e dezembro (87,65%). Das 17 unidades monitoradas, 11 atingiram percentuais iguais ou superiores a 85% em dezembro de 2025, destacando-se seis UBSs, todas com 100% de cobertura. A busca ativa quinzenal possibilitou identificar e atender centenas de gestantes sem acompanhamento odontológico, garantindo acesso ao cuidado integral. As principais barreiras incluíram desconhecimento sobre a importância do atendimento odontológico durante a gestação, dificuldades de agendamento e incompatibilidade de horários. A estratégia de priorização por DPP e de atrelamento das consultas odontológicas a outros compromissos na UBS demonstrou-se efetiva. Observou-se maior integração entre equipes de saúde bucal e atenção básica, fortalecendo o cuidado multiprofissional. A experiência contribuiu para qualificação dos registros, reduzindo subnotificações.
A experiência demonstrou que a gestão ativa de indicadores é fundamental para garantir a integralidade do cuidado pré-natal no SUS. O alcance da meta de 85% em outubro de 2025 e a manutenção acima deste patamar nos meses subsequentes evidenciam a efetividade da metodologia implementada. O processo evidenciou que o tratamento adequado dos dados e a sinalização sistemática para as equipes de saúde bucal sobre as gestantes sem consulta registrada são elementos cruciais para o sucesso da intervenção. A fragilidade na transmissão de informações dentro das unidades constitui barreira importante, superada através do envio quinzenal de planilhas padronizadas pela coordenação diretamente aos gerentes e equipes de saúde bucal. A busca ativa revelou-se não apenas como estratégia de captação, mas como oportunidade de educação em saúde, desmistificando crenças sobre o atendimento odontológico gestacional. A integração entre equipes multiprofissionais fortaleceu-se significativamente, promovendo cultura de corresponsabilização pelo cuidado integral. persistentes, identificam-se a necessidade de ampliar a oferta de horários compatíveis com a rotina laboral das gestantes e intensificar ações educativas desde o início do pré-natal.
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ANA CAROLINA DO VALLE DE MOURA LEITE, GUSTAVO HENRIQUE RODRIGUES, ANA BEATRIZ SANTOS, LUIZ CARLOS LIMA AMORIM